Goleada do Bayern desvenda o 'mistério de Thomas Müller'

Aquele 7 a 1 na Copa do Mundo 2014 parece ter sido melhor explicado com 8 a 2 do Bayern de Munique sobre Barcelona na Champions League

Müller voltou a ser protagonista no Bayern

Müller voltou a ser protagonista no Bayern

Rafael Marchante/Reuters//14-08-20

Recentemente, durante um ataque veloz do Bayern de Munique, Thomas Müller, 30 anos, se deslocou para a direita, atraindo um marcador. Abriu espaço e até poderia receber a bola, já que mantinha uma certa distância do adversário. Mas, com um gesto, orientou o companheiro a não lhe passar a bola, e sim para outro jogador à frente. Resultado: gol de seu time.

É assim que Müller se tornou o maior regente do futebol mundial da atualidade. Dono de visão de jogo e inteligência únicas, ele muitas vezes nem precisa tocar na bola para realizar jogadas decisivas. Ou quando toca, o faz de forma precisa. Nele, a habilidade nem é tão necessária, devido à sua imensa técnica.

Após o reinício das competições, que estavam paradas por causa da pandemia, Müller se tornou o principal jogador da equipe. Mostrou isso na goleada contra o Barcelona, pelas quartas de final da Champions de 2019-2020. O primeiro gol foi a objetividade levada ao extremo.

Domina e passa com um só toque de direita, se coloca para receber, praticamente ordenando que o companheiro lhe devolvesse, e finaliza de esquerda, tirando completamente do alcance de Ter Stegen.

"Ele não está apenas envolvido em ataques em que resultam em um chute a gol ou na finalização dele; Müller também está envolvido nas jogadas em que nem consegue pegar a bola", diz o jornalista Danial Montazeri, em texto da Der Spiegel.

Do time, Müller é um dos três que estiveram presentes também na vitória da Alemanha sobre o Brasil por 7 a 1, na Copa do Mundo de 2014.

O responsável em grande parte para o ressurgimento de Müller é o atual técnico do Bayern, Hansi Flick, que era o auxiliar de Joachim Low na Copa de 2014. Seu atecessor no clube, Niko Kovac, na intenção de mostrar personalidade, entrou por um caminho arriscado de relativizar a importância de Müller.

Com Kovac, Müller foi titular apenas em parte da temporada e quase nunca jogava os 90 minutos. Tal distorção acabou gerando interpretações equivocadas e o próprio Low deixou de convocar Müller para a seleção.

Com Flick, Müller quase sempre foi titular e marcou 29 gols em 30 partidas até o início de julho. Só na Bundesliga, ele conseguiu dar 21 assistências. Sem aparentar correr muito, ele está presente em todas as partes do ataque. Enganando os marcadores, orientando os companheiros e finalizando de surpresa.

No seu segundo gol, se antecipou a Lenglet, que parecia achar que estava sozinho na jogada. Então, o zagueiro deve ter perguntado. "De onde surgiu Müller?" É a mesma pergunta que todos os adversários derrotados, no 7 a 1 e no 8 a 2, devem ter feito.

Agora, aquele 7 a 1, além de ter sido igualado, parece ter sido melhor explicado. Müller, finalmente desvendou o mistério. Era ele o protagonista. Ele foi o "culpado", ainda que outros como Klose, Kroos e Schweinsteiger tivessem sua importância.

Mas é a partir de Müller, núcleo de todo o esquema das duas equipes, que as principais respostas podem vir. Inclusive para o desenvolvimento do futebol como um todo. Um novo futebol, a partir da Alemanha.

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