Dembélé é melhor do que Neymar? Seis anos depois, a polêmica ganha novos contornos
Entre 2019 e 2025, um virou dono de prêmios e taças globais, o outro perdeu continuidade e viu o auge escorrer entre lesões e mudanças
Futebol|Do R7
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Em abril de 2019, Josep Maria Bartomeu, então presidente do Barcelona, soltou uma frase que parecia mais birra institucional do que análise esportiva. No auge das especulações sobre uma possível volta de Neymar ao Camp Nou, ele cravou: “O nível de Dembélé é melhor agora que o de Neymar. É muito melhor jogador que Neymar e já está adaptado”.
A declaração explodiu como polêmica porque, naquele momento, comparar os dois soava fora de contexto: Neymar ainda carregava o peso de craque geracional, enquanto Dembélé era visto como promessa cara, talentosa, mas frequentemente interrompida por lesões.
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Seis anos depois, a mesma frase voltou ao debate por um motivo simples: a carreira dos dois fez uma curva brusca e em sentidos opostos. Dembélé não apenas atingiu o patamar que o Barcelona esperava quando pagou uma fortuna para “substituir” Neymar, como empilhou conquistas que pesam muito na comparação. Em 16 de dezembro de 2025, ele foi eleito o melhor jogador do mundo no The Best da Fifa, coroando uma temporada em que já havia colocado a Champions League no bolso e reforçado a imagem de protagonista do PSG.
E a atualização que deixa a comparação ainda mais barulhenta para o torcedor brasileiro veio logo em seguida: no dia 17 de dezembro de 2025, o PSG venceu o Flamengo e conquistou a Copa Intercontinental da Fifa, em Doha. O jogo terminou 1 a 1 após prorrogação e foi decidido nos pênaltis, com o goleiro Matvey Safonov virando herói ao pegar quatro cobranças.
A ironia histórica é que, em 2019, a frase de Bartomeu era tratada como exagero porque os fatos favoreciam Neymar. O brasileiro era mais decisivo, mais influente, mais temido. Dembélé, por sua vez, era o símbolo do “pós-Neymar” no Barcelona: drible, explosão, ambidestria e, quase sempre, um asterisco chamado departamento médico. Foi esse “vazio de continuidade” que impediu o francês de dominar o debate naquela época e alimentou a percepção de que a comparação era injusta.
O ponto de virada da narrativa está em 2023, quando os dois caminhos se cruzam de novo por transferências: Neymar deixa o PSG para o futebol saudita; Dembélé faz o caminho contrário, sai do Barcelona e vira parisiense. A troca de cenário virou, também, troca de destino. Dembélé entrou num PSG que o colocou no centro do projeto esportivo e, em 2024/25, explodiu de vez: prêmio individual máximo da Fifa, status de principal nome do time e a sensação de que, finalmente, ele virou aquilo que prometeram lá atrás.
Já Neymar, desde a ida ao Al-Hilal, passou a ser personagem de uma história mais marcada por ausência do que por protagonismo em campo. O brasileiro sofreu uma grave lesão no joelho em outubro de 2023 e enfrentou um longo período fora; em janeiro de 2025, o Al-Hilal anunciou a rescisão contratual em comum acordo, num roteiro de frustração esportiva e incerteza sobre sequência física.
É aí que a pergunta “Dembélé é melhor que Neymar?” muda de natureza. Em 2019, era debate de talento puro e hierarquia de craque. Em 2025, virou debate de carreira: disponibilidade, impacto recente, troféus, prêmios, protagonismo em jogos grandes. E, nesse recorte, Dembélé chega com munição pesada: The Best da Fifa e uma taça intercontinental levantada diante do Flamengo, além do pacote de “jogador de decisões” que o PSG passou a exibir como identidade. Na temporada 2024/2025, foi decisivo, acumulou 35 gols e 15 assistências em 52 partidas, conquistou a Champions League, chegou à final do Mundial de Clubes e terminou o ano eleito Melhor do Mundo, coroado com a Bola de Ouro. Soma ainda no currículo uma Copa do Mundo, título que Neymar nunca conquistou com a seleção brasileira.
Neymar, por outro lado, viu a carreira ser freada por problemas físicos. Entre Al-Hilal e Santos, disputou poucos jogos e tenta recuperar o protagonismo no futebol mundial jogando pelo clube que o revelou.
Nada disso apaga o que Neymar foi e ainda pode ser, se conseguir retomar sequência e performance. Mas, quando a comparação se apoia no “de lá pra cá”, o placar do presente fica difícil de contestar: Dembélé chegou ao topo do mundo justamente no período em que Neymar perdeu tempo de carreira para o próprio corpo e para escolhas que o afastaram do epicentro competitivo europeu. A provocação de Bartomeu, antes vista como bravata, hoje voltou com cara de profecia tardia.
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