Futebol Do cannoli do intervalo ao alambrado, como Rua Javari mantém a 'mística do futebol raiz'

Do cannoli do intervalo ao alambrado, como Rua Javari mantém a 'mística do futebol raiz'

Juventus-SP tem adeptos de diversas idades e exemplifica o futebol na sua essência, o verdadeiro futebol de bairro

  • Futebol | Do Live Futebol BR

Rua Javari e o estádio do Juventus

Rua Javari e o estádio do Juventus

Reprodução

Um xingamento ao bandeirinha aqui, um cannoli no intervalo ali e um amor gigantesco a uma camisa bordô. No alto do número 117 da Rua Javari, no bairro da Mooca, em São Paulo, o Estádio Conde Rodolfo Crespi se ergue.

Enraizado com arquibancadas de concreto, que já viram tantas histórias e presenciaram tantas movimentações, a mística da Rua Javari se mantém. Mesmo em 2023, em um futebol brasileiro impregnado de arenas modernas em que a cadeira é parte obrigatória da decoração, o Juventus-SP mostra o lado talvez mais comum do futebol, aquele hoje tão saudado como "raiz".

Logo no 4º dia de 2023, a Rua Javari recebeu o primeiro jogo do grupo 31 da Copinha. Juventus, dono da casa, contra o São Caetano. O clima em volta do estádio é aquele que todo o fã de futebol ama. Churrasco, pipoca, crianças com os pais e mães e muito sorriso no rosto.

Dentro do gramado, o primeiro erro do jogador adversário já serve de provocação para o torcedor na arquibancada. Sem celular, sem flashes, sem nada, apenas o canto de alguma música da torcida e os olhos atentos ao próximo lance.

É nesse clima que Vincenzo Romano, de 51 anos, e seu sobrinho, Guilherme Romano, de 15, se apegam para amarem ir a jogos do Juventus. Do Tatuapé, bairro próximo à Mooca, eles vão de carro até a Rua Javari acompanhar o time, seja na Copinha ou na Série A2 do Paulistão.

"Sempre estou com meu tio aqui no Juventus. Às vezes não consigo ver o jogo do São Paulo, mas no Juventus sim", comenta Guilherme, que torce também para o Tricolor Paulista.

"Eu gosto bastante do time, você fica mais perto do gramado", complementa. "É raiz. Não é essas arenas modernas. É mais como se fosse amador, de ficar de pé nos alambrados. Às vezes dá umas cutucadas nos bandeirinhas que ficam perto [risos]... nos goleiros atrás do gol", adiciona Vincenzo.

Vincenzo e Guilherme sempre vão aos jogos do Juventus-SP

Vincenzo e Guilherme sempre vão aos jogos do Juventus-SP

Reprodução

Yormax balança às redes aos 44 minutos do 1º tempo. Explosão da torcida. No 2º, é a vez de Masson, de pênalti, ampliar e dar a vitória ao Juventus por 2 a 0. No meio dos mais de 90 minutos de partida, três pancadas de chuva forte. O pequeno espaço coberto quase superlota. Os mais corajosos não saem da chuva e não param de cantar.

Torcida do Juventus-SP no confronto contra o São Caetano na Copinha

Torcida do Juventus-SP no confronto contra o São Caetano na Copinha

Reprodução

"Aqui temos uma tradição italiana e a gente tem também uma torcida que copia muito as torcidas argentinas, porque o Juventus gosta do modelo de torcer argentino", destaca Vincenzo. Eles não pararam nenhum segundo, literalmente.

Essa é a cultura de bairro, exemplificada por um jogo na tradicional Rua Javari, mas por toda São Paulo ou qualquer região do Brasil há um campinho de futebol, uma arquibancada e pessoas felizes. Esse é o verdadeiro futebol raiz.

"O Juventus é um time que tem muitos simpatizantes, dá até a impressão que não tem, mas tem. Não só no bairro, mas fora também. Pra mim é o primeiro, mas tem muita gente que considera o segundo", completa Vincenzo.

No fim do jogo, ele vibrava. Mais uma vitória do Juventus, mais uma alegria ao lado do seu sobrinho...

Reportagem de Leonardo Sasso, do Live Futebol BR

Endrick, Jesus e Antony são alguns dos craques revelados nas últimas edições da Copinha; relembre

Últimas