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“Vivíamos um sonho”, afirma prefeito de Chapecó após acidente

"Acredito que fiquei para cumprir a missão de resgatar a nossa autoestima", diz Luciano Buligon

Futebol|Da Agência Brasil

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Buligon conta que embarcaria junto com a equipe, mas decidiu ficar em São Paulo para reunião na manhã desta terça-feira
Buligon conta que embarcaria junto com a equipe, mas decidiu ficar em São Paulo para reunião na manhã desta terça-feira

O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, disse nesta terça-feira (29), após o acidente com o avião que transportava o time Chapecoense para Medellín, na Colômbia, que a equipe estava em seu melhor momento e que a cidade catarinense “vivia um sonho”.

— A Chapecoense passava por um grande momento. Nós vivíamos um sonho, eu nunca cansei de dizer isso. Uma cidade do interior, três vezes na série A do Campeonato Brasileiro, disputadíssimo.


Buligon disse acreditar ter uma missão a cumprir, após o acidente com o avião da equipe da Chapecoense que caiu durante a madrugada, enquanto levava o time catarinense para a disputa do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana.

— Estou agradecendo a Deus. O que me fez chorar foi a minha filha, que me ligou agora, disse que está feliz. Eu acredito que fiquei para cumprir a missão de resgatar a nossa autoestima.


Lateral da Chapecoense Alan Ruschel pode ficar paraplégico, e zagueiro Neto está em estado crítico

O prefeito embarcaria junto com a equipe, mas decidiu ficar na capital paulista para uma reunião na manhã desta terça-feira que trataria de parcerias público-privadas para Chapecó e pediu para que o presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense, Plínio David de Nes Filho, também ficasse.


— Estamos preocupados com a dor das famílias, todas aquelas pessoas que estavam naquele avião são conhecidos íntimos nossos. Uma cidade de 210 mil habitantes não é tão grande assim, a gente conhece todos eles. É muito dolorido.

O acidente com o avião que levava a equipe do Chapecoense e 21 jornalistas matou 71 pessoas.


Segundo o prefeito, os dois embarcariam num voo comercial às 15h50 de hoje e chegariam à 1h (horário de Brasília) em Medellín para assistir a primeira final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, marcada inicialmente para amanhã (30). Depois do acidente, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) adiou a partida. Uma nova data só deverá ser definida a partir do dia 21 de dezembro.

Conheça o avião que caiu com time da Chapecoense

O governo federal liberou duas aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira) para levar autoridades, além de médicos e a equipe do jurídico da Chapecoense para auxiliar os sobreviventes e fazer o translado dos corpos.

A cidade de Chapecó decretou 30 dias de luto e a suspensão das aulas. As festividades de Natal estão canceladas. A equipe médica do time embarcou às 9h40 em Chapecó com destino a Guarulhos. Eles partem para Medellín, às 16h.

Feridos

O prefeito disse que o zagueiro Hélio Zampier Neto sofreu traumatismo craniano e que os médicos pediram tempo apara avaliar a gravidade do estado do atleta. O lateral-esquerdo Alan Ruschel, que também foi resgatado, sofreu lesões que não o deixaram falar no momento do socorro.

— Em estado de choque, ele tirou a aliança e pediu para entregar para a mulher. [...] Essas pessoas estão dando um fio de esperança para nós. Vamos cuidar deles. Os médicos da Chapecoense são profissionais gabaritados, com longo histórico de dedicação.

Avião fretado

Segundo o prefeito de Chapecó, o avião foi fretado para reduzir o desgaste dos jogadores. Ele disse que a aeronave já atendeu às seleções da Bolívia e Argentina. Buligon afirmou ainda que já havia voado com a tripulação, incluindo o piloto, que também era proprietário da empresa venezuelana LaMia, sigla para Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación. Os voos ocorreram durante os últimos jogos da Copa Sul-Americana.

— Foi um voo tranquilo. O piloto acabou virando torcedor da Chapecoense, assistiu o jogo. Era uma pessoa tranquila, bom piloto.

FAB disponibiliza quatro aviões: dois de resgate e dois para famílias da tragédia com Chapecoense

Buligon explicou ainda que a aeronave deveria ter partido de Guarulhos ontem, o que não ocorreu já que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) não autorizou. Existe um regulamento internacional que só permite que empresas aéreas façam fretamento com origem no próprio país. “Não é do nosso cotidiano [fretamento de voos internacionais], a gente só ficou sabendo no domingo à noite. A Chapecoense redimensionou a logística”, explicou.

Dessa forma, a equipe partiu em avião comercial de Guarulhos para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. De lá, partiram em avião fretado com destino a Medellín. O avião deveria ter chegado à 1h da manhã (horário de Brasília) na cidade colombiana. A aeronave caiu a 30 km da cabeceira do aeroporto. “Houve pane elétrica”, disse o prefeito.

— Eu recebi a notícia às 3h30 da manhã. Meu telefone fica no silencioso, eu estava dormindo no hotel. O que me despertou foi o telefone do hotel, imediatamente, eu olhei meu celular e tinha várias ligações da minha cunhada, que mora em Los Angeles. Talvez, pelo fuso horário, ficou sabendo primeiro. Foi um impacto muito grande.

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