Futebol 'Limite físico e mental': crítica de Abel mostra sinais de esgotamento

'Limite físico e mental': crítica de Abel mostra sinais de esgotamento

Técnico do Palmeiras atribuiu desgaste ao calendário, mas, para especialista, cuidado com a saúde deve ser levado em conta

"Estou no meu limite físico e mental": entenda o que está por trás do desabafo de Abel Ferreira

"Estou no meu limite físico e mental": entenda o que está por trás do desabafo de Abel Ferreira

NAYRA HALM/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - 27/11/2021

Com a expectativa de renovar por mais dois anos com o Palmeiras, Abel Ferreira fez um forte desabafo após conquistar sua segunda Libertadores em menos de um ano à frente do Alviverde: "Se me perguntarem, estou no meu limite físico e mental".

A declaração pode ser entendida como uma crítica ao implacável calendário brasileiro, como o próprio treinador frisou em outras entrevistas, mas, para além do campo e da bola, a fala do português também pode ser interpretada como sinal de um desgaste acima do normal, um esgotamento mental que reflete nos comportamentos mais variados de Abel Ferreira: a síndrome de burnout.

"Se sou bem pago, mal pago, não sei. Faço aquilo que gosto com paixão e alegria, orgulho tremendo, mas muitas vezes muito cansado. Se me perguntarem, estou no limite mental, limite. Somos a equipe técnica que fez mais jogos neste ano. Ninguém quer saber. Tenho que tratar minha saúde física e mental, mas aqui ninguém quer saber disso”, desabafou o técnico após a conquista do tricampeonato da Libertadores.

O que é a síndrome de burnout

Segundo o doutor José Fernandes Vilas, conhecido também como Dr. Burnout, médico da federação de ginástica olímpica do Rio de Janeiro e pesquisador da síndrome do esgotamento profissional, a doença se manifesta nas pequenas coisas, em alterações de humor e sono que refletem na qualidade de vida do ser humano. 

“O burnout vem de mansinho, você quase não percebe e às vezes acaba confundindo com outras patologias. A pessoa quase nem percebe o seu desenrolar, pois está a mil por hora realizando tarefas, batendo metas e tentando manter a produtividade. Com o passar do tempo, o individuo começa a ficar ríspido, ignorante, sem paciência para nada. O famoso 'pavio curto', 'tolerância zero'", explicou Vilas. 

No caso de Abel, o jeito agitado à beira do campo e até os momentos de tensão em entrevistas, sendo ríspido em algumas respostas atravessadas, podem ser sinais de um esgotamento mental do treinador. Apesar disso, o entendimento do próprio português de que ele está no "limite" indicam que Abel já está ciente do mal que esse esgotamento pode provocar em sua vida. 

“Existem inúmeras formas de tratar e prevenir a síndrome, e uma delas, a primeira, é reconhecer que você possui limites, ou melhor, que você ultrapassou seus limites, pois o corpo cobra a conta, mais cedo ou mais tarde”, afirmou o Dr. Burnout.

A rotina implacável do futebol brasileiro

Na proposta de renovação apresentada a Abel, não é acaso que Leila Pereira tenha prometido não só muito dinheiro, mas todo apoio — financeiro, logístico e até psicológico — para que o português continue até 2024.

Parte importante da oferta é a possibilidade de trazer a família para o Brasil, já que estar longe das filhas e esposa é um desafio a mais na rotina implacável que é o futebol brasileiro. Contando já a última rodada do Brasileirão, o Palmeiras completará 91 jogos em 2021. Um número assustador, insalubre para o psicológico de atletas e treinadores. E Abel é mais uma vítima.

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