Grupo financiado pela Arábia Saudita faz proposta e deve comprar Newcastle

Depois do fracasso de várias negociações, o Newcastle pode, finalmente, ter um novo proprietário quando o Campeonato Inglês for retomado. E o final do reinado de Mike Ashley provavelmente será bem recebido pelos torcedores, mas não pelos ativistas de direitos humanos.

Documentos publicados pelo registro de empresas britânico mostram que a empresária Amanda Staveley iniciou negociações com Ashley, um empresário controverso, dono da cadeia de lojas de varejo Sports Direct.

Esta proposta de aquisição por 300 milhões de libras (aproximadamente R$ 1,97 bilhão) é financiada pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, um fundo soberano que é supervisionado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

Mas para a Anistia Internacional, a compra do Newcastle seria outro caso de "lavagem esportiva" por uma nação ansiosa em mudar o foco em função dos abusos de seu governo. Staveley também intermediou a aquisição por Abu Dabi, em 2008, do Manchester City, transformando um clube com pouca história de sucesso na equipe mais dominante do Campeonato Inglês na atual década, alimentada pela riqueza do emirado.

"A Arábia Saudita está tentando usar o glamour e o prestígio do Campeonato Inglês como uma ferramenta de relações públicas para distrair o abismo do país em relação aos direitos humanos", disse Felix Jakens, que lidera campanhas da Anistia Internacional na Grã-Bretanha.

Mas o fim da era Ashley não será lamentado pelos torcedores do Newcastle que ficaram frustrados com o fracasso do clube em conquistar um troféu nacional desde 1995. Ele adquiriu o clube em 2007, mas fez poucos investimentos no elenco desde então, mesmo com o time praticamente sempre atuando para mais de 50 mil pessoas no estádio St. James Park e tendo ficado em 19º lugar na lista da Deloitte dos clubes de futebol mais ricos do mundo em 2019. Na sua gestão, a equipe só ficou entre os dez melhores do Campeonato Inglês na temporada 2011/2012. E o Newcastle ainda foi rebaixado duas vezes, em 2009 e 2016.