Para Djalminha, Diego Costa “não é desfalque que a seleção lamenta”
Ex-meia do La Coruña, porém, defendeu a opção do atacante sergipano pela Espanha
Futebol|Carolina Canossa, do R7

Em Coruña, cidade de cerca de 250 mil habitantes localizada no noroeste da Espanha, Djalminha é ídolo. A despeito de uma cabeçada no técnico Javier Irureta que o fez ser vendido para o futebol austríaco e acabou com suas chances de disputar a Copa de 2002, o meia causa saudades por conta de suas grandes atuações que ajudaram o Deportivo La Coruña a viver os melhores anos de sua história, com direito ao título do Campeonato Espanhol 1999/2000 e a Copa do Rei de 2002.
Mais de dez anos depois, Diego Costa caminha para status semelhante. Vivendo grande temporada no tradicional Atlético de Madrid, o atacante sergipano já ajudou a equipe da capital espanhola a levar o título da última Copa do Rei e foi o autor do gol que quebrou o jejum de 14 anos sem vitórias no tempo regulamentar sobre o arquirrival Real Madrid. Segundo colocado no atual Campeonato Espanhol, o Atletí ainda deu trabalho para o poderoso Barcelona na final da Supercopa da Espanha, ficando com o vice apenas após dois empates, por 1 a 1 e 0 a 0.
As boas atuações de Diego Costa chamaram tanto a atenção na Europa que a Federação Espanhola o convidou para defender a “La Roja”, a tradicional seleção do país que venceu a Copa de 2010. Como ele só havia jogado pelo Brasil em amistosos, a mudança era possível de acordo com as regras da Fifa e, após um período de discussão, foi feita, causando grande polêmica. Em tom patriótico e ignorando os tempos que treinou Portugal, o técnico Luiz Felipe Scolari chegou a dizer que Diego estava “virando as costas para o sonho de milhões de brasileiros”.
Djalminha vê a situação de maneira bem distinta de Felipão. Para ele, Diego apenas exerceu um direito conquistado, algo, em suas palavras, “super normal”:
- Já houve inúmeros casos semelhantes e ninguém falou nada, não sei por que no caso do Diego Costa estão criando tanta polêmica. Ele é um cidadão espanhol e um cidadão brasileiro, então tem a opção de escolher. Escolheu a seleção espanhola e temos que respeitar.
Respeito sim, mas nenhuma saudade, já que Djalminha acredita que o Brasil tenha atacantes suficientes para não precisar de Diego Costa:
- Na parte técnica, acho que ele não é um desfalque que a seleção brasileira fique se lamentando. O Felipão não poderia garantir nada a ele, pois o Diego teve uma oi duas oportunidades e foi normal, não fez nada demais. A concorrência na seleção brasileira é maior. Acho que ele fez uma opção profissional realmente, pois na Espanha ele tem mais chances de disputar a Copa do Mundo.
A ideia dos espanhóis com Diego Costa é usar o brasileiro para suprir a ausência de um atacante goleador, já que os dois principais centroavantes do país, David Villa e Fernando Torres, viveram mais baixos do que altos nos últimos anos. O sergipano, inclusive, só não vestiu a camisa vermelha dos campeões mundiais pela primeira vez porque se machucou e foi cortado dos amistosos contra Guiné Equatorial (vitória por 2 a 1) e África do Sul (derrota por 1 a 0) este mês.














