Opinião: Falta de ética e memória curta imperam entre os comentaristas de arbitragem
Márcio Rezende de Freitas, Carlos Eugênio Simon e outros colecionaram erros na carreira
Futebol|Do R7*

O que Márcio Rezende de Freitas, Carlos Eugênio Simon, José Roberto Wright e Arnaldo César Coelho têm em comum, além do fato de serem ex-árbitros de futebol e terem dado sequência à carreira como comentaristas de arbitragem em canais de televisão?
Acertou quem respondeu que o quarteto tem no currículo uma coleção de erros graves dos tempos em que carregavam o apito. Hoje, ironicamente, todos usam o poder do microfone para rasgar a ética e criticar os árbitros atuais.
O que Márcio Rezende de Freitas fez no canal SporTV, ao comentar a atuação do árbitro Leandro Pedro Vuaden durante a final do Campeonato Mineiro entre Cruzeiro e Atlético-MG, beira o absurdo. Para quem não viu (ou ouviu), o ex-apitador disse o seguinte:
Chororô dos vice-campeões tem arbitragem como vilã da derrota
— Não há impedimento e houve o pênalti. O Vuaden ia marcar o pênalti. Ele estava correndo em direção ao pênalti e chegou a apitar, mas o bandeira Fábio Pereira, equivocadamente, marca o impedimento que não existiu.
Márcio Rezende, hoje comentarista de replay, é o árbitro que tirou, na mão grande, o título brasileiro do Santos em 1995, ao anular gol legítimo de Camanducaia contra o Botafogo. Não contente, dez anos mais tarde, operou o Internacional no Pacembu diante do Corinthians, ao não marcar pênalti claro de Fábio Costa em Tinga. Para piorar, ainda deu cartão vermelho ao jogador do time gaúcho por suposta simulação.
Outro que hoje se defende atrás dos replays, e consegue errar mesmo ao assistir às repetições na telinha, é o gaúcho Carlos Eugênio Simon, da Fox Sports. Simon tem uma enorme coleção de tropeços na carreira, nacionais e internacionais.
Palmeirenses reclamam até hoje de um gol mal anulado de Obina, que lhes custou o título brasileiro de 2009, enquanto torcedores do Brasiliense não se esquecem da atuação desastrosa na decisão da Copa do Brasil de 2002, que rendeu a taça de campeão ao Corinthians. Simon também é persona non grata entre torcedores do Atlético-MG e até em Gana, por ter prejudicado os africanos em jogo contra a Itália, na Copa do Mundo de 2006.
A dupla carioca formada por José Roberto Wright e Arnaldo César Coelho não deixa por menos. Wright influenciou decisivamente na decisão do Campeonato Brasileiro de 1983, não marcando um pênalti para o Santos no Maracanã. De tanto errar também ao comentar os lances pela televisão, ganhou o apelido de José Roberto Wrong e acabou demitido da emissora à qual prestava serviços.
Diante de tantos exemplos, a pergunta que não quer calar é: Que moral esses senhores, hoje recebendo salários altos para exercer uma função completamente inútil, têm para criticar os árbitros da atualidade? Que a arbitragem brasileira está ruim atualmente, ninguém nega, mas não são ex-árbitros que acumularam erros grotescos na carreira os mais indicados para crucificá-los.
*Paulo Amaral é editor de Esportes do R7 e defensor da extinção da profissão de comentarista de arbitragem.















