Joia da base do Corinthians deixa o clube após entraves nos bastidores
Aos 12 anos, Lucas Flora ficou fora das competições da base em 2026 e teve situação questionada pela família, que divulgou nota
Futebol|Do R7
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Lucas Flora, promessa do Corinthians, não faz mais parte do clube. O pai do atleta, divulgou nesta quarta-feira (3) uma nota detalhando os impasses vividos nos bastidores e explicou os motivos que levaram ao rompimento do contrato.
Segundo o comunicado enviado para o R7, o meio-campista não foi relacionado para nenhuma competição de sua categoria ao longo de 2026 e também não foi inscrito no Campeonato Paulista, principal torneio das categorias de base do país. A família afirma ainda que o atleta está sem vínculo ativo junto à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e à FPF (Federação Paulista de Futebol) desde dezembro do ano passado. “Mesmo com toda a documentação tendo sido entregue no prazo, o registro do atleta não foi renovado, deixando-o sem vínculo esportivo formal com o clube”, diz um trecho da nota.
O principal ponto de divergência entre as partes envolve as questões contratuais. Conforme Flávio Flora, o clube teria condicionado um novo registro à renúncia do contrato de imagem atualmente vigente para que fosse assinado um contrato de formação.
No entanto, Flávio afirma que já havia um entendimento prévio de que qualquer discussão envolvendo contrato de formação e questões financeiras ocorreria apenas quando o atleta completasse 14 anos, em 2028.
Ao longo do comunicado, a família confirma que, mesmo diante das dificuldades enfrentadas durante o processo, eles levavam o jogador diariamente aos treinos e às demais atividades do clube.
“Antes de ser jogador do Corinthians, Flora precisa ter garantido o direito de ser jogador de futebol. E hoje, infelizmente, esse direito vem sendo comprometido pela ausência das condições mínimas necessárias para que ele possa fazer o que mais ama: jogar bola”, escreveu.
Apesar das críticas, a nota termina em tom de agradecimento ao Corinthians e à torcida:
“Foram seis anos honrando essa camisa com orgulho. Infelizmente, essa história não seguiu o caminho que o nosso pequeno sonhava, mas seguimos acreditando que a vida ainda pode reservar novos caminhos e novas oportunidades no futuro.”
A manifestação é assinada por Flávio Flora, pai do atleta, que encerra o texto afirmando que “ninguém é maior que o clube” e que “ninguém é maior que o amor de um pai e de uma mãe por um filho”.
Relembre interesse do Palmeiras no jogador:
Em 2024, Flora, então com 10 anos, despertou o interesse do Palmeiras e teve seu nome repercutido na mídia. Para garantir a permanência do atleta, o Corinthians apresentou uma nova proposta contratual.
Na época, o então diretor da base, Claudinei Alves, afirmou que o Palmeiras ofereceu salário de R$ 15 mil e R$ 200 mil em luvas. O Corinthians respondeu com duas propostas: a primeira previa R$ 3 mil de salário e R$ 3 mil de auxílio e a segunda elevou o salário para R$ 7 mil, mantendo o auxílio, totalizando R$ 10 mil mensais, além de benefícios que poderiam chegar a R$ 18 mil por mês.
Segundo o pai do meio-campista, a escolha de permanecer no Corinthians partiu do próprio Flora.
Confira abaixo a nota na íntegra:
“Ficamos em silêncio durante todo esse período por respeito ao nosso filho e também ao momento vivido pelo clube. No entanto, diante dos inúmeros questionamentos da torcida e da circulação de informações que não refletem a realidade dos fatos, entendemos ser necessário esclarecer a situação com transparência e respeito.
Em 2026, Flora não foi relacionado para nenhuma competição de sua categoria e também não foi inscrito no Campeonato Paulista, principal torneio das categorias de base do país, em nenhuma categoria do clube.
Além disso, verificamos que, desde dezembro do ano passado, o atleta não possui vínculo ativo junto à CBF e à Federação Paulista de Futebol pelo Corinthians. Mesmo com toda a documentação tendo sido entregue no prazo, o registro do atleta não foi renovado, deixando-o sem vínculo esportivo formal com o clube.
Em reunião, fomos informados de que a ausência de registro teria ocorrido por falhas internas e problemas de comunicação envolvendo os responsáveis pela documentação das categorias de base.
Publicamente, porém, foi apresentada outra versão: a de que o atleta só seria registrado caso a família abrisse mão do contrato de imagem vigente para, então, assinar um contrato de formação, sob a alegação de que o clube não teria condições de cumprir o acordo anterior.
É importante esclarecer que já existia um entendimento entre as partes de que qualquer tratativa envolvendo contrato de formação ou questões financeiras ocorreria apenas quando Flora completasse 14 anos, em 2028, e não agora, aos 12 anos de idade.
Também não corresponde à realidade a informação de que a família teria exigido participação do atleta em campanhas de lançamento de camisas. Até porque o contrato de imagem foi oferecido pelo próprio clube, que enxergou potencial no uso da imagem do atleta, que, inclusive, é patrocinado pela mesma fornecedora de material esportivo do Corinthians.
Mesmo diante da ausência de registro e das dificuldades enfrentadas no processo, a família manteve todos os seus compromissos, levando Flora diariamente aos treinos e às demais atividades do clube, sempre acreditando no processo de formação e no sonho do seu filho.
Ao longo desses anos, sempre priorizamos os desejos e as escolhas do nosso filho, deixando de lado outras possibilidades que poderiam ser mais vantajosas para sua carreira. Ainda assim, o clube volta a cometer falhas no processo de formação dele.
Não podemos permitir que um período tão importante da vida de uma criança seja perdido em meio a erros que se repetem.
Antes de ser jogador do Corinthians, Flora precisa ter garantido o direito de ser jogador de futebol. E hoje, infelizmente, esse direito vem sendo comprometido pela ausência das condições mínimas necessárias para que ele possa fazer o que mais ama: jogar bola.
Esperamos que os responsáveis tenham mais consciência sobre o impacto de situações como essa, que não apenas afetam sonhos de crianças e famílias, mas também comprometem a formação de possíveis ativos para o próprio clube.
Sabemos que, diante da grandeza do Corinthians, qualquer posicionamento ou justificativa dos responsáveis terá naturalmente mais força do que a palavra de uma família. Ainda assim, acreditamos ser importante esclarecer os fatos com respeito e honestidade.
Também esperamos sinceramente que a decisão da família de seguir, até aqui, sem empresários conduzindo a carreira do Flora, não tenha influenciado, de nenhuma forma, na condução dessa situação.
Foram seis anos honrando essa camisa com orgulho. Infelizmente, essa história não seguiu o caminho que o nosso pequeno sonhava, mas seguimos acreditando que a vida ainda pode reservar novos caminhos e novas oportunidades no futuro. Quem sabe!
Independentemente de toda essa situação, somos gratos ao Corinthians como instituição, à sua história e à sua fiel torcida de milhões de apaixonados, assim como nós , que o clube representa. Seguimos torcendo para que o mesmo supere este momento e volte a viver dias melhores, porque o Corinthians sempre será patrimônio do povo.
Ninguém é maior que o clube.
Assim como ninguém é maior que o amor de um pai e de uma mãe por um filho.
Te amamos, Flora. Vai dar tudo certo.“
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