Preconceito contra nordestinos choca a Copa do Brasil Feminina
Na vitória da Ferroviária sobre o São Francisco do Conde, elenco baiano foi ofendido por parte dos torcedores de Araraquara
Futebol|Do R7

Pouco a pouco, o futebol brasileiro caminha para o mesmo nível trágico de intolerância e preconceito que já há alguns anos vem manchando o futebol europeu.
Nesta semana, além do caso envolvendo o volante Arouca, do Santos, que foi chamado de “macaco” em Mogi Mirim, no interior de São Paulo, outro triste fato veio à tona.
Pela Copa do Brasil, o time do São Francisco do Conde foi eliminado pela Ferroviária, em Araraquara, também no interior de São Paulo, mas a lamentação maior da equipe baiana não foi por conta da derrota, e sim pelos atos de preconceito presenciados na Arena Fonte Luminosa.
Segundo o relato do técnico e coordenador da equipe, Mário Augusto, ao blog do jornalista Marcelo Sant’Ana, durante todo o tempo em que permaneceu no campo, o elenco nordestino sofreu sérias agressões verbais por parte da torcida local. “Nos chamavam de ‘nordestinos’, ‘pobres miseráveis’, ‘porcos’ e diziam que o Nordeste tinha que sumir do mapa”, contou o treinador. “Isso tudo era dito desde o início da partida. Diziam que todo nordestino tinha que ser exterminado do Brasil e nos chamavam da parte suja do País”.
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Ainda segundo o depoimento de Mário Augusto, a árbitra da partida foi comunicada sobre as ofensas, mas afirmou que não teria o que fazer se não houvesse agressão física, apenas pedir ajuda aos poucos policiais presentes, que se portaram junto ao banco de reservas do São Francisco do Conde. O técnico lembra que, mesmo com policiais próximos, as ofensas não diminuíram e, no final da partida, objetos foram arremessados na direção das jogadoras.
“Automaticamente, me dirigi ao policiamento para mostrar a agressão. Só me pediram que nosso grupo se dirigisse ao vestuário o mais rápido possível, porque eles eram poucos e nada poderiam fazer. Então, ficaram na entrada do túnel e não adiantou de nada, pois jogaram até sapato, laranja e garrafa de água”, descreveu.
A Copa do Brasil feminina é uma das poucas competições que a CBF investe entre as mulheres.Em tempo: Marta, eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo, passou pela base do São Francisco do Conde.















