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Ex-colega de Neymar e Coutinho na seleção brasileira brilha na várzea

Campeão sul-americano pelo Brasil, Jow acumula passagens por Palmeiras, Corinthians e Portuguesa; drama com lesões no joelho prejudicou carreira

Futebol|Cesar Sacheto e Guilherme Padin, do R7

Em destaque, de cima para baixo, Philippe Coutinho, Jow e Neymar pela seleção
Em destaque, de cima para baixo, Philippe Coutinho, Jow e Neymar pela seleção Em destaque, de cima para baixo, Philippe Coutinho, Jow e Neymar pela seleção

Para os apaixonados pelo mundo da bola, não é novidade que a parceria entre Neymar e Philippe Coutinho vem desde as categorias de base da seleção brasileira. O que poucos sabem, no entanto, é que um ex-companheiro de ataque da dupla hoje brilha e tira seu sustento no futebol amador.

Um dos grandes matadores da várzea na atualidade, Johnathan Silva, ou apenas Jow, jogou com os astros de PSG e Barcelona pelo Brasil há cerca de uma década, quando almejava uma carreira no esporte profissional.

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Se no passado esteve ao lado de grandes craques de clubes europeus, hoje Jow vive somente da várzea. Uma realidade possível atualmente: no futebol amador, um jogador pode ganhar mais que a maioria dos profissionais.

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Com sete gols pelo time do Vida Loka na última Copa da Paz — um dos principais torneios varzeanos de São Paulo —, Jow foi o artilheiro da competição. Esta, no entanto, não foi a única conquista na carreira do centroavante.

Convocação por méritos, seleção brasileira e título com Coutinho

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Jow jogou na seleção brasileira entre 2007 e 2008
Jow jogou na seleção brasileira entre 2007 e 2008 Jow jogou na seleção brasileira entre 2007 e 2008

Pela Portuguesa, em 2007, Jow havia acabado de ser o artilheiro do Campeonato Paulista da categoria sub-15, com 26 gols. A grande atuação no estadual o credenciou para ser convocado pela seleção brasileira no Sul-Americano daquele ano, disputado no Rio Grande do Sul.

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À reportagem do R7, ele conta que uma das grandes alegrias à época foi o contexto no qual foi convocado.

“Eu fui convocado numa situação complicada: jogando na Portuguesa, um time de expressão mas que já passava por dificuldades, e sem ter empresário. Não jogava num clube tão grande quanto os outros convocados”, analisa o atleta de 27 anos.

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“É um orgulho muito grande saber que cheguei lá apenas por méritos. Foi maravilhoso para mim, para a minha família. Foi inacreditável”, afirma.

Em um time com nomes reconhecidos internacionalmente, como Philippe Coutinho (Barcelona e seleção brasileira), Fernando (ex-Grêmio e Shakhtar Donetsk) e Matheus Carvalho (ex-Fluminense e Monaco), Jow esteve em campo durante boa parte da campanha e se sagrou campeão sul-americano pela seleção brasileira.

Jow, em ação pela seleção brasileira
Jow, em ação pela seleção brasileira Jow, em ação pela seleção brasileira

“A emoção que senti, o fato de representar meu país, de ser um sonho de todo jogador... É inexplicável. Principal, de base, não importa qual seja. Conseguir ser campeão com o seu país, então, mais inexplicável ainda. E consegui essas duas coisas”, comenta Jow.

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Em um período de treinos na Granja Comary, no ano seguinte, já pela categoria sub-16, ele também jogou com Neymar. Sobre jogar com nomes que hoje são craques a nível internacional, o atleta de 26 anos relembra com alegria.

“Na época não sabíamos onde cada um chegaria. Para mim, hoje, é muito gratificante saber que joguei no mesmo nível de muitos caras que hoje são estrelas mundiais. Encaro com muita felicidade”.

Jow conta sobre drama com lesões e superação na várzea

Atacante sofreu com lesões no Palmeiras
Atacante sofreu com lesões no Palmeiras Atacante sofreu com lesões no Palmeiras

Jow falou ao R7 sobre o momento mais triste de sua carreira: “Cheguei a disputar a Copa São Paulo de 2008, como outros atletas do elenco da seleção [brasileira] que participei. Depois, machuquei meu joelho aos 17 anos. Estava numa ótima fase pelo Palmeiras. Fiquei oito ou nove meses parado, tratando”. A situação ficou ainda pior. 

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“Quando voltei, no mesmo dia em que fui liberado pelo DM (Departamento Médico) para jogar, rompi o ligamento cruzado no mesmo joelho. Tinha feito toda a parte de transição e fisioterapia, e meu corpo rejeitou e rompi de novo. Operei de novo e demorei mais 10 ou 11 meses. Quando voltei, estava nos sub-20. Fiquei dois anos sem jogar por causa das lesões.”

O centroavante relembra que “Foi um período muito difícil, fiquei muito triste. Fiquei sem saber o que fazer pelo que houve. Tive muito apoio da minha família, de amigos e da minha esposa. Alguns viraram as costas, mas foram poucos”. O drama, que parecia ter atingido seu ápice, ainda não havia acabado.

“Quando voltei ao Palmeiras, meu contrato estava acabando e eu não fiquei lá. Fui transferido para o Corinthians, onde fiquei um ano no sub-20. Lá, sofri mais uma lesão no joelho — desta vez rompi o menisco. Fiquei mais um tempo parado, mas já no final do meu contrato no Corinthians”, conta. 

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O ex-Palmeiras e Corinthians diz que se desanimou após a dura sequência de lesões, e ficou de 2013 a 2015 sem atuar profissionalmente. “Não queria mais jogar”, lembra ele. “Me chamaram para ir jogar na várzea, e aí acabou dando certo. Conheci muita gente legal, que me animou para querer jogar futebol de novo.”

Logo no primeiro ano na várzea, conquistou a tradicional Copa Negritude pelo Tiradentes. Não demorou muito e, em 2015, foi chamado para disputar a Série A2 do Campeonato Paulista pela Inter de Limeira. Ele marcou dez gols e foi um dos destaques da competição. Entre 2015 e 2017, ainda jogou por Bragantino, Portuguesa e Inter de Limeira, mais uma vez. Pela Inter, foi vice-campeão da Série A3 e da Copa Paulista do ano passado.

Depois de período de lesões, Jow é destaque na várzea
Depois de período de lesões, Jow é destaque na várzea Depois de período de lesões, Jow é destaque na várzea

Em 2018, Jow não atuou profissionalmente e jogou somente na várzea. Pelo Conexão Sacadura, no mês passado, faturou a Copa do Busão de Santo André e ajudou o time do Conexão a levar o prêmio — um ônibus — para casa. Para ele, mesmo só no futebol amador, é possível ganhar a vida.

“Vai de pessoa para pessoa, pois depende da expectativa de vida. Pagar as contas é possível, sim”, diz o atacante.

Hoje distante da vida de Neymar e Philippe Coutinho, Johnathan se sente orgulhoso de sua trajetória no futebol — profissional e de várzea. 

“Vivi momentos inesquecíveis e maravilhosos no futebol. Realizei um sonho, representei meu país, fui campeão, artilheiro de algumas competicões importantes para minha idade na época e joguei em grandes equipes. Hoje, sou feliz na várzea, sou feliz jogando futebol. Eu poderia ter tido um futuro bem pior com as lesões que sofri e estou jogando. Quando você entra em campo, tem que ser feliz”, afirma Jow.

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