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'Limite físico e mental': crítica de Abel mostra sinais de esgotamento

Técnico do Palmeiras atribuiu desgaste ao calendário, mas, para especialista, cuidado com a saúde deve ser levado em conta

Futebol|Do R7

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"Estou no meu limite físico e mental": entenda o que está por trás do desabafo de Abel Ferreira
"Estou no meu limite físico e mental": entenda o que está por trás do desabafo de Abel Ferreira

Com a expectativa de renovar por mais dois anos com o Palmeiras, Abel Ferreira fez um forte desabafo após conquistar sua segunda Libertadores em menos de um ano à frente do Alviverde: "Se me perguntarem, estou no meu limite físico e mental".

A declaração pode ser entendida como uma crítica ao implacável calendário brasileiro, como o próprio treinador frisou em outras entrevistas, mas, para além do campo e da bola, a fala do português também pode ser interpretada como sinal de um desgaste acima do normal, um esgotamento mental que reflete nos comportamentos mais variados de Abel Ferreira: a síndrome de burnout.

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"Se sou bem pago, mal pago, não sei. Faço aquilo que gosto com paixão e alegria, orgulho tremendo, mas muitas vezes muito cansado. Se me perguntarem, estou no limite mental, limite. Somos a equipe técnica que fez mais jogos neste ano. Ninguém quer saber. Tenho que tratar minha saúde física e mental, mas aqui ninguém quer saber disso”, desabafou o técnico após a conquista do tricampeonato da Libertadores.

O que é a síndrome de burnout

Segundo o doutor José Fernandes Vilas, conhecido também como Dr. Burnout, médico da federação de ginástica olímpica do Rio de Janeiro e pesquisador da síndrome do esgotamento profissional, a doença se manifesta nas pequenas coisas, em alterações de humor e sono que refletem na qualidade de vida do ser humano. 

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“O burnout vem de mansinho, você quase não percebe e às vezes acaba confundindo com outras patologias. A pessoa quase nem percebe o seu desenrolar, pois está a mil por hora realizando tarefas, batendo metas e tentando manter a produtividade. Com o passar do tempo, o individuo começa a ficar ríspido, ignorante, sem paciência para nada. O famoso 'pavio curto', 'tolerância zero'", explicou Vilas. 

No caso de Abel, o jeito agitado à beira do campo e até os momentos de tensão em entrevistas, sendo ríspido em algumas respostas atravessadas, podem ser sinais de um esgotamento mental do treinador. Apesar disso, o entendimento do próprio português de que ele está no "limite" indicam que Abel já está ciente do mal que esse esgotamento pode provocar em sua vida. 

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“Existem inúmeras formas de tratar e prevenir a síndrome, e uma delas, a primeira, é reconhecer que você possui limites, ou melhor, que você ultrapassou seus limites, pois o corpo cobra a conta, mais cedo ou mais tarde”, afirmou o Dr. Burnout.

A rotina implacável do futebol brasileiro

Na proposta de renovação apresentada a Abel, não é acaso que Leila Pereira tenha prometido não só muito dinheiro, mas todo apoio — financeiro, logístico e até psicológico — para que o português continue até 2024.

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Parte importante da oferta é a possibilidade de trazer a família para o Brasil, já que estar longe das filhas e esposa é um desafio a mais na rotina implacável que é o futebol brasileiro. Contando já a última rodada do Brasileirão, o Palmeiras completará 91 jogos em 2021. Um número assustador, insalubre para o psicológico de atletas e treinadores. E Abel é mais uma vítima.

Bicampeão da Libertadores, Abel faz ainda mais história no Palmeiras

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