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BRASILEIRO 2022

Malabarista da bola chega para ser guru de Dunga: "É preciso recuperar a moral perdida"

Edu marcou época como grande driblador e agora é auxiliar técnico na seleção brasileira

Futebol|Eugenio Goussinsky, do R7

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Edu irá colocar sua experiência a serviço da seleção brasileira
Edu irá colocar sua experiência a serviço da seleção brasileira

Driblar e sorrir sempre foram as maneiras do ex-ponta-esquerda Edu vencer barreiras, no futebol e na vida. Assim ele se tornou o jogador mais jovem a ser convocado para uma Copa do Mundo, a de 1966, aos 16 anos.

Aos 65 anos, esta marca ainda pertence a ele, Jonas Eduardo Américo. A partir de então, Edu se consagrou no Santos e na seleção brasileira, com a filosofia de fazer do futebol uma brincadeira muito séria. Ele marcou época, como malabarista da bola, em uma fase de ouro, estando no grupo que foi tricampeão no Mundial do México em 1970.


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De uma geração anterior à de 1982, que não conquistou títulos, Edu fala ao R7 já como auxiliar técnico da seleção para as partidas contra Argentina e Japão, nos próximos dias 11 e 14. O convite feito por Dunga foi um recado aos críticos: o técnico espera que Edu, com suas lições de um passado vencedor, mostre na prática a importância de se aliar o futebol arte ao de resultados. Sem perder o sorriso.


R7: Retornar à seleção brasileira após tanto tempo, agora na comissão técnica, o pegou de surpresa?

Edu: De certa maneira sim, mas fiquei muito contente com o convite e aceitei na hora. Achei interessante esta iniciativa. É uma forma de mostrar aos atuais jogadores da seleção brasileira, e às gerações mais jovens, que os cinco títulos conquistados pelo Brasil tiveram uma origem. Hoje em dia lembra-se muito das duas últimas conquistas (1994 e 2002), mas para se chegar a cinco houve três anteriores e é bom que isso seja reconhecido.


R7: De que maneira a comissão técnica chegou ao seu nome?

Edu: Não foi do nada. Nós estamos sempre participando de reuniões entre ex-jogadores, o pessoal dos anos 60 tem a Associação dos Campeões Mundiais, que realiza eventos em que comparecemos com frequência. Nestas ocasiões conversamos muito sobre futebol. Fiz amizade com o Dunga e o Gilmar Rinaldi há um bom tempo, participando junto com eles destes eventos.


R7: O jogador hoje é bem diferente do que no passado. Atualmente quem atua pela seleção é uma celebridade, ganha milhões e quase não tem tempo para nada. Acha que será fácil eles ouvirem alguém das antigas?

Edu: Esses meninos ouvem o que a gente fala. Olham nos nossos olhos com respeito. Antes da última Copa do Mundo, houve algumas homenagens aos campeões mundiais pelo Brasil, no Serra Dourada (GO) e no Morumbi (SP). Fomos recebidos pelos jogadores atuais com muita consideração. Para eles somos uma geração vitoriosa e eles se mostram satisfeitos em estar conosco. Na minha carreira, posso dizer que eu só ganhei.

R7: Dunga disse que uma de suas principais missões é passar aos jogadores a importância do drible. Ainda existe espaço para o drible no atual futebol, corrido e pegado?

Edu: Claro que sim, até se torna mais importante. Como os esquemas são fechados, o drible é uma maneira de abrir espaços. O Neymar o usa muito, o Robinho também. Mas na seleção, vejo que muitos têm e não usam. E nada melhor do que a habilidade para furar um bloqueio.

R7: Tendo feito parte de uma época em que o futebol era puro talento, como o sr. vê a geração de 1982, que não conquistou títulos pelo Brasil?

Edu: O resultado é fundamental. O Dunga, por exemplo, está começando agora um trabalho, precisa das vitórias. Não adianta dar show e não vencer. Em 1982 o Brasil tinha um baita time, com Sócrates, Zico e Falcão e não venceu. Era uma bela seleção, mas não é fácil chegar ao título. A vontade era vencer, mas às vezes, como naquela partida contra a Itália (que venceu o Brasil por 3 x 2), temos de jogar com o resultado. Por três vezes tivemos o resultado a nosso favor. Se o empate favorecia, porque ir atrás do terceiro gol? Faltou alguém para dizer: segura aí, desse jeito não vai dar.

R7: Como o Edu de hoje encara o futebol, em comparação ao de sua época?

Edu: O futebol no Brasil mudou, o nível técnico caiu muito. Antes havia 3 ou 4 jogadores que decidiam em cada clube no campeonato nacional. Hoje não se vê ninguém. O próprio futebol brasileiro passa por esta fase: para decidir um jogo, só temos o Neymar. Gosto também do futebol do Lucas, do PSG. Mas não há mais ninguém que seja fora de série. Mesmo assim, a seleção está recomeçando um caminho e tem tudo para dar a volta por cima, com trabalho, após a derrota na última Copa. O importante é recuperar a moral perdida. 

R7: Qual mudança no futebol mais o incomodou nos últimos tempos?

Edu: Infelizmente aboliram os pontas e abriram espaço para os alas. Não acredito que alas tenham mais habilidade do que pontas. É por isso que nosso futebol está nesse estágio. Podemos reverter isso tomando por base coisas boas do passado.

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