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'Um monstro. Um bandido. Quero que pague por tudo', diz pai de ex-jogador abusado

Futebol|Do R7

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Régis Santana, o pai de Ruan Petrick, ex-jogador do Santos que teria sofrido abuso sexual nas categorias de base do clube, interrompe a conversa com o Estado várias vezes. E chora. O locutor de lojas soube dos abusos, que teriam acontecido oito anos atrás, apenas na semana passada, quando Ruan teve a possibilidade de voltar ao Santos, mas não quis. O motivo: medo de reencontrar o coordenador, na época olheiro, que teria abusado dele. Régis afirma que tem dois filhos com potencial para o futebol, mas dificilmente a família terá novos jogadores.

Por que o Ruan demorou tanto tampo para contar o que havia acontecido com ele?

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Ele falou que estava com medo e com vergonha. Medo de ficar marcado por isso e vergonha do que as pessoas iam pensar. Além disso, ele queria ser jogador de futebol e sabia que denunciar esse caso poderia acabar com a carreira dele. Ele se sentiu preparado e falou que não ia mais sofrer.

Como ele está agora?

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Está firme, está sereno, mas só de olhar para ele eu tive muitas respostas para perguntas que eu me fazia nos últimos anos.

Como assim?

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Ele sempre foi um menino triste e cabisbaixo. O delegado falou que dava para perceber como ele estava sofrendo.

O senhor acha que isso prejudicou a carreira dele?

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Isso matou a carreira dele. Ele passou por vários clubes e as pessoas diziam que ele tinha problemas disciplinares. Ele começou a beber. Mas eu não sabia a raiz dos problemas. Hoje, eu sei o motivo.

Como o senhor se sente?

Não gostaria que ninguém passasse por isso. Não queria abraçar meu filho e pensar em tudo o que ele passou.

O senhor falou com alguém do Santos?

Sim, eu fui lá ontem (terça-feira). Eu fui contar para eles tudo o que tinha acontecido. Na primeira conversa, ele mostraram certo interesse em defender o Lica. Quiseram mostrar que meu filho estava sendo usado pela oposição para atingir o presidente e que era um problema político.

O que o senhor respondeu?

Falei que meu filho não tinha necessidade de mentir. Não tenho relação nenhuma com a política do Santos. Eu sou de Marabá (PA). Eles só mudaram o rumo da conversa quando eu disse que eu estava lá no dia em que meu filho sofreu abuso. Eu estava lá em 2010, na mesma casa. Eu apertei a mão do Lica e agradeci pela chance de jogar no Santos. À noite, ele foi aliciar meu filho. Quando disse isso, eles abaixaram um pouco o tom. Eles afastaram o Lica do cargo, mas eu acho que o Santos está protegendo um pedófilo. Não acreditaram muito na minha conversa.

Hoje, o que o senhor pensa sobre o Lica?

Ele é um monstro. Um bandido. Quando eu fui falar com ele lá atrás, antes de saber dessas coisas, ele me disse que meu filho era um craque e que tinha um grande futuro no Santos. Mas ele nem tinha visto meu filho jogar futebol. Como pode isso?

O que o senhor pretende fazer?

Não quero nada do Santos. Não quero que meu filho jogue no Santos. Nem indenização. Mas quero que ele pague pelo que ele fez com meu filho e comigo. Eu repito: eu estava lá.

O senhor vai ficar em São Paulo ou na cidade de Santos?

Vou voltar para minha cidade. Sou de Marabá. Se eu não conseguir nenhum clube para o meu filho, ele volta comigo para jogar lá.

O Ruan joga futebol lá?

Sim, ele joga na seleção de Ipixuna do Pará, cidade próxima a Marabá. Ele é meia-esquerda, sabe jogar.

O senhor acha que ele poderá voltar a jogar?

Ele está treinando na Portuguesa Santista, foi o clube que abriu as portas para ele, mas o futuro dele é incerto. Não sei o que vai acontecer. As portas podem se fechar de vez. Mas espero que alguma se abra. Surgiu um interesse da Áustria.

E a mãe dele?

Eu sou separado dela há vários anos. Ela ainda não sabe. Vai ficar sabendo pelos jornais, mas não vai querer que ele jogue mais. Acho que a família inteira vai abandonar o futebol.

Existem outros jogadores na família?

Tenho nove filhos. Os dois mais novos são bons de bola. Já falaram para eu levá-los em algum clube para fazer testes. Eu estava até com esperança até agora. Mas agora não vai dar mais. A gente vai ficar sempre pensando no que aconteceu.

O senhor não vai querer que eles continuem a carreira?

Vai ser difícil. É um sonho que acabou. Vão encerrar a carreira sem ter começado a jogar futebol de verdade.

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