2.398 dias sem 5 vitórias seguidas, e a culpa é do Vojvoda!
Desimpedidos|Bira
Eu poderia escrever sobre mil assuntos na minha estreia nesta coluna. Mas é impossível ignorar a reflexão que o futebol me jogou essa semana. Comecemos, então, pelo fato que me trouxe esse pensamento: o caso do garoto Frank Ilett, que prometeu não cortar o cabelo até seu time, o Manchester United, conseguir cinco vitórias seguidas. O clube estava a uma vitóra de alcançar tal feito durante essa semana. Porém, em partida contra o West Ham, acabou empatando – e Frank segue com seu cabelo gigante.

Jogadores do Manchester United reagiram negativamente à brincadeira de Frank. Disseram que era uma pressão desnecessária. Alguns atletas, como o brasileiro Matheus Cunha, chegaram a manifestar a dificuldade de alcançar a marca de cinco triunfos seguidos na Premier League. Mas o torcedor não quer saber dessa dificuldade… ele quer voltar a ganhar.
Dito isso, surgiu-me a reflexão citada no início do texto. Quantos dias o Santos está sem conseguir cinco vitórias em sequência? E me deparei com o chocante número de 2.398 dias sem alcançar tal marca. São quase sete anos. O time do Pelé. É surpreendente.
Mas por que isso acontece? O que levou um clube tão vitorioso a chegar neste fundo do poço? O número obviamente é simbólico, mas ilustra bem os últimos sete anos do Santos Futebol Clube. Voltemos em 2019…
Santos traz Jorge Sampaoli, que pede cem milhões em “refuerzos” e faz o presidente da época, José Carlos Peres, dever até floricultura para trazer alguns jogadores como Soteldo, Cueva e Uribe. Resultado? Acaba sendo vice campeão brasileiro em 2019.

Após a saída de Sampaoli, o time bate na final da Libertadores com Cuca e fica com o vice campeonato em 2020. Outro grande feito para o clube que, naquela época, vinha se tornando quase um vice fixo dos campeonatos em que disputava. A frustração até então era com a perda de títulos…

Eis que surge a gestão de Andres Rueda, que assume as dívidas da floricultura de Peres e começa o discurso da austeridade financeira. O clube muda o foco para ‘achados’ sul-americanos e nomes fora do radar, priorizando o custo-benefício e o potencial técnico. Sem embasamento, na base dos “contatos empresariais", buscava-se negociações fáceis de se concretizar, ao invés de nomes certeiros para investir o pouco dinheiro que tinha. Resultado: três anos lutando para não cair e a austeridade financeira dando lugar à volta de Soteldo, Lucas Lima, além de milhões gastos no atacante desconhecido Júlio Furch. Ao fim do triênio, o que todo mundo, e ao mesmo tempo ninguém, esperava: Santos rebaixado para a Série B em 2023.

Marcelo Teixeira assume, promete retornar o Santos para o seu patamar de gigante do futebol brasileiro, vence a Série B – quase que de maneira culposa – em 2024, e na volta para a Série A, sem planejamento algum, aposta naquilo que caiu dos céus: a volta de um ídolo como Neymar.
Só que quando as coisas nascem tortas, elas seguem tortas se você continuar a ignorar. E nem mesmo um dos maiores jogadores da sua história pode salvar o time sozinho. Nem ele, nem os catorze técnicos que passaram neste período de quase sete anos. Enquanto as estruturas do clube seguirem sendo corroídas por dentro, ninguém vai conseguir salvar essa história. Quem é o culpado de tamanho fracasso?

Após a derrota de ontem, por 2x1 contra o Athletico Paranaense, a bola da vez é Vojvoda – técnico que salvou o time do rebaixamento em parceria com Neymar Jr. Técnico que detectou as carências do elenco para a temporada que se iniciou este ano, fez pedidos para a diretoria de contratações pontuais para equilibrar o elenco e não foi ouvido. Será mesmo ele o culpado?

Vojvoda acerta, mas não tem as peças certas e perde o jogo. Neymar volta, mas, sem companheiros de equipe adequados, não consegue “fazer render”. O campo grita pelo auxílio da diretoria, que, de forma omissa, joga o time aos leões e às críticas da torcida. Os verdadeiros culpados sempre estão com a caneta na mão. Pobre Vojvoda…









