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BRASILEIRO 2022
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Emerson Royal defende Neymar: 'Um monte de cara nem sai de casa e não faz 1% que ele faz'

Lateral do Tottenham abre o jogo e fala sobre a decepção de não ter ido à Copa, a admiração por Diniz e a vivência no futebol inglês

Futebol|Gabriel Herbelha, do R7


Emerson Royal em ação pela seleção brasileira
Emerson Royal em ação pela seleção brasileira

A posição de lateral direito é uma das mais escassas do futebol brasileiro na atualidade. No último jogo das Eliminatórias da Copa do Mundo, contra o Uruguai, Fernando Diniz chamou Emerson Royal, jogador do Totthenham, da Inglaterra, para o lugar de Danilo, machucado. O atleta não foi novidade na seleção, já que fez parte de muitas convocações de Tite. 

Desde que surgiu, ainda jovem, na Ponte Preta, o lateral dava indícios de que pular etapas era algo natural em sua formação como jogador. E, naturalmente, ele se tornaria uma opção para o futuro da seleção brasileira.

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Talvez desconhecido do grande público, já que atuou por apenas dois anos no futebol brasileiro, antes de ser vendido ao Betis, da Espanha, o jogador, de 24 anos, já tem uma importante bagagem no velho continente. 

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Após uma passagem-relâmpago pelo Barcelona, que durou apenas três partidas, Royal se transferiu para o Tottenham, em julho de 2021, pela bagatela de 30 milhões de euros. Ele permanece até hoje no clube.

Entre altos e baixos, o defensor, em entrevista exclusiva ao R7, mostrou uma personalidade forte e resiliência ao comentar os períodos mais díficeis no clube inglês.

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Prestes a lançar um documentário sobre sua trajetória no futebol e mostrar um pouco mais de sua vida fora das quatro linhas, ele falou da dor de ficar fora da lista final da última Copa do Mundo.

"Ou você se vitimiza ou você dá a volta por cima, e sempre fui essa pessoa de dar a volta por cima", afirmou.

Já que o assunto é o time brasileiro, Neymar também foi citado na entrevista. Royal saiu em defesa do camisa 10: "As pessoas têm que olhar para o lado atleta, para o lado jogador do Neymar, o que ele faz fora de campo é problema dele".

Confira a entrevista na íntegra

R7 EsportesNa última data Fifa, você foi convocado para a seleção após um longo tempo sem ser chamado — a última vez havia sido em março, contra o Marrocos. Como foi retornar?

Emarson Royal – Essa convocação teve um sabor especial, porque veio no momento em que eu menos esperei, não estava jogando tanto. Não consegui assistir ao jogo [contra a Venezuela], eu estava dormindo, porque eu tinha treino no outro dia e acordei com a mensagem do pessoal da seleção falando para mim que o Diniz queria contar comigo. Vi uma luz, porque trabalho buscando a melhora no meu clube, mas também pensando em seleção brasileira. O meu sonho é jogar a Copa do Mundo

Como foi a experiência de ter trabalhado com o Fernando Diniz, que é um treinador que você já tinha elogiado publicamente?

O Diniz tem uma forma de jogar que é a mesma de gente que pensa o futebol, mais jogado, mais apoiado. Eu sempre o admirei, para mim foi uma honra enorme. Ele vem ajudando, mudando algumas coisas na nossa mentalidade, como quando estamos sem a bola, todo mundo ser agressivo, ajudar a defender. Com a bola, a gente sabe da qualidade que ele tem para demonstrar isso para a gente.

Você fez parte do último ciclo da seleção para a Copa, mas ficou de fora da lista dos 23 convocados pelo então técnico Tite para o Mundial. Como foi ficar de fora?

Para mim foi duro. Eu participei desse ciclo, eu fui para a Copa América, participei das Eliminatórias, Respeitei a decisão do Tite, mas obviamente eu fiquei chateado. Acredito que eu estava em condições de ir, mas passou, ficou para trás.

Sendo uma pessoa que conviveu com Neymar na seleção, qual a sua opinião sobre o tratamento que o Neymar recebe, já que ele foi bastante criticado nos últimos jogos do Brasil nas Eliminatórias?

É injusto como a imprensa brasileira e alguns torcedores falam do Neymar. As pessoas falam muito do extracampo do Neymar e colocam isso em primeiro lugar. Acredito que as pessoas têm que olhar para o lado atleta, para o lado jogador do Neymar, o que ele faz fora de campo é problema dele. Quando gente pega Argentina, o Messi é ídolo; em Portugal, o Cristiano Ronaldo é ídolo. Aí falam: "Mas o Cristiano Ronaldo e o Messi não dão o trabalho que o Neymar dá fora de campo". Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Estamos falando de futebol ou vida pessoal? Se for vida pessoal, tem um monte de cara que não sai de casa e não faz 1% do que o Neymar faz.

Mesmo estando nas convocações de Tite, o público brasileiro talvez não te conheça tanto porque você saiu bem cedo daqui. Mas como é o Emerson fora das quatro linhas?

Eu acredito que eu sou um pouco diferente do que as pessoas imaginam, por causa da impressão minha dentro de campo, de um cara muito agressivo. Fora de campo, eu sou totalmente o contrário. Sou alegre, me divirto, eu gosto de cantar, dançar e estou todo tempo em casa fazendo essas coisas, me divertindo com meus amigos e familiares, então é um lado humano que as pessoas às vezes não conhecem.

Como é a sua rotina diária, desde quando você acorda até a hora de dormir? Acredito que as pessoas tenham curiosidade de saber como é a vida de um jogador.

Eu acordo, vou para o centro de treinamentos, onde faço o treino e a alimentação. Depois que eu volto do clube, eu faço fisioterapia também. Tem dias que eu treino em casa, obviamente não posso treinar todos os dias porque no clube o treino é bem intenso. Nas folgas, eu procuro treinar em casa, fazer um trabalho no campo com o pessoal que trabalha comigo.

O que você come escondido, que não pode comer na rotina diária? 

Às vezes um lanche. Eu gosto bastante. Como às vezes, mas eu posso né? Eu cuido bem da minha alimentação, então de vez em quando não tem problema.

Quantas pessoas trabalham no seu entorno, e qual a importância disso para melhorar seu desempenho em campo, tanto na recuperação física quanto no aspecto tático?

Devo ter umas 20 pessoas mais ou menos nesse entorno, porque eu acredito muito no trabalho conjunto. A gente faz um trabalho voltado à minha performance dentro de campo, que muitas vezes a gente não trabalha no clube. O que a gente aprendeu na rua. Tenho um nutrólogo que me acompanha, analistas de desempenho, que me passam informações dos adversários, como eu fui no jogo anterior. A gente está fazendo esse trabalho, e vem dando muito certo.

Royal comemora com Son um dos gols da vitória contra o Crystal Palace, pelo Campeonato Inglês
Royal comemora com Son um dos gols da vitória contra o Crystal Palace, pelo Campeonato Inglês

A questão da saúde mental dos atletas é algo que está em evidência. Em uma entrevista recente, o treinador do Tottenham, Ange Postecoglu, declarou que as pessoas acreditam que jogadores têm vida perfeita, mas que não é bem assim. Como que você lida com esse turbilhão de emoções que deve ser a cabeça de um jogador?

A cabeça de um atleta gira muito. A cada partida tem que provar quem é. Em uma quarta-feira, é o melhor, e no domingo, o pior. É muito complicado entender e aceitar isso. A gente é preparado para isso desde as categorias de base, que é como se fosse uma faculdade. Eu sempre fui uma pessoa que foi muito tranquila com a parte mental, sempre consegui diferenciar a parte familiar da minha profissão. Meus problemas em casa nunca interferiram no meu rendimento dentro de campo. Obviamente, se você tem como melhorar não pode descartar isso, então procurei melhorar, busquei, fiz, e me ajudou bastante.

No começo da temporada passada, você teve alguns momentos abaixo no Tottenham e deu a volta por cima, como titular. Como você faz para dar essas voltas por cima?

Sempre fui um cara que confiei muito em mim e no meu trabalho. O torcedor, narrador, o comentarista e quem está assistindo não sabe o que eu faço todo dia, não assiste ao meu treino, não sabe o trabalho que eu faço em casa, eu sei quem eu sou. Me criticaram muito, porém eu não escutava. Obviamente, não tem como eu fugir disso, porque estava na minha frente, na rede social e no estádio, porém eu sabia do meu potencial. Acredito que em uma situação dessa tem duas opções: ou você se vitimiza ou você dá a volta por cima, e sempre fui essa pessoa de dar a volta por cima.

O Tottenham é o líder do Campeonato Inglês. Apesar disso, você vem tendo menos minutos que na temporada passada. Como está sendo essa disputa de vaga na lateral com Pedro Porro?

Eu comecei a temporada muito bem, de titular. Primeiro jogo, cheguei até a fazer um gol, no empate contra o Brentford. Sou completamente profissional, é uma competição sadia, que a gente gosta. Apesar de não estar jogando sempre, entro forte, e, quando o professor precisar de mim, ele sempre pode contar. Tenho a ambição de buscar minha posição novamente e manter o Tottenham no topo da tabela, que eu acredito que nessa temporada a gente tem grande chance de se manter na briga pelo título.

Como é a resenha do vestiário no clube? Os jogadores ingleses são mais quietinhos? Quem lidera o grupo?

Nosso vestiário é um pouco diferente. Cada um tem uma personalidade, tem gente que é mais tranquilo, tem gente que gosta mais da zoeira. Os sul-americanos conversam mais alto, os ingleses são mais tranquilos. Eles gostam mais do silêncio. Mas os mais da resenha são o [Heung Min] Son. Que eu falo que ele é um falso coreano, ele é brasileiro. Os sul-americanos, o [Cristian] Romero, o Bentancur, o Pedro Porro também, que é espanhol. A gente interage muito, coloca música. Cada um com a sua característica, mas a gente procura sempre trazer uma alegria diferente para dentro do vestiário.

Depois de ter sido campeão do Mundo com a Argentina, o zagueiro Cristian Romero provocou você e o Richarlison, a dupla brasileira?

[Risos] Todo dia! Ele tem uma tatuagem na panturrilha, da taça da Copa do Mundo e da Copa América, que eu joguei a final. Então todo dia ele passa e brinca, pedindo para passar creme na tatuagem dele.

Na Europa, você jogou pelo Betis, Barcelona e Tottenham. O que os outros jogadores falavam do futebol brasileiro e da seleção? Acredita que há um respeito ainda maior das pessoas de fora?

Sim, com certeza, eles respeitam muito porque sabem que os brasileiros fazem o futebol arte. Não é um futebol simples, é um futebol de improviso. Em todos os vestiários que eu passei, eles têm respeito pela nossa camisa. A gente não tem ideia do peso que é a nossa camisa aqui na Europa. Quando vim para cá, entendi que o Brasil é muito maior do que a gente pensa.

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