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BRASILEIRO 2022

Hoje na Lusa, Berna celebrava salvação do Flu no tribunal

Em 2013, goleiro da Portuguesa viu time ser rebaixado no lugar do Tricolor

Futebol|Do R7*

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Berna é o goleiro da Portuguesa na Copa Paulista
Berna é o goleiro da Portuguesa na Copa Paulista Divulgação/Portuguesa

A Portuguesa decaiu de maneira angustiante desde o polêmico rebaixamento da Série A do Brasileirão em 2013. Na ocasião, o Fluminense se livrou da queda após uma decisão do tribunal que puniu a Lusa com a perda de pontos pela escalação irregular do jogador Héverton, na última rodada daquele campeonato. Ricardo Berna, que começou o ano no Flu, mas saiu para o Náutico no meio da temporada, foi um dos que ficaram aliviados com a salvação do Tricolor.

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Mal sabia ele que, quatro anos mais tarde, estaria defendendo as cores da equipe prejudicada em uma das decisões mais polêmicas da história do futebol brasileiro. Berna é o goleiro que mais troféus nacionais conquistou com a camisa do Fluminense. Titular na reta final do título brasileiro de 2010, ele estava no elenco e participou das campanhas vencedoras do Brasileirão 2012 e da Copa do Brasil 2007.

Em entrevista exclusiva ao R7, o goleiro contou como chegou ao time carioca sob o comando de Abel Braga e ganhou de Muricy a vaga de titular de maneira surpreendente. Campeão também com Renato Gaúcho, Berna relembrou a carreira, comentou momentos marcantes e falou do atual momento na Lusa: “um choque de realidade”.


“Comecei a treinar na categoria juvenil do Guarani, aos 15 anos de idade, e me profissionalizei lá. Ganhei meu primeiro título exatamente sobre a Portuguesa. Em 2000, cheguei ao Capivariano, onde fiz meu primeiro jogo como profissional, na B-2, quinta divisão de São Paulo”, lembrou Berna. “Em 2004, fui para o América Mineiro e disputei o estadual. Recebi algumas propostas, uma delas do Fluminense, cujo treinador era o Abel Braga. E foi lá que construí minha carreira e ganhei meus títulos de maior expressão”.

Ricardo Berna e Washington comemorando o título do Campeonato Brasileiro
Ricardo Berna e Washington comemorando o título do Campeonato Brasileiro

No meio de 2013, Ricardo Berna tomou uma decisão: rescindiu com o Fluminense, clube pelo qual nutre grande carinho – jogou nas Laranjeiras por oito anos -, e foi tentar salvar o Náutico da queda para a Série B do Campeonato Brasileiro. Foi então que o goleiro se tornou personagem de um dos momentos mais polêmicos da história do futebol nacional.


“No final do ano, enfrentei concorrentes diretos ao descenso que afligia tanto Fluminense como Portuguesa. Vivi uma situação bastante delicada, pois minha atuação poderia ser decisiva para esses clubes”, declarou Berna. Quando deixou o Tricolor das Laranjeiras, o time ocupava a 4ª posição do torneio nacional e ainda não havia caído para a parte de baixo da tabela, onde terminaria a competição. No fim das contas, o Flu acabou o campeonato na zona da degola, mas a escalação de Héverton pela Portuguesa, na rodada derradeira, custou ao time paulista três pontos na tabela e o consequente rebaixamento, mantendo os cariocas a salvo na Série A.

“Pelo histórico de quase uma década que tenho no clube, criei uma identificação com o Fluminense. Então, no momento que soube que permaneceria na Série A, fiquei muito feliz”, contou o goleiro da Lusa. “Mas isso não apaga o sentimento que tive quando vi Fluminense, Flamengo e Portuguesa envolvidos em tamanho escândalo. Fico muito chateado de ver situações como essa”.


O Náutico acabou rebaixado naquele ano e teve que disputar a Série B em 2014, ao lado da Lusa. No fim do ano, o clube do Recife escapou de mais um descenso, enquanto a Portuguesa amargurou a última colocação e seguiu no declínio vivido até hoje pela instituição. Berna, então, seguiu para o Macaé e depois para o Fortaleza. Após não conquistar o acesso com o time cearense em 2016, o camisa 1 passou a morar com a família em São Paulo.

Ricardo Berna defendeu o Náutico durante um ano
Ricardo Berna defendeu o Náutico durante um ano

Neste período, a Lusa sofreu mais um rebaixamento, desta vez para a Série D. Eliminada da quarta divisão em 2017, a vaga na próxima edição só pode ser assegurada por meio dos torneios estaduais. O novo desafio do campeão brasileiro Ricardo Berna, portanto, é levar a camisa rubro-verde de volta ao caminho das glórias.

“Estava em São Paulo com a minha família, sem perspectiva, mas com vontade de continuar atuando. Foi aí que veio um convite da Portuguesa”, disse. “É um choque de realidade. As partidas de Série A e Libertadores são totalmente diferentes da Copa Paulista”.

Já garantida na segunda fase da Copa, a Portuguesa mantém o olho na final. Isso porque o título é a única forma de a equipe do Canindé voltar a jogar uma divisão nacional em 2018 – no Paulistão, o time rubro-verde disputa a Série A-2, não tendo como alcançar a classificação para o Brasileiro.

A partida deste domingo (17), contra o Água Santa, serve como preparativo para o mata-mata. Ricardo Berna assistirá do lado de fora, pois está lesionado e passa por processo de recuperação do ligamento do tornozelo para retornar aos gramados a tempo de ajudar a Lusa em sua última oportunidade de voltar a um campeonato nacional.

*Pedro Rubens Santos, estagiário do R7

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