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BRASILEIRO 2022

Histórica Invasão Corintiana completa 40 anos

Semifinal no Maracanã marcou maior deslocamento de torcedores no Brasil, talvez do mundo

Futebol|Do R7

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Corinthians não ganhava nenhum título desde Paulistão de 1954
Corinthians não ganhava nenhum título desde Paulistão de 1954

Não há mais vagas nos ônibus, trens e aviões. A ‘invasão’, como relatavam as manchetes do jornal O Estado de S.Paulo, já se impunha nos dias que antecederam o 5 de dezembro de 1976. 30 mil? 40 mil? 70 mil? Afinal, quantos corintianos foram ao Maracanã? Esqueça os números. É o que menos importa em torno de uma paixão incondicional por um time de futebol.

O que está na memória: há 40 anos aconteceu o maior deslocamento de torcedores da história do futebol brasileiro (e talvez do futebol mundial) na partida entre Fluminense e Corinthians pela semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976, que teve um público de 146.043 pagantes.


Uma multidão que carregava o sofrimento de duas décadas de jejum saiu de São Paulo e de cidades do interior do Estado com um único destino: Rio de Janeiro. A via Dutra foi tomada por ônibus, Kombis, Fuscas e Brasílias. A ponte aérea, opção para poucos nos anos 70, bombou. Na véspera do jogo, Copacabana e Ipanema ganharam um novo e diferente visual, um colorido em preto e branco.

Os motivos que levaram à ‘invasão’ requerem contextualização. A multidão que apoiou o time e encarou 500 quilômetros de estrada não teria existido sem agonia do período sem conquistas. O longo ‘jejum de 23 anos’.


O Corinthians não ganhava nenhum título desde o Campeonato Paulista de 1954, cuja decisão contra o Palmeiras foi disputada em fevereiro de 1955. Nas duas décadas de sofrimento até a glória em 1977, a torcida do Corinthians se habituou a sofrer, a lotar estádios onde quer que estivesse e aumentou em número.

"Aquela geração de torcedores tinha levado uma cacetada que foi a final de 74 (do Paulista) contra o Palmeiras, 75 foi um ano morto e em 76 o Corinthians chegou no embalo. O que é mais fantástico é que a invasão foi um movimento espontâneo. Automóvel era um luxo, telefone era um luxo, e mesmo assim houve uma grande mobilização. O mundo não era globalizado como é hoje", afirma o jornalista Celso Unzelte, autor de uma série de livros sobre o Corinthians, entre eles o Almanaque do Timão.


Unzelte, como a maioria dos pesquisadores, diz que não é possível chegar a uma conclusão de quantos corintianos, de fato, foram ao Maracanã. Porém, ele refuta a teoria de que as torcidas de Flamengo, Botafogo e Vasco inflaram a torcida do Corinthians. "É uma teoria simplista. Não é o que mostram as imagens da Via Dutra, dos ônibus, dos carros, do anel do Maracanã, das bandeiras. O número máximo seria de 70 mil corintianos e no mínimo, 30 mil, 40 mil, o que ainda assim seria algo extraordinário. É isso que mostram as imagens."

Diretor do documentário 1976 - O ano da Invasão Corinthiana, Ricardo Aidar entrevistou dezenas de pessoas e buscou imagens raras para produzir seu filme. Como Unzelte, Aidar frisa a espontaneidade da atitude dos torcedores em um época sem internet e sem rede social. "Por isso foi surpreendente", disse o diretor durante lançamento do filme, em setembro deste ano. "Hoje nem se conseguiria colocar tantos torcedores visitantes em qualquer estádio. Primeiro porque os estádios foram reduzidos e além disso a carga de ingressos para os visitantes diminuiu."


O estopim para 1977

Capitão do Corinthians, Zé Maria jamais se esquecerá do momento que puxou a fila nos vestiários para chegar ao gramado do Maracanã. "Quando subi a escada nem sabia para qual direção iríamos. Decidimos saudar nossa torcida no meio de campo, porque o estádio estava lotado. Aquilo, sem dúvida, mexeu com a gente", afirma o lateral-direito.

Zé recorda como foi a preleção do técnico Duque, que falou sobre os perigos do time do Fluminense, mais habilidoso e com mais estrelas que a equipe do Corinthians. A presença da torcida, segundo ele, foi fundamental para o time buscar o empate após levar o primeiro gol, marcado por Pintinho, aos 18 minutos do primeiro tempo.

Na disputa por pênaltis, Zé tinha certeza de que a atuação de Tobias seria decisiva. Após as defesas do goleiro, coube ao lateral-direito a cobrança que decidiria o jogo. "Depois que o Riva saiu, eu era o batedor de pênalti, por isso estava tranquilo e foi emocionante marcar o gol e ver toda aquela torcida eufórica no estádio. 76 sem dúvida foi, como motivação, o estopim para 77, aumentando ainda mais a vontade de ser campeão."

O Corinthians venceu o jogo nos pênaltis por 4 a 1 e se classificou à final do Brasileiro, também disputada em jogo único. Perdeu para o Internacional no Beira-Rio o tão sonhado título que demoraria dez meses até aquele 13 de outubro de 1977.

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