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Os sete movimentos de Infantino para tentar se manter no cargo de presidente da Fifa

Em meio à crise, o presidente da Fifa recua, busca aliados e tenta conter a pressão por sua saída

Futebol|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Gianni Infantino enfrenta pressão para se manter na presidência da Fifa após o fracasso do projeto FFE, que visava vender direitos comerciais de torneios.
  • Federações lideradas pela Uefa criticaram a falta de transparência do projeto, levando Infantino a abandoná-lo rapidamente.
  • Infantino busca apoio político, incluindo a oferta de sediar a final da Copa do Mundo de 2030 em Marrocos, embora a Fifa negue promessas formais.
  • Após a crise, a Fifa pediu desculpas às federações e prometeu não repetir erros, enquanto reforça sua integridade e processos de governança.

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Gianni Infantino, presidente da Fifa
Gianni Infantino, presidente da Fifa Mark J Rebilas/Imagn Images via Reuters - 19.07.2026

Gianni Infantino se movimenta de todas maneiras possíveis nos bastidores para se manter na presidência da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado). O dirigente de 56 anos, que chegou a ter reeleição para o ciclo de 2027 a 2031 encaminhada, está sob pressão após o plano frustrado de criar a FFE (Fifa Forward Enterprise, um braço comercial da entidade para vender ações de torneios da entidade, como a Copa do Mundo, para investidores.

Lideradas pela Uefa, federações ao redor do mundo demonstraram preocupação quanto ao processo e falta de transparência na condução da proposta. A pressão das confederações de futebol é gigante por uma saída honrosa do cartola ítalo-suíço do comando da Fifa. Veja abaixo as sete manobras de Infantino para permanecer no cargo.

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1. Desistência da FFE

O primeiro passo de Infantino para amenizar a pressão das federações e dirigentes ao redor do mundo foi abandonar o projeto, o que aconteceu apenas três dias depois do plano vir à tona. Em 28 de julho, o jornal britânico The Times informou sobre o plano da Fifa de capitalizar a Copa do Mundo e demais torneios. Horas depois, a entidade emitiu um comunicado dando detalhes do processo.

A proposta previa a criação de uma subsidiária, a FFE, para gerir os direitos comerciais das competições. A ideia era vender de 20% a 30% do novo braço comercial, a investidores privados - entre eles, a empresa de private equity de Josh Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Para convencer o colégio eleitoral do futebol mundial, a Fifa havia estruturado um plano inicial de repasses às 211 federações nacionais filiadas, em programa denominado FFFP (Fifa Fast-Forward). Para financiar esta primeira fase, a FFE pretendia captar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões) no mercado. A Uefa chegou a ameaçar um boicote às competições e ganhou apoio das confederações da Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e AFC (Ásia).

Em 31 de julho, a Fifa anunciou oficialmente o abandono da proposta após a repercussão negativa do projeto. Segundo Infantino, a intenção era de “fornecer uma base para fortalecer ainda mais as associações-membro” e que o projeto só seria efetivado se houvesse aprovação da maioria.

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2. Apelo a Trump

O desespero de ser destituído do comando da Fifa levou Infantino apelar ao governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, para não perder o poder. De acordo com matéria publicada em 3 de agosto pelo jornal New York Post, o dirigente “agendou conversas privadas com o secretário de Estado Marco Rubio.” A Casa Branca, no entanto, negou a informação.

O governo norte-americano rebateu a matéria, garantindo que não há nenhum encontro ou reunião agendada entre Infantino e Marco Rubio. “Não há planos para Rubio falar com Infantino e não houve nenhuma ligação esta manhã. O NY Post deveria verificar suas fontes ou poderiam simplesmente ter nos perguntado”, publicou Dylan Johnson, secretário adjunto de Estado para Assuntos Globais públicos, no X.

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3. Marrocos como sede da final da Copa

Segundo o The Times, Infantino ofereceu a Marrocos a oportunidade de receber a final da Copa do Mundo de 2030 em troca de apoio na eleição presidencial marcada para março de 2027. O país africano irá sediar a próxima edição do Mundial, junto de Espanha e Portugal - os três primeiros jogos, no entanto, serão na Argentina, Uruguai e Paraguai, em comemoração ao centenário do torneio.

Marrocos, que está decidido a receber a decisão da Copa, foi um dos poucos países a estar ao lado de Infantino em meio à crise na Fifa. Segundo o The Times, dirigentes marroquinos se tornaram alguns dos principais aliados de Infantino em meio à massiva perda de apoio.

Em resposta ao jornal, a Fifa negou que Infantino tenha feito prometido a final ao Marrocos. “É falso e enganoso afirmar que o Presidente da Fifa tenha feito qualquer promessa em relação à realização da Final da Copa do Mundo Fifa de 2030. Uma decisão será tomada pela Fifa no momento apropriado”, disse a entidade que comanda o futebol mundial.

4. Exibição de apoio dos africanos

Um dos alicerces do projeto de reeleição de Infantino é a CAF (Confederação Africana de Futebol), alinhada ao atual chefe da Fifa e que possui 54 votos dos 211. O dirigente usou sua conta oficial no Instagram para compartilhar as manifestações públicas de apoio de países da África.

O Marrocos, parceiro político de Infantino, lidera o apoio ao dirigente. “A decisão do presidente da Fifa reflete sua visão de dar prioridade à unidade e à coesão entre as federações membros, por meio de uma abordagem participativa que visa desenvolver o futebol”, disse o presidente da federação marroquina, Fouzi Lekjaa, em comunicado divulgado pelo próprio cartola.

Para estreitar os laços com a federação africana neste momento de crise, Infantino marcou presença na vitória da Zâmbia sobre Malauí, por 2 a 1, em partida válida pela Copa Africana de Nações Feminina.

Apesar de a Confederação Asiática de Sul ter se manifestado contra Infantino, ele encontra o apoio em alguns países do continente. São os casos de Catar, Kuwait, Emirados Árabes, Butão e Sri Lanka.

5. Reunião com a cúpula

Foi justamente em Marrocos, na capital Rabat, onde a Fifa convocou uma reunião de emergência coma alta cúpula da entidade para tratar da crise. O encontro foi marcado após membros da entidade se posicionarem contra o projeto de Infantino.

Carlos Cordeiro, apontado como o principal conselheiro do chefe da Fifa, pediu demissão três dias após o vazamento da proposta de criação da FFE. No mesmo dia, Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, disse que sua equipe se sentiu enganada e que o projeto seria proposta unilateral de Infantino.

Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global do futebol da entidade, afirmou que não participou da elaboração do plano do suíço e que o recuo da ideia era algo “absolutamente necessário e incontestável”. A funcionários, o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, classificou os últimos acontecimentos na Fifa como “eventos tristes e repreensíveis”, afirmando ainda que “indivíduos vêm e vão” na entidade.

6. Carta admitindo erro

A reunião da alta cúpula da Fifa em Rabat, no Marrocos, resultou em um pedido de desculpas às associações membro e um comunicado público em que a entidade admite ter errado na condução da FFE. De acordo com a BBC, participaram do encontro o secretário-geral Mattias Grafstrom, os chefes da Fifa de finanças (Thomas Peyer), do jurídico (Emilio Garcia Silvero), de pessoal (Daniel O’Toole), das associações (Elkhan Mammadov) e o diretor de relações públicas (Bryan Swanson).

De acordo com a entidade, foi reconhecido como problema central a percepção das associações membro (isto é, as federações que gerem as seleções de futebol) e do Conselho da Fifa de exclusão dos processos de debate e condução do projeto de abertura para sócios minoritários e criação de uma subsidiária em que seriam alocados os principais produtos administrados pela entidade, incluindo a Copa do Mundo. No entendimento da Fifa, mais equívocos foram cometidos após o vazamento da história para a imprensa.

Junto ao pedido de desculpas redigido em carta endereçada às 211 associações membro, a Fifa se comprometeu a não repetir os mesmos erros e prometeu uma revisão e um relatório a serem apresentados na próxima reunião do Conselho.

7. Fifa diz que não irá tolerar ‘ataques’

Após colocar panos quentes na crise, a Fifa fez questão de mandar um recado aos críticos que passaram a se articular para uma substituição do mandatário mesmo após a retirada do projeto.

“Com a retirada do projeto, ficou acordado que a Fifa não tolerará mais quaisquer ataques à sua integridade, boa governança e devido processo legal, e tomará todas as medidas necessárias para proteger e salvaguardar seu nome e reputação. Há sempre lições a serem aprendidas, e a Fifa continuará a aprimorar seus processos à luz dessa experiência. Neste caso, porém, é importante ressaltar que, embora erros tenham sido cometidos, tudo o que foi feito estava em total conformidade com o quadro regulamentar da Fifa”, aponta o comunicado.

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