Futebol Fla perde para o Ceará e fica ainda mais longe do título do Brasileirão

Fla perde para o Ceará e fica ainda mais longe do título do Brasileirão

Ceni mexe no gol, na zaga e inicia com Pedro. Em vão. Torcida reclama de Gabigol no banco. Semana certamente será de protesto

  • Futebol | Eduardo Marini, do R7

Vina aproveitou apatia do Fla e marcou primeiro do Vozão

Vina aproveitou apatia do Fla e marcou primeiro do Vozão

Paulo Sérgio/Estadão Conteúdo - 10/1/2021

Flamengo zero, Ceará dois, no Maracanã, neste domingo (10), pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro 2020.

Com a derrota, o rubro-negro estaciona nos 49 pontos e fica momentaneamente no 4º lugar da competição. Embora tenha um jogo a menos, vê a chance de conquistar um título relevante na temporada ficar muito remota. Pelo que tem na tabela e, acima de tudo, pelo pouco que joga há algum tempo. O Vozão vai a 39 pontos.


Após o empate em 0 a 0 com o Fortaleza e a derrota por 2 a 1, de virada, para o Fluminense, o Flamengo entrou em campo pressionado por protestos da torcida. O título do Brasileiro é a única possibilidade de conquista importante da equipe na esticada temporada de 2020, depois das eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores.

No primeiro turno, o Ceará venceu o confronto como mandante, no Castelão, por 2 a 0. Vinha de quatro partidas fora de casa sem derrota até reencontrar o rubro-negro no Maracanã.

O Flamengo entrou com o jovem goleiro César na vaga de Diego Alves, ainda em recuperação de um problema muscular na coxa.

O técnico rubro-negro, Rogério Ceni, tem sido criticado por demorar a fazer substituições, fazer escolhas equivocadas nas trocas e deixar o time recuar demais no segundo tempo. E, sobretudo, por manter na reserva o atacante Pedro, em excelente momento em contraponto com as fases medíocres de Bruno Henrique e Gabigol.

Na derrota de 2 a 1 de virada para o Fluminense, no meio da semana, Ceni trocou Pedro por Gabigol na metade final da segunda etapa e colocou Diego no lugar do jovem zagueiro Natan, recuando Willian Arão para a zaga.

As mudanças foram consideradas fatais para a reação do Fluminense. Mais até do que os “erros grotescos” da equipe destacados por Ceni ao final da partida (o lateral Felipe Luís errou um passe para Arão e deu a bola nos pés do volante Yago Felipe, que fez o gol da vitória tricolor aos 48 minutos do segundo tempo).


Contra o Ceará, Ceni finalmente ousou, mas de nada adiantou. Fez três mudanças no time titular. Iniciou com Pedro no lugar de Gabigol. Nas redes sociais, antes do início da partida, torcedores aprovaram a escalação de Pedro, mas não no lugar de Gabigol. E criticaram duramente as entradas do goleiro César na vaga de Hugo Souza e de Gustavo Henrique na de Natan, para formar a dupla de zaga com Rodrigo Caio.

O rubro-negro começou o jogo muito mal. Sonolento, com muitos toques para o lado, bolinha-bolinha sem objetividade, passava a sensação de que as alterações nada produziram de bom.

Tinha a posse de bola, mas não agredia, tinha postura de arame liso, e quando o Vozão tomava a bola era um desespero para a zaga rubro-negra, que continuava a deixar buracos em um bate-cabeça inacreditável.

E a punição por tantos erros não demorou a surgir. Aos 12 minutos da primeira etapa, Léo Chu recebeu ótimo lançamento de Lima no lado esquerdo e tocou rasteiro para Vina chutar forte no canto direito de César. Ceará um a zero.

Com o gol, o Vozão apertou a marcação e passou a esperar a bola do contra-ataque para matar a partida, o que dificultou ainda mais para o rubro-negro. Gerson fazia péssima partida e Felipe Luís voltou a jogar mal.

Assim, com um Flamengo improdutivo na criação e um adversário aplicado na marcação, à espera da oportunidade para dar o bote no contra-ataque, a primeira etapa chegou ao fim.

O Flamengo voltou para o segundo tempo com Diego no lugar de Gustavo Henrique e William Arão recuado para a zaga, ao lado de Rodrigo Caio. Em vez disso, poderia ter colocado Gabigol no lugar de Gerson, que não estava bem.

O time da casa voltou pressionando. Pedro, muito bem marcado, perdia as oportunidades. O rubro-negro não criava alternativas para chegar ao gol do Vozão. Aos 25 do segundo tempo, Gabigol entrou no lugar de Everton Ribeiro. Mas de nada adiantou: aos 44, quando tudo parecia caminhar para o final do jeito que estava, Kevin recebeu lançamento de Vina em contra-ataque e marcou chutando cruzado.

Dois a zero. Vitória merecida do Vozão, pelo mesmo placar do primeiro turno, coroando a disciplina tática e o acerto nos momentos de se aproveitar dos erros do Flamengo. O alarme está ligado até mesmo para a vaga na Libertadores.

Apesar dos reforços de peso e da manutenção de quase todo o elenco vitorioso na temporada anterior, apenas rubro-negros com dose brutal de otimismo mantiveram a aposta de ter um 2020 semelhante a 2019, ano em que o time conquistou seis títulos, incluindo a Libertadores, e terminou o Brasileirão 16 pontos à frente do segundo colocado.

Um projeto que começou a ser corroído com a saída do técnico português Jorge Jesus, foi corroído pela inconstância no período do catalão Domenéc Torrent e desmoronou de vez com as eliminações da Libertadores e da Copa do Brasil sob o comando de Ceni. Mesmo assim, fica evidente que a temporada do Flamengo poderia ter sido melhor.

A partir de agora, com menos de dez por cento de chances de título no Brasileirão, precisará ser quase perfeito nos próximos dez jogos e 30 pontos que lhe restam disputar para sonhar com mais uma conquista. Ou restará a inegável melancolia de apenas defender uma participação na próxima Libertadores, o que, diante do desempenho do time, deve ser a preocupação.

Com a força e o grupo talentoso que o Flamengo possui, um bom trabalho na reta final do Brasileirão não será impossível. Mas o desempenho exibido na temporada deixa, pelo menos até agora, a sensação de que será muito difícil atingir esse objetivo. Mesmo porque precisará contar também com tropeços do líder São Paulo e dos outros concorrentes ao título.

A conferir.

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