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BRASILEIRO 2022

Maurício Noriega: Neymar dá início à renovação da seleção brasileira

Ao anunciar o fim de seu ciclo com a camisa amarela, o craque libera Ancelotti para bancar uma nova geração

Seleção brasileira|Maurício Noriega, especial para o R7*

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Neymar se despede da seleção brasileira como o maior artilheiro da história da Amarelinha REUTERS/Mike Segar — 05.07.2026

A declaração dada à repórter da RECORD TV Karen Meneghim correu o mundo. Neymar afirmou: “Meu momento na seleção já foi”. Para fechar, ainda emendou um “agora não quero mais”.

Quando o maior jogador de sua geração, o último grande craque brasileiro desde os Ronaldos, declara abertamente que não quer mais a seleção brasileira, o treinador tem carta branca para iniciar um processo radical de renovação.


O Brasil recomeça sua caminhada em setembro, com jogos contra a Austrália. Após a declaração de Neymar, Ancelotti está livre para fazer o que bem entender. Não que antes não estivesse, mas, com Neymar no retrovisor, ele, e qualquer outro treinador, teria muitas dúvidas na cabeça. Havia pressão popular e comercial.

Um dia, talvez, a gente saiba o verdadeiro motivo da ida de Neymar para uma Copa na qual pouco acrescentou em menos de 40 minutos jogados. Pode ter sido falta de confiança de Ancelotti no time, crença no talento indiscutível de Neymar ou apenas uma forma de evitar cobranças futuras se não o convocasse.


Agora o caminho está aberto para que Ancelotti toque a seleção brasileira do zero. Até porque quase nada sobrou do Mundial. As competições oficiais ainda estão distantes. Outro motivo para o treinador italiano pensar num Brasil de caras novas.

Há um ponto de partida. Jovens jogadores como Endrick, Rayan, João Pedro, Estevão, Danilo, Andrey Santos, Luiz Henrique e Rodrygo são comprovadamente talentosos e terão, no máximo, 29 anos em 2030. Não há nada a perder em amistosos com a Austrália. Pouco importa o resultado.


Para completar uma lista que tenha essa turma aí de cima, muitos outros atletas da mesma faixa etária e até mais jovens podem ser chamados.

Não é hora de manter a base que jogou nesta Copa. Nem de descartar definitivamente os que estão acima dos 25 anos. Eles podem reaparecer mais à frente para dar suporte à renovação. Até Neymar.


A convocação tem que ser técnica e baseada em desempenho de momento. Neymar terá 38 anos em 2030. Messi fez uma Copa espetacular aos 39. Caso o brasileiro coloque na cabeça que, para jogar uma Copa com essa idade, é preciso quatro anos de doses cavalares de sacrifício, de abdicação dos prazeres da vida e de planejamento físico detalhado, ele pode, quem sabe, mudar de ideia. Caso isso esteja em seus planos como profissional.

*Maurício Noriega é comentarista esportivo da RECORD

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