Na Ucrânia, ex-joia corintiana já sofreu racismo de vizinhos

Paulo Victor era promessa do clube e hoje é destaque do Zorya Luhansk

Na Ucrânia, ex-joia corintiana já sofreu racismo de vizinhos

Paulo Victor é titular e destaque do Zorya Luhansk

Paulo Victor é titular e destaque do Zorya Luhansk

Reprodução/Arquivo Pessoal

Atacante rápido, Paulo Victor, o Paulinho, viveu o que muitos atletas que despontam na categoria de base vivem: sair cedo do Brasil rumo a Europa. Com apenas 22 anos, o jogador que colecionou grandes momentos na base do Corinthians não renovou com o clube e aceitou o desafio de defender o modesto Zorya Luhansk, da Ucrânia.

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O objetivo era fazer com que a equipe classificasse para Liga Europa, motivo pelo qual Paulinho foi contratado. Com muito esforço, a equipe ficou em terceiro no campeonato nacional e acabou conseguindo a vaga para o torneio continental.

Mas antes mesmo de poder se adaptar à cultura do novo país, Paulinho se deparou com uma situação que ainda atinge muitos atletas, não apenas no Brasil: o racismo.

"Sofri uma situação um pouco chata aqui. Como é um país muito frio, as pessoas bebem muito e é comum ver pessoas bêbadas na rua todos os dias. Estava passeando com minha esposa e uma mulher começou a me chamar de preto e macaco", contou. Para piorar, a agressora era sua vizinha: "Como eu já entendia a língua, não liguei. Porém minha esposa pediu que eu explicasse o que era e quando eu falei, acabou tendo uma discussão entre as duas. O mais curioso é que essa moça mora no mesmo prédio que eu", completou.

Ainda segundo Paulinho, algumas pessoas olham diferente para ele por conta de sua raça: "É comum ver as pessoas te olhando diferente quando você sai ou vai em algum restaurante".

Apesar desse episódio lamentável, na temporada seguinte, a equipe de Luhansk, classificada para Liga Europa, caiu no grupo da morte da competição, ao lado de Fenerbahçe, Feyenoord e Manchester United. "Jogar contra esses times foi uma grande experiência para mim. Evolui muito, nesse ano estamos classificados novamente", disse o camisa 11.

"É comum ver as pessoas te olhando diferente quando você sai ou vai em algum restaurante".
Paulinho, atacante do Zorya Luhansk

A adaptação ao futebol europeu também foi um pouco difícil para o jogador. Segundo Paulinho, o jogo na Ucrânia é bem faltoso e pouco técnico, o que causou uma disparidade entre o futebol praticado no Brasil. Apesar disso, foram poucos jogos até o atacante estar 100% adaptado.

Apesar de todos os problemas vividos, Paulinho se diz feliz. O jogador vive com sua esposa no país e disse que a cidade onde reside é bem tranquila. As guerras e atentados terroristas por toda Europa não preocupam o jogador, que ainda quer jogar em um grande clube Europeu.

"Não penso em voltar para o Brasil nesse momento. Estou feliz com minha família aqui na Ucrânia e ainda quero jogar em um grande clube europeu".

O início no Timão

Desconhecido do povo brasileiro, Paulo Victor ficou 15 anos no Corinthians. Entre tantos títulos da base, o mais importante foi a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2012. Com 21 anos na época, o atacante fez parte do elenco campeão daquela edição do torneio, que contava com o goleiro Matheus Vidotto e o zagueiro Marquinhos, jogador do Paris Saint-Germain e da seleção brasileira.

No ano seguinte Paulinho foi alçado para o profissional e foi campeão Paulista e da Recopa Sul-Americana com a equipe. Apesar de não ter tido muita sequência de jogo no time, o camisa 11 destacou a oportunidade de ter jogado com grandes jogadores como Pato, Guerrero e Sheiek, e principalmente de ter absorvido os treinamentos do técnico Tite.

"Joguei com atletas que nunca imaginei jogar como Guerreiro, Sheik e Pato. Não tive muita sequência de jogos, eu era menino, então preferi absorver o máximo dos treinamentos".

Agora amadurecido, Paulinho quer conquistar grandes títulos com a camisa do Zorya Luhansk. Atualmente a equipe é a sétima colocada do ucraniano, mas está em segundo no grupo J do torneio continental.

*Leonardo Vallejo, estagiário do R7