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Uma vitória em 19 jogos e luta contra o rebaixamento: o que explica a crise do Santos?

Pelo terceiro ano seguido, o Peixe briga para não cair para no Brasileirão e foi eliminado de todas as competições que disputou

Futebol|Pietro Otsuka, do R7

Santos só tem uma vitória nos últimos 19 jogos
Santos só tem uma vitória nos últimos 19 jogos Santos só tem uma vitória nos últimos 19 jogos

Quando Andrés Rueda assumiu como presidente do Santos, o cenário era caótico. Dívidas a curto prazo estrangulavam o Peixe e o mandatário logo aplicou medidas de austeridade, renegociando compromissos financeiros e se desfazendo do time vice-campeão da Libertadores de 2020. Nos dois anos seguintes, o clube lutou contra o rebaixamento e foi eliminado precocemente de todas as competições que disputou. Para 2023, veio a promessa de contratações impactantes e melhor desempenho esportivo. Não foi o que aconteceu. 

Oito meses se passaram e o cenário se repete. O Santos luta mais uma vez contra o rebaixamento no Brasileirão, caiu na primeira fase do Paulistão e foi eliminado precocemente da Copa do Brasil e da Sul-Americana.

Pra piorar, nos últimos 19 jogos, o Peixe conquistou apenas uma vitória, contra o Goiás, por 4 a 3, na 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. No último jogo, o time foi goleado por 4 a 0 pelo Fortaleza, no Castelão, e entrou no Z4, na 17ª posição, com apenas 18 pontos conquistados, a mesma pontuação do Bahia, o 16º, mas que tem maior saldo de gols. 

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"Falta profissionalismo no que tange ao futebol, à administração esportiva do Santos. Eu penso que o presidente Rueda até tentou fazer uma administração boa na organização do clube, finanças, tirar o time do transfer ban, diminuir custos. Mas, por outro lado, o investimento feito no futebol, nas contratações, a maioria não deu certo. Os resultados comprovam a incapacidade, a incompetência do departamento de futebol do Santos", analisa Robert, ex-meia do Peixe. 

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A culpa é do Rueda?

Rueda é presidente do Santos desde 2021
Rueda é presidente do Santos desde 2021 Rueda é presidente do Santos desde 2021

Presidente do Santos, Andrés Rueda é apontado pela ampla maioria dos torcedores santistas como principal culpado pelo momento do time. Isso porque o mandatário prometeu inúmeras vezes que, em 2023, a situação seria diferente, com investimentos mais robustos em jogadores que pudessem elevar o patamar do time e brigar por títulos nas principais competições. 

Neste ano, o Peixe foi o 4º time que mais investiu em contratações, gastando R$ 106,3 milhões, segundo levantamento da"Pluri Consultoria". Em 2021, foram R$ 11 milhões investidos e, em 2022, o valor total gasto com transferências foi de aproximadamente R$ 63 milhões. No entanto, o ponto principal de críticas a Rueda, além das contratações em si, foram as escolhas de quem iria decidir para onde iria esse dinheiro em 2023. 

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Odair Hellmann e Paulo Roberto Falcão foram contratados para serem treinador e coordenador técnico do Santos no último ano da gestão Rueda.

Mendoza e Messias, rebaixados com o Ceará, João Lucas e Joaquim, vindo do Cuiabá, Dodi, que estava no futebol japonês, e Vladimir, rebaixado com o Avaí, foram as contratações da janela de transferências do começo do ano (Lucas Lima chegou durante o Paulistão). Os nomes, além de não empolgarem a torcida, também não foram capazes de elevar o nível do time. 

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"Muitos contratações baseadas no 'bom e barato'. Ao invés de contratar jogador de peso, de qualidade, que joga em time grande, contrataram apostas na maioria das vezes. Terminou o primeiro turno vencendo só quatro jogos, só time da parte de baixo: Goiás, Bahia, Vasco e América-MG. É um campeonato pra lutar pra não cair. E isso tem as digitais do departamento de futebol, que contrata mal, não foi feliz com os treinadores. E sem qualidade, é dificil", diz Robert. 

O presidente Rueda%2C comandante disso tudo%2C leva a maior responsabilidade nisso. Se por um lado ele tentou enxugar as dívidas do Santos%2C por outro ele gastou muito mal nos reforços%2C compra jogador e empresta de graça. Gasta 10%2C 12 milhões em jogador de nível baixíssimo. E no frigir dos ovos%2C a divida só aumenta. É uma gestão pra se esquecer

(Robert, campeão brasileiro com o Santos em 2002)

Após a eliminação no Paulista, perdendo de 3 a 0 para o Ituano na última rodada da fase de grupos, a pressão para demitir Odair e Falcão foi grande, mas o presidente bancou suas escolhas. Na época, o time teria 40 dias de intertemporada e a aposta era de que a equipe melhorasse sua performance com tempo de treinamento e mais reforços. 

Odair e Falcão decepcionam

Os nomes trazidos, novamente, decepcionaram, assim como a continuidade de Odair e Falcão. O Peixe trouxe três jogadores do vice-campeão paulista Água Santa: Luan Dias, Bruno Mezenga e Gabriel Inocêncio. Além deles, chegaram ainda Alisson, que estava sem clube, e Daniel Ruíz, do Millonarios-COL, que inclusive teve seu empréstimo encerrado e foi devolvido ao time colombiano pouco tempo depois. 

Após apenas 11 rodadas no Brasileirão e eliminações na Copa do Brasil e Sul-Americana, Odair foi demitido, depois de derrota por 2 a 0 para o Corinthians, em plena Vila Belmiro. Ao todo, foram 34 partidas, com 12 empates, 11 derrotas e apenas 11 vitórias. 

Após a derrota para o Timão, o Santos ainda foi punido com oito jogos de portões fechados — que viraram quatro, depois de recurso apresentado pelo clube no STJD — após a torcida santista atirar rojões e bombas no gramado do estádio, como forma de protesto.

Falcão, no entanto, ficou, e trouxe Paulo Turra, recém demitido do Athletico-PR, para assumir a vaga de Odair. Com o time em claro declínio, o Santos mais uma vez se voltou ao mercado para se reforçar, mas logo após a chegada de Turra, veio a notícia do afastamento de Soteldo, principal jogador do time, por questões de indisciplina.

Para Robert e muitos torcedores nas redes sociais, a falta de comando refletiu em questões disciplinares também. "Falcão não acrescentou nada ao Santos. Pelo contrário, saiu de um jeito que a gente nem gostaria, com uma denúncia, mas como profissional foi pífio, péssimo, um trabalho inexistente, cometendo várias gafes", diz o ex-meia santista. 

Turra foi ainda pior que Odair Hellmann e caiu após apenas sete jogos, com três empates, três derrotas e apenas uma vitória. Falcão, que bancava a permanência do técnico, pediu demissão dias antes após ser acusado de importunação sexual por uma funcionária do hotel em que estava hospedado na cidade litorânea.

Mais uma vez, a diretoria santista mostrou falta de planejamento, já que orientou todos os esforços em contratações baseada na opinião de profissionais que deixaram o clube dias depois. Ainda assim, chegaram o voante Jean Lucas, o zagueiro João Basso, o meia Nonato, o lateral Dodô, o atacante Julio Furch e o volante Tomás Rincón.

Outros nomes, antes descartados por Turra, voltaram ao radar do clube, como o meia Alan Soñora. O Santos também tenta trazer Roberto Pereyra e Alexis Sánchez, ambos sem clube, mas que só podem ser inscritos no Brasileirão se estivem no BID até 25 de agosto.

Dá pro Santos se salvar?

Diego Aguirre foi o escolhido para substituir Turra
Diego Aguirre foi o escolhido para substituir Turra Diego Aguirre foi o escolhido para substituir Turra

Para o lugar de Turra, o Santos foi ágil e logo contratou Diego Aguirre, apesar da ampla maioria da torcida santista reprovar a chegada do técnico uruguaio. Soteldo, afastado por Turra, foi reintegrado. No entanto, a estreia de Aguirre foi das piores possíves, perdendo de 4 a 0 para o Fortaleza, no Castelão. 

"Eu não vejo times nesse Brasileiro jogando pior que o Santos. Até os times que estão atrás, como América e Vasco, jogam melhor. O Santos não pode tomar um gol que desaba. Esse Santos atual, quando toma um gol, parece que acaba o jogo. Os caras desabam, travam, começam a trotar, olhar o adversário, aí entra o segundo, terceiro gol", diz Robert

"A única alternativa seria realmente contratar jogadores de peso. Jogadores de calibre alto, que possam fazer a diferença tecnicamente, que podem agregar na parte emocional, jogadores que vão realmente ajudar os outros a se desenvolver, a ter mais confiança. E se mobilizar lá dentro pra fazer um trabalho psicológico, trabalhar a parte técnica, torcer pro Aguirre fazer uma equipe de verdade, pra ser competitiva e não cair", completa. 

A primeira oportunidade para o Santos dar a volta por cima é neste domingo (20), diante do Grêmio, na Vila Belmiro, pela 20ª rodada. Na partida, além de todos os reforços a disposição, o Peixe terá também o retorno da torcida. 

Confira a seleção do primeiro turno do Brasileirão escolhida pela equipe do R7

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