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Opinião: No que depender da Fifa, jogadores terão que encarnar Daniel Alves mais vezes

Entidade está virando cúmplice dos atos racistas no futebol

Futebol|Marcelo de Salles, do R7

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Racismo parece estar virando rotina no futebol
Racismo parece estar virando rotina no futebol

A atitude conivente da Fifa em relação às manifestações racistas no futebol é constrangedora. A ação de Daniel Alves, ao comer a banana arremessada na sua direção no último domingo (27), foi um desabafo para qualquer adepto do bom senso. Principalmente para o jogador, que disse conviver com o racismo há onze anos na Espanha. No entanto, tal cena não precisaria ser vista se a entidade fizesse, em algum momento de sua história, um mínimo esforço em dar um basta em lamentáveis episódios com este.

Pôde-se acompanhar de perto no Brasil os casos dos jogadores Tinga, Arouca e do árbitro Márcio Chagas, todos ofendidos por torcedores que, no mínimo, se sentiram à vontade para cometer esse crime. O fato que assusta, é todos eles aconteceram apenas no início de 2014. Se formos parar para lembrar todos os acontecimentos, até dos mais recentes, a conta será chocante.


E a sugestão da Fifa para conter essa barbárie é tímida: passar mensagens durante a Copa do Mundo aqui no Brasil, em junho. Como se nunca tivessem feito isso antes. E até lá? Quantos casos de racismo ainda irão acontecer no futebol? As punições precisam ser mais rígidas e imediatas.

Que a NBA sirva de exemplo. A associação simplesmente baniu por toda a vida o dono do Los Angeles Clippers, Donald Sterling, pelas intoleráveis declarações que fez à namorada, de não levar negros aos jogos de sua equipe. O dirigente não poderá mais se envolver em nenhum negócio na liga, comparecer a qualquer jogo ou treino e ainda deve pagar uma multa de cerca de R$ 5,7 milhões. A decisão não demorou nem uma semana para ser tomada. Alguma vez a Fifa fez algo próximo a isso? 


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Só agora, com a atitude de Daniel Alves, parece que o racismo finalmente levou um golpe. Mas pelo visto, somente assim, com reações individuais, que a sensatez vai prevalecer.


Quem acompanha o esporte também deve fazer sua parte, denunciando e pressionando autoridades a todo o momento por punições a quem pratica manifestações de intolerância. Ao contrário de campanhas virais na internet, o racismo não dura apenas duas semanas.

A Fifa não pode simplesmente acabar com as manifestações no mundo, pois se trata de uma questão que há séculos está inserida na sociedade. Mas a entidade tem poder suficiente para dar um basta nesse preconceito no futebol, e vencer uma grande e importante batalha contra a intolerância racial.

Depois de tudo que vimos nos campos, o órgão máximo do futebol precisa fazer isso para recuperar parte da legitimidade que os racistas tiraram desse esporte. Mas por tudo que se viu, há poucas esperanças.

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