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BRASILEIRO 2022
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Mantos carregam personalidade das comunidades no futebol de várzea

A camisa expressa os sentimentos de um bairro inteiro e é peça sagrada do vestuário local. Para vesti-la, é preciso ter o aval dos líderes das equipes

Futebol|Cesar Sacheto e Guilherme Padin, do R7

Fabinho, da Plus Esportes e Diego Nunes, do U.P.A., time do Jardim Brasil
Fabinho, da Plus Esportes e Diego Nunes, do U.P.A., time do Jardim Brasil Fabinho, da Plus Esportes e Diego Nunes, do U.P.A., time do Jardim Brasil

Se as camisas são símbolos quase que intocáveis para as torcidas dos clubes profissionais, no futebol de várzea não é diferente. Os fardamentos, como são chamados pelos terrões afora, carregam muito do significado de cada equipe para a comunidade.

Os modelos são caprichosamente escolhidos pelos presidentes ou representantes das equipes. Em geral, os escudos são inspirados em clubes europeus, brasileiros ou desenhados pelos times.

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Personagens de desenhos animados e referências aos bairros são outras importantes características dos uniformes da várzea. As cores e demais detalhes das camisas seguem as mesmas influências.

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As roupas são confeccionadas por empresas especializadas. Na capital paulista, há dois fornecedores mais procurados pelos times. O relacionamento entre os empresários e as equipes é estreito.

Empresários investem em maquinário para atender clientela do futebol de várzea
Empresários investem em maquinário para atender clientela do futebol de várzea Empresários investem em maquinário para atender clientela do futebol de várzea

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As negociações são fechadas exclusivamente entre os donos dos times e a confecção. A confiança é posta em primeiro lugar na hora de fechar uma venda.

"Aqui o tratamento é diferente. É comunidade", diz Bahia, presidente do Mimosa City, do Parque Edu Chaves, na zona norte de São Paulo.

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Se o cara é de outra quebrada%2C tem que conhecer muito bem [para comprar a camisa]. Isso aqui é tipo um manto

(Michel Gomes da Silva)

Além dos uniformes de jogos, é comum a comercialização dos modelos especiais para torcedores. "Tem camisas de torcida para mulheres, crianças, bonés e moletons", complementa Fabinho.

O dinheiro das vendas é utilizado nas despesas das equipes, tais como: inscrição em campeonatos, transporte e alimentação da delegação – churrascos e festas são frequentemente promovidos para completar o caixa das agremiações.

O manto não é para qualquer um

O direito de adquirir uma camisa de um time de várzea não é para todos. É preciso ser da comunidade ou conhecer alguém que "avalize" a compra.

"Se o cara é de outra quebrada, tem que conhecer muito bem. Isso aqui é tipo um manto. É uma camisa que representa a comunidade", frisa Michel Gomes da Silva, diretor do Mimosa City.

O temor por uma ação que prejudique a equipe local ou até eventuais sabotagens de rivais são outros fatores que determinam quem pode ou não vestir a camisa de um time de várzea.

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"Pode-se arrumar uma briga com a camisa e ser eliminado do campeonato. Para se dar a camisa a alguém, tem que ter um certo cuidado. Quando se trata de várzea, o negócio é sério", finaliza Michel.

Negócios

Os uniformes da várzea movimentam um mercado consolidado. Um fardamento completo sai por cerca de R$ 1,5 mil e tem entre 20 e 25 kits com camisas, calções e meiões, explica Fabinho, da Plus Esportes.

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A empresa atende cerca de 300 equipes e também fornece equipamentos para as escolinhas do técnico Fábio Carille — bicampeão paulista e campeão brasileiro pelo Corinthians (atualmente no Al Wehda-ARA) —, seleção master do Brasil, sindicatos e outras entidades.

"Entretanto, parte do orçamento da produção da confecção é destinada a projetos sociais e trabalhos voluntários", revela Diego Nunes, presidente do U.P.A., time do Jardim Brasil, na zona norte da cidade.

Diego Nunes (à dir.) preside o U.P.A. do Jd. Brasil
Diego Nunes (à dir.) preside o U.P.A. do Jd. Brasil Diego Nunes (à dir.) preside o U.P.A. do Jd. Brasil

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Já a Uniex, importante fornecedora de uniformes para times de várzea em São Paulo, conta com cerca de 2.000 clientes em sua carteira, a maioria equipes de futebol (futsal e várzea), mas também há empresas e escolas. 

Segundo Renato Silva, proprietário da marca, são confeccionadas cerca de 30 mil peças por mês na fábrica localizada no Brás, na região central da capital paulista. Um equipamento completo da Uniex tem 25 kits e custa R$ 2.200, em média. 

Times da várzea homenageiam clubes e comunidades nas camisas:

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