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Barbeiro dos boleiros foi preso, mudou de vida e hoje faz a cabeça de jogadores da seleção na Copa

Rafa Cortes, que tentou ser jogador de futebol, hoje é cabeleireiro e se tornou amigo dos atletas que estão no Catar para o Mundial

Copa do Mundo|André Avelar, do R7, em Doha, no Catar

Próximo filho de Rafa chamará Antony em homenagem ao jogador da seleção
Próximo filho de Rafa chamará Antony em homenagem ao jogador da seleção Próximo filho de Rafa chamará Antony em homenagem ao jogador da seleção

Ele não foi convocado entre os 26 jogadores, não faz parte da comissão técnica, mas é fundamental na caminhada da seleção brasileira rumo ao hexacampeonato da Copa do Mundo. Rafael Mota é o barbeiro dos boleiros e faz a cabeça de jogadores da seleção brasileira em Doha, no Catar. Preso quando ainda era jovem, o Rafa Cortes, como é conhecido, aprendeu a profissão na penitenciária, mudou de vida e hoje serve até de psicólogo para os atletas.

Rafa por pouco não foi jogador de futebol. Habilidoso, jogou nas categorias de base do Palmeiras, da Portuguesa e conhece muito bem o ambiente de vestiário. Um problema cardíaco interrompeu a sua carreira antes que despontasse no profissional. Após uma período depressivo, começou a praticar assalto e desvio de carga em São Paulo. Preso e condenado a cinco anos e quatro meses, cumpriu a sua pena e decidiu que 'nunca mais mexeria com coisa errada'.

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A história de cortar cabelos começou quando um jogador falou do seu trabalho para um, que falou para outro, para um terceiro e para times inteiros. Da lâmina de barbear e pente, a coisa melhorou bastante e Rafa hoje tem dois salões no bairro do Morro Doce, na zona norte da capital paulista, por onde foi criado e chegou a morar em barraco de madeira com a mãe e o irmão. No Catar a convite de parte dos jogadores, já atendeu Antony, Ederson, Thiago Silva, Richarlison, Vini Jr. e tem agenda cheia para mais tantos outros atletas. Sempre em parceria com Marlon e Everson Perninha.

Além do bom trabalho, o sucesso que faz entre os boleiros se deve também ao seu passado como jogador e à riquíssima história de superação, de alguém que viu a “alternativa mais fácil para um jovem da periferia”, como ele mesmo diz, aprendeu a lição e construiu uma nova história através do trabalho. Hoje, ele é casado com Juliana, tem a filha Maria Eduarda e já pensa em ter mais um filho, que deve se chamar Antony, em homenagem ao jogadora da seleção brasileira, com quem estava ao lado no momento da convocação.

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“O jogador se sente mais confortável com alguém que tem a mesma resenha com você. As risadas, as piadas, o papo é mais fácil. A gente sabe que tem coisa que tem lugar e tem hora para ser comentado. Você tem que ser um amigo. O barbeiro faz um pouco de psicologia também. Só do jogador sentar, ele já se olha no espelho e vê a pessoa que ele é”, disse Rafa, que naturalmente virou amigo dos atletas.

Nessa rede de cliente e amigo, está o zagueiro Robert Arboleda. Os dois se conheceram no CT do São Paulo, e o jogador o levou para cortar 18 cabelos na seleção equatoriana, no Catar. Foram quase 12 horas de trabalho junto dos amigos, em um ambiente de muita descontração antes da partida contra Senegal.

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O barbeiro também viaja pelo Brasil e o mundo para dar palestras e workshop. A inspiração para degradês, riscos e demais penteados nos jogadores vem da riqueza cultural do próprio país.

“No começo da minha carreira, comecei a me inspirar nos americanos. Eles trouxeram a moda da barbearia para o mundo. Peguei esse estilo e comecei a me inspirar, mas no Brasil a gente é rico de estilo de vários cabelos, liso, cacheado, estilo afro. Você tem que estar preparado. O Brasil é uma mistura de cortes e com todas as raças. Para você chegar no nível de atender todas as pessoas, tem que ter muita diferença”, disse.

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Pagamento com selfie?

O deslocamento do profissional, até o centro de treinamento ou casa do jogador, é o que mais influencia no preço final. O corte e o penteado variam pouco. E nada de pagamento com selfie ou camisas autografadas ainda que os presentes sejam comuns pela amizade que o profissional desenvolve com atletas. Há ainda uma cumplicidade para que ganhe ainda mais clientes.

“Sempre que atendo um jogador, os caras vem me pagar e não quero receber pelo primeiro corte. Costumo a propor: ‘se você realmente gostar do corte, pode pagar no próximo’. Mas aí é um tal de deixar dinheiro no equipamento da gente, jogar na mala. Eles sempre fazem questão de pagar, mas, para mim, é uma porta para cortar o cabelo de mais e mais atletas”, disse.

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