Futebol Tetracampeão do mundo, Zagallo morre aos 92 anos no Rio de Janeiro

Tetracampeão do mundo, Zagallo morre aos 92 anos no Rio de Janeiro

Velho Lobo conquistou os títulos de 1958 e 1962 como jogador, de 1970 como técnico e de 1994 como coordenador

  • Futebol | Do R7

Zagallo foi campeão da Copa do Mundo da Fifa como jogador, treinador e coordenador

Zagallo foi campeão da Copa do Mundo da Fifa como jogador, treinador e coordenador

EFE/SANTI CARNERI 4.12.2012

Morreu na noite desta sexta-feira (6) Mário Jorge Lobo Zagallo, conhecido no mundo do futebol somente como Zagallo. O ex-jogador, ex-treinador e ex-coordenador técnico de futebol, tinha 92 anos, e há tempos sofria com problemas de saúde. A notícia foi confirmada na página oficial do ídolo do Botafogo e da seleção nas redes sociais. 

“É com enorme pesar que informamos o falecimento de nosso eterno tetracampeão mundial Mario Jorge Lobo Zagallo. Um pai devotado, avô amoroso, sogro carinhoso, amigo fiel, profissional vitorioso e um grande ser humano. Ídolo gigante. Um patriota que nos deixa um legado de grandes conquistas. Agradecemos a Deus pelo tempo que pudemos conviver com você e pedimos ao Pai que encontremos conforto nas boas lembranças e no grande exemplo que você nos deixa”, diz o comunicado.

Recordista em conquistas de Copas do Mundo com quatro títulos, o Velho Lobo começou a carreira no futebol como jogador. Em 1948, estreou pelo América-RJ e ficou no clube durante um ano. Após a conquista da Copa Início, se transferiu para o Flamengo, onde ficou oito anos e conquistou três Campeonatos Cariocas.

Zagallo (número 7) marcou o quarto gol na vitória sobre a Suécia por 5 a 2

Zagallo (número 7) marcou o quarto gol na vitória sobre a Suécia por 5 a 2

EFE/UPI - 29.6.1958

Com as boas atuações no Rubro-Negro, em 1958 foi para o Botafogo. Na ponta esquerda, o camisa 13 que é considerado um dos precursores do contra-ataque, fez parte do supertime da Estrela Solitária, formado por Garrincha, Nilton Santos e Didi.

Campeão estadual, o quarteto foi convocado para a Copa do Mundo daquele ano. Na Suécia, a seleção brasileira conquistou o inédito título mundial. Titular, Zagallo inclusive fez gol na decisão, contra os donos da casa. Na final, a Canarinho venceu por 5 a 2. 

Quatro anos depois, Zagallo se juntou novamente a delegação da seleção e embarcou rumo ao Chile, para jogar segunda Copa do Mundo da carreria.

Com shows de Pelé e Garrincha, o esquadrão brasileiro foi bicampeão mundial, dando ao Formiguinha a segunda e última Copa como atleta.

Como jogador, Zagallo inovou e foi o primeiro ponta que voltava para ajudar a marcação no meio campo. Pela versatilidade, acabou roubando a vaga de Pepe, ídolo santista da época. A seleção que era treinada por Aymoré Moreira jogava no 4-3-3, esquema que é muito usado por clubes europeus até os dias de hoje.

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Treinador

Com 34 anos, Zagallo decidiu se aposentar da carreira de atleta. A partir daí ficou no próprio Botafogo, seu último clube, para ser técnico das categorias de base. Meses depois assumiu o elenco principal, em que acabou com o título da Taça Brasil, equivalente ao Campeonato Brasileiro da época.

Com um trabalho sólido no Fogão, foi convocado para assumir a seleção brasileira para disputa da Copa de 1970, após a demissão de João Saldanha, que havia classificado a equipe para o Mundial, mas não vinha fazendo boa campanha durante a preparação. Considerado o melhor time que já se viu no futebol, a seleção canarinho de 70 encantou o mundo e conquistou o tri mundial sob a batuta de Zagallo.

Ficando na seleção até a Copa de 1974, quando perdeu na semifinal para Holanda, o Velho Lobo rumou para o Fluminense e depois Vasco da Gama. Além dos quatro grandes do Rio, Zagallo também treinou a Portuguesa, Bangu e Al-Hilal, da Arábia Saudita.

De 1974 a 1991, Zagallo ficou de fora do Brasil e teve experiências na seleção do Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Pela Arábia Saudita, inclusive, foi campeão da Copa da Ásia.

No meio do ano de 1991 voltou à seleção, mas dessa vez como coordenador. Antes da Copa de 1994, entretanto, se tornou auxiliar-técnico de Carlos Alberto Parreira, e conquistou seu quarto Mundial entre seleções.

Em 1998, reassumiu o cargo de técnico para tentar sua última empreitada como comandante. Mas ficou no quase, amargando o vice-campeonato após uma goleada por 3 a 0 contra França. Seu último trabalho no meio do futebol foi em 2003, quando, em seu último ciclo pré-copa foi novamente coordenador de seleções.

Já bastante debilitado, Zagallo visitou a concentração da seleção brasileira durante o período de preparação da Copa do Mundo de 2018. Desde então, recluso em casa, sob o cuidado da família, suas aparições foram cada vez mais raras.

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