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BRASILEIRO 2022

Grandes clubes brasileiros deixam a desejar na seleção olímpica

Metade dos convocados pelo técnico Gallo para Rio 2016 vem de times estrangeiros

Futebol|Do R7

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Alexandre Gallo não priorizou os grandes clubes brasileiros
Alexandre Gallo não priorizou os grandes clubes brasileiros

Até pouco tempo atrás, quando o assunto era seleção brasileira principal, muitos criticavam a convocação excessiva de jogadores que atuavam fora do Brasil. O argumento era que aqueles que defendiam clubes brasileiros, estariam mais envolvidos com a realidade do País e mais dispostos a se dedicar de corpo e alma à seleção brasileira.

Esta discussão, após a derrota do Brasil para a Alemanha, nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, se estendeu para as seleções de base. O fato de os principais clubes do Brasil terem poucos jogadores convocados para a seleção sub-21, segundo alguns treinadores das categorias de base do País, pode prejudicar a formação de atletas nestas equipes. 


O treinador Alexandre Gallo, com estes jogadores, está formando a seleção para a Olimpíada de 2016, mas o temor é que ele desestimule o trabalho em clubes brasileiros que investem pesado nas categorias de base, como São Paulo, Santos e Cruzeiro, optando por chamar um contigente grande que atua fora do Brasil.

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O auxiliar-técnico do São Paulo, Milton Cruz, que tem mantido contato com Gallo, defende a ideia de que a maioria dos jogadores da seleção que se prepara para a Olimpíada deveria vir dos clubes brasileiros, já que, segundo ele, o trabalho destas agremiações ainda é diferenciado, apesar da crise pela qual passa o esporte mais popular do País.

—Não é sempre que os jogadores que atuam fora são melhores do que os daqui. No Brasil, não é fácil para um garoto de 20 anos jogar em um clube profissional, como faz o Rodrigo Caio no São Paulo, por exemplo. Trata-se de um jogador de qualidade, que teve uma continuidade por aqui e se tornou uma importante opção para a seleção olímpica. 


Em relação aos 22 jogadores da seleção sub-21 convocada por Gallo, metade atua fora do Brasil. O auxiliar são-paulino, que foi medalha de prata na Olimpíada de 1984, quando a base da equipe era um único time, o Inter-RS, aponta para a necessidade de o Brasil montar uma seleção coesa, sem tantas mudanças na lista de convocados até a competição.

—A Olimpíada vai ser no Brasil, os que estão por aqui estão mais acostumados a jogar no País, estão mais adaptados ao clima, à torcida, à realidade local. O Gallo está fazendo uma peneira, avaliando jogadores e ele tem muita competência, está querendo escolher os melhores. Mas eu, que disputei Olimpíada, sei que é uma competição dificílima. Ainda há tempo e é preciso aproveitar isso para entrosar o time. O que não pode acontecer é aquela situação de chamar um jogador, depois surge outro e ele é chamado, com a base mudando sempre. A estrutura precisa ser mantida desde já.


Milton Cruz também acredita que a convocação de jogadores que atuam em centros de pouca tradição, como Ucrânia, ou em outros que não estão entre os mais fortes do mundo, como Portugal, pode ser prejudicial para a equipe brasileira em uma competição de alto nível técnico.

—Uma coisa é jogar no PSG, outra é na Segunda Divisão em Portugal. Como disse, jogar no São Paulo e no Cruzeiro, por exemplo, não é fácil, ainda mais no profissional. Uma coisa é ser titular no São Paulo, outra é na Ucrânia, onde o futebol não é competitivo como no Brasil. Jogadores que atuam fora poderiam ser chamados para completar o grupo, em situações específicas. 

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