Esportes Jovem britânica que veio do quali, Raducanu faz história e é campeã do US Open

Jovem britânica que veio do quali, Raducanu faz história e é campeã do US Open

Para levantar um troféu de Grand Slam, um tenista precisa vencer sete partidas seguidas. Emma Raducanu venceu dez para se sagrar campeã do US Open, neste sábado. A britânica de apenas 18 anos precisou de três vitórias a mais porque veio do qualifying, se tornando a primeira tenista da história a vencer um Grand Slam, tanto no feminino quanto no masculino, após superar a fase preliminar. O feito histórico veio com triunfo sobre a também jovem Leilah Fernandez, do Canadá, por 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 6/3.

A conquista surpreende também porque Raducanu disputava a chave principal de um Grand Slam pela segunda vez na carreira - a primeira foi em Wimbledon, em julho, quando também se destacou. Atual número 150 do mundo, se torna agora a segunda jogadora de pior ranking da história a conquistar um Major. Ela ainda foi campeã sem perder um set sequer, mesmo superando a quantidade incomum de jogos.

A tenista de 18 anos, 14ª campeã diferente de um Major desde 2015, encerrou ainda um longo jejum, de 44 anos, para o tênis do seu país. Uma britânica não vencia um Grand Slam desde 1977. A última foi Virginia Wade, que assistiu ao feito de Raducanu das tribunas da quadra central do US Open, em Nova York. De quebra, a jovem tenista vai entrar no Top 30 do ranking pela primeira vez.

Antes do título, a final deste ano já era histórica por reunir duas estreantes em finais de Grand Slam. Raducanu e Fernandez, atual 73ª do mundo, fizeram a decisão mais jovem do US Open desde 1999, quando o torneio americano foi decidido pela local Serena Williams, então com 17 anos, e pela suíça Martina Hingis, com 18. Juntas, a britânica, de 18, e a canadense, de 19 completados nesta semana, somam 37 anos. Para efeito de comparação, Serena, maior lenda de sua geração, chegará aos 40 anos no fim do mês.

As duas finalistas deste sábado entraram para a história como as menos experientes em Grand Slam. Elas somam apenas nove participações em torneios deste nível - sete para Fernandez. Além disso, foi a primeira vez que o US Open teve em sua final duas tenistas que não eram cabeças de chave.

Curiosamente, as duas nasceram no Canadá e são filhas de imigrantes, com ampla diversidade multicultural em suas famílias. Nascida em Montreal, Leylah tem pai equatoriano - Jorge Fernandez foi jogador de futebol profissional - e mãe descendente de filipinos. Raducanu, por sua vez, tem pai romeno e mãe chinesa. Ela nasceu em Toronto e se mudou com a família para Londres quando tinha apenas dois anos de idade.

Apesar da juventude e da pouca experiência, as duas tenistas mostraram luta e muita fome de vencer desde o primeiro ponto. O jogo começou com Raducanu exibindo mais o seu estilo agressivo, quebrando o saque da rival logo no início e abrindo 2/0. Depois de hesitar nos primeiros pontos, Fernandez reagiu a partir da sua postura mais defensiva, buscando todas as bolas no fundo de quadra.

O empate por 2/2 foi consequência natural do equilíbrio que logo surgiu na partida. Concentradas, mantiveram o duelo parelho até Fernandez voltar a hesitar no 10º game. A britânica aproveitou, obteve nova quebra e fechou o primeiro set.

A segunda parcial começou novamente com Raducanu melhor. Porém, desta vez a canadense reagiu rapidamente e foi a responsável pela primeira quebra do set, abrindo 2/1. A britânica foi ainda mais veloz para reequilibrar o duelo. Faturou duas quebras em sequência, virou o placar do set e abalou de vez a confiança da adversária.

Quando liderava o marcador por 5/2, desperdiçou um match point no saque da canadense, que lutava firme para seguir viva na partida. Quando sacava para fechar o jogo e o torneio, Raducanu precisou mostrar ainda mais poder de superação. A final ganhou ares de dramaticidade quando ela enfrentava um break point e sofreu um corte no joelho ao escorregar na quadra. Após rápido atendimento médico em quadra, evitou a quebra e, em seguida, fechou a final em 1h51min.

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