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O tamanho dos gols no futebol feminino deveria ser menor? Confira pontos da discussão

Apesar do debate, não há qualquer movimento da Fifa para propor mudança; nomes relevantes da modalidade são contrários

Futebol|Do R7

Kéril Théus, goleira do Haiti, faz movimento para defender chute da seleção chinesa
Kéril Théus, goleira do Haiti, faz movimento para defender chute da seleção chinesa Kéril Théus, goleira do Haiti, faz movimento para defender chute da seleção chinesa

O debate sobre o tamanho dos gols no futebol feminino é um tema espinhoso. Seja pela inflexibilidade em tratar o assunto, e pelo ataques machistas que a modalidade ainda sofre.

Apesar do burburinho nas redes sociais, é importante ressaltar que não há nenhuma discussão na Fifa para que os padrões dos gols mudem.

Pelas regras da Ifab (International Football Association Board), órgão independente que regulamenta o futebol mundial, os gols seguem um padrão universal nas competições que estão no “braço” da Fifa, e das federações associadas: 2,44 metros de altura e 7,32 metros de largura.

Em outros esportes coletivos, há diferença nos padrões para homens e mulheres

Vôlei (pelas regras da Federação Internacional de Voleibol):

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Rede em partidas do masculino - 2,43 metros do solo

Rede em partidas do feminino - 2, 24 metros do solo

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Basquete (pelas regras da Federação Internacional de Basquetebol):

Mesma altura da cesta para ambas modalidades - 3, 05 metros

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Bolas no masculino: tamanho 7, com circunferência de 75 centímetros

Bolas no feminino: tamanho 6, com circunferência de 72,5 centímetros

Sabrina D'Angelo, goleira da seleção canadense, durante treino
Sabrina D'Angelo, goleira da seleção canadense, durante treino Sabrina D'Angelo, goleira da seleção canadense, durante treino

Para os que defendem a mudança, a suposta quantidade avassaladora de gols marcados no futebol feminino seria uma forma de equiparar as partidas.

No entanto, quando observamos as Copas do Mundo de 2022 e 2023, disputadas por homens e mulheres, respectivamente, vemos um dado curioso.

Na primeira rodada do Mundial do Catar, foram 41 gols marcados, nas 16 partidas iniciais do torneio. Uma média de 2,56 gols por jogo.

No Mundial disputado na Austrália e Nova Zelândia, o número é menor. Foram 34 gols na primeira fase. Uma média de 2,12 gols por jogo.

O placar mais elástico também aconteceu na modalidade masculina, quando a Espanha não tomou conhecimento da Costa Rica, e aplicou uma goleada por 7 a 0.

Na disputa feminina, a maior goleada aconteceu na última segunda-feira (24), quando as alemãs venceram Marrocos por 6 a 0.

Para Gláucio Carvalho, treinador do Botafogo, que trabalha com a modalidade feminina desde 1998, essa discussão é “um paradigma que precisa ser quebrado”. Vivendo de perto a evolução da modalidade, ele garante que a redução do tamanho das balizas não mudaria os resultados e a visibilidade do esporte.

“A gente percebe que há uma progressão física dentro da modalidade feminina, as jogadoras têm acrescido de força, velocidade e potência. Além do desenvolvimento de altura das jogadoras. Antigamente você via uma menina, e se ela tinha uma altura elevada, ia buscar voleibol ou o basquete. Hoje não, vemos que essas meninas de uma estatura elevada que também buscam o futebol feminino e a função de goleira”, argumenta o profissional.

“A perspectiva de ser uma atleta de alto nível dentro do futebol é muito grande, vemos a diminuição do preconceito, os eventos promovidos, o desenvolvimento do esporte, o reconhecimento não só em termos de mídia social, como também financeiro, com isso, a tendência é que as goleiras tendem a ficar maiores e mais rápidas”, completa.

Na comunidade internacional, há mais exemplos de figuras do futebol feminino contrários a mudança do que a favor.

“O futebol tem que ficar como está. Não tem porque mudar o tamanho dos gols, acho isso ridículo. As mulheres também têm pés menores, então você muda o tamanho da bola? Se você começar a mudar uma coisa, será arrastado para o debate sobre o que mudará a seguir”, disparou a ex-goleira da seleção inglesa, Siobhan Chamberlain, ao programa The Women’s Football Show, da TV britânica.

Por outro lado, Emma Hayes, treinadora do Chelsea, multicampeã pelo time inglês, é uma das vozes mais respeitadas da modalidade, causou furor na comunidade ao publicar um artigo no tabloide The Times, defendendo a redução do tamanho, citando outros esportes como exemplo.

“Há uma razão óbvia pela qual as mulheres jogam em campos e gols do tamanho que vemos agora. Isso é o que nos foi dado. Talvez ninguém nunca tenha pensado em questionar se isso faz sentido”, argumenta a treinadora, em trecho da coluna.

A despeito da discussão, é notável que hoje, o futebol feminino vive um momento de protagonismo, e, mais importante, de maior equidade entre os times, como é possível observar nesta Copa do Mundo.

Os Estados Unidos, maior campeão do torneio, com quatro títulos, e uma das favoritas desta disputa, viu as duas adversárias do seu grupo - Vietnã e Holanda - surpreenderem pelo desempenho, e não facilitar a vida das americanas.

O bom nível das partidas é fruto de um longo trabalho com a modalidade, que envolve maior aporte financeiro, exposição, interesse do público e a capacidade de revelar novas gerações de jogadoras.

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