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Famílias de mortos em acidente no Itaquerão dizem não ter recebido indenização

Construtora nega e garante que as vítimas estão assistidas e resguardadas

Futebol|Do R7

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Famílias dos operários agora se dizem revoltados com a Copa do Mundo
Famílias dos operários agora se dizem revoltados com a Copa do Mundo

Descaso. De acordo com as declarações das famílias dos dois operários mortos no acidente ocorrido no canteiro de obras do novo estádio do Corinthians em 27 de novembro, este é o resumo do que autoridades e responsáveis pelo ocorrido têm feito por eles desde então. Em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, estas pessoas alegam não terem recebido quase nada do que lhes é de direito.

Mãe de Ronaldo Oliveira dos Santos, Rita Moreira de Oliveira, de 65 anos, diz que, além do auxílio psicológico, a ajuda foi mínima:


- Até agora, ninguém veio aqui nos oferecer nada. A única coisa que fizeram foi mandar mil reais para o enterro

Viúva de Fábio Luiz, Luiza Castro complementa:


- Falaram que estamos recebendo toda a assistência, mas não é verdade

Atualmente, Luiza se sustenta graças ao dinheiro que vem do salário da filha mais velha, Karen, que trabalha como auxiliar administrativa de uma metalúrgica. Um acordo feito pela outra filha, Keille, na loja em que trabalhava e o dinheiro da rescisão do contrato do pai na transportadora BHM (que prestava serviços à construtora do estádio, Odebrecht), ajudam a sustentar a família, que ainda conta com outras três meninas, uma de 17, uma de 14 e outra de 12.


Elas, porém, já se preocupam com o momento em que estes valores acabarem. Luiza resume o sentimento:

- Nós tínhamos dois projetos para 2014: comprar uma casa própria e assistir aos jogos da Copa no estádio. Agora, eu nem sei mais o que pensar. A Copa virou motivo de revolta


No Ceará, o irmão de Ronaldo também está descrente:

- Se não ligaram no dia da morte, o senhor acha que eles vão ligar oferecendo a indenização depois de dois meses?

Segundo cálculos do sindicato, Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção Civil (Sintracon), cada família teria direito a cerca de R$ 430 mil de indenização, além de uma pensão de 2/3 do salário da vítima, paga pela Previdência Social. Porém, sem acordo, o processo pode levar de três a 20 anos para ser concluído.

Por meio da assessoria de imprensa, a Odebrecht deu outra versão sobre o caso:

- As famílias das duas vítimas estão sendo devidamente assistidas e resguardadas. Continuarão tendo todos os seus direitos garantidos. Esse é o compromisso da Odebrecht Infraestrutura

Filha mais de Fábio, Luiz pediu para deixar um último recado:

- Queria falar que meu pai era um homem bom e que a vida dele vale mais do que qualquer estádio da Copa

O estádio do Corinthians será palco da abertura da Copa do Mundo de 2014, entre Brasil e Croácia, em 12 de junho.

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