Saiba quem é a joia de 18 anos que virou marroquino e pode pegar o Brasil na Copa
Meio-campista do Lille alia inteligência rara e desempenho para despontar como uma das grandes promessas do futebol europeu
Futebol|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Aos 18 anos, Ayyoub Bouaddi já reúne credenciais que costumam levar uma carreira inteira para serem construídas. Titular do Lille, destaque do Campeonato Francês, ex-capitão da seleção sub-21 da França e estudante de matemática, o meio-campista decidiu defender Marrocos no futebol profissional e pode estar no caminho do Brasil na Copa do Mundo.
Nascido em Senlis, na França, filho de pais marroquinos, Bouaddi cresceu cercado por duas identidades. Após atuar pelas seleções de base francesas, ele optou por representar o país de origem da família. A mudança de nacionalidade esportiva foi aprovada pela Câmara de Status dos Jogadores da Fifa em 15 de maio de 2026, tornando o jogador imediatamente elegível para vestir a camisa de Marrocos.
LEIA MAIS:
A decisão foi celebrada pela federação marroquina como um reforço de peso para a equipe que disputará o Mundial nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Marrocos está no Grupo C, ao lado de Brasil, Haiti e Escócia, e pode ter em Bouaddi uma das novidades mais promissoras do elenco.
Apesar da pouca idade, o volante já acumula experiência considerável no futebol profissional. Nas últimas temporadas, disputou 95 partidas pelo Lille em todas as competições e se consolidou como uma das principais revelações do clube francês.
Bouaddi começou a chamar atenção muito cedo. Em 2023, aos 16 anos e três dias, tornou-se o jogador mais jovem a atuar pelo Lille, em uma partida contra o KÍ, das Ilhas Faroe, pela Conference League. O feito também o transformou no atleta mais jovem a iniciar um confronto de competição europeia entre clubes.
Desde então, a sequência de recordes se tornou parte de sua rotina. Em outubro de 2024, no dia em que completou 17 anos, foi titular na vitória do Lille sobre o Real Madrid pela Liga dos Campeões e recebeu elogios pela maturidade com que controlou o meio-campo diante de adversários como Jude Bellingham, Federico Valverde e Eduardo Camavinga.
Poucos dias depois, deu mais um passo importante ao se tornar o segundo jogador mais jovem, atrás justamente de Camavinga, a registrar uma assistência no Campeonato Francês. Na mesma temporada, também foi eleito o melhor em campo em uma partida contra a Juventus.
No cenário internacional, Bouaddi vestiu a camisa da França em categorias de base e chegou ao posto de capitão da seleção sub-21. Ao todo, disputou dez partidas e marcou um gol. Como nunca foi convocado por Didier Deschamps para a equipe principal, permaneceu apto a solicitar a mudança de federação.
Em campo, o meio-campista se destaca pela capacidade de leitura do jogo, pela calma sob pressão e pela habilidade para encontrar espaços. Com postura ereta e constante movimentação de cabeça, costuma escanear o campo antes de receber a bola, antecipando as jogadas e acelerando a tomada de decisão.
Treinadores e observadores destacam sobretudo sua inteligência. Gérald Baticle, técnico que o convocou para a seleção sub-21 da França, afirmou que a lucidez do jogador se manifesta em vários níveis, tanto no aspecto tático quanto na forma como se relaciona com o grupo.
Atleta é um estudante exemplar
Fora das quatro linhas, Bouaddi chama atenção por um perfil incomum entre atletas tão jovens. Em 2023, aos 15 anos, venceu um concurso de oratória voltado a jogadores de centros de formação da França, realizado no Palácio do Eliseu, em Paris, diante de autoridades como a primeira-dama Brigitte Macron.
No ano seguinte, obteve excelentes notas no equivalente francês ao ensino médio, realizando os exames um ano antes do habitual para estudantes nascidos em 2007. Atualmente, cursa graduação em matemática.
Segundo o próprio jogador, manter os estudos é uma forma de aproveitar o tempo livre e manter a mente ativa. Bouaddi acredita que a matemática o ajuda a compreender o jogo com mais rapidez e clareza.
Essa combinação entre talento esportivo e dedicação intelectual faz com que ele seja tratado como um caso raro. Em um ambiente marcado por expectativas e pressão, Bouaddi é descrito por quem o conhece como um jovem equilibrado, introspectivo e dono de grande independência de pensamento.
A ascensão meteórica, no entanto, não ocorreu sem dificuldades. Como qualquer atleta em formação, ele já cometeu erros e enfrentou momentos de aprendizado. Ainda assim, o Lille é considerado um ambiente ideal para seu desenvolvimento, graças à tradição do clube em lapidar jovens talentos.
O histórico recente da equipe francesa reforça essa reputação. Nomes como Rafael Leão, Victor Osimhen, Gabriel Magalhães, Eden Hazard e Lenny Yoro passaram pelo clube antes de ganhar projeção internacional.
Para Marrocos, a escolha de Bouaddi representa mais um triunfo na estratégia de atrair jogadores com dupla nacionalidade. A seleção, que se tornou a primeira africana e árabe a alcançar uma semifinal de Copa do Mundo, em 2022, segue reforçando seu elenco com jovens formados em grandes centros do futebol europeu.
A chegada do meio-campista amplia as opções técnicas e oferece uma peça de enorme potencial para os próximos anos. Pela idade e pela experiência já acumulada, Bouaddi é visto como um nome capaz de se tornar referência no setor central da equipe.
Caso seja convocado para o Mundial, ele poderá enfrentar o Brasil logo na fase de grupos. O duelo marcará o encontro entre uma das seleções mais tradicionais da história e um talento que desponta como uma das grandes promessas do futebol europeu.
Não perca nenhum lance! Siga o canal de esportes do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














