Assim é o troféu da Copa do Mundo de 2026: quanto custa e quantas réplicas existem?
Desde 2006, o troféu original não é mais entregue ao campeão, que recebe apenas uma réplica para levar ao seu país
Copa do Mundo|Federico Leiva, da CNN Internacional
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Milhões o desejam, mas poucos o têm. Milhares já passaram a centímetros dele, mas apenas algumas centenas sabem quanto custa levantá-lo. É o sonho de todos, mas apenas alguns sortudos conseguem transformá-lo em realidade.
O troféu da Copa do Mundo, esse cálice dourado que o campeão do Mundial da Fifa recebe, está repleto de histórias, mistérios e anedotas. Um troféu único, embora não no sentido mais estrito da palavra.
A Copa, a única, mede 36,8 centímetros de altura com 13 centímetros de diâmetro na base, é feita de três quilos de ouro maciço de 18 quilates, dois anéis verdes de malaquita e pesa 6,175 kg.
De acordo com as especificações técnicas destacadas pela Fifa, ela teria um preço estimado em 300 mil dólares (cerca de R$ 1,5 milhão, na cotação atual).
É tão única que o campeão não tem mais permissão nem de ficar com ela, nem mesmo por um curto período.
Até 2006, o atual campeão tinha a oportunidade de exibi-la até que chegasse a hora de devolvê-la à entidade máxima do futebol para uma nova edição da Copa do Mundo.
Isso mudou a partir do torneio organizado pela Alemanha, quando a Fifa, alegando a necessidade de cuidar ao máximo do desenho original de Silvio Gazzaniga, passou a emprestá-la apenas para a cerimônia de premiação e para a foto oficial dos campeões no campo de jogo. Depois disso, “la copa”, a única, retorna para a Suíça.
O argumento de segurança tem fundamento…
O troféu que todos conhecemos hoje começou a ser utilizado em 1974. Antes, a Fifa entregava a Jules Rimet, uma copa menor que, em vez de duas pessoas sustentando a Terra, trazia como imagem Niké, a deusa grega da vitória. Este troféu foi roubado mais vezes do que um roteirista de Hollywood poderia imaginar.
A primeira vez foi roubada em março de 1966, devido a um descuido da equipe de segurança, que deveria guardá-la durante uma exposição na Inglaterra, sede da Copa do Mundo daquele ano.
Os britânicos iniciaram uma investigação massiva para encontrar a Rimet (nome dado em homenagem ao presidente da Fifa que ordenou sua fabricação), até que, oito dias depois, a encontraram coberta por jornais à sombra de uma árvore.
Não foi a Scotland Yard, e muito menos James Bond. Foi Pickles, um cachorro que saía para fazer sua ronda matinal.
“Chamou a atenção para um pacote meio enterrado, coberto de jornais, atrás de uma árvore. Tirei os jornais que o embrulhavam e vi uma mulher segurando um prato sobre a cabeça, e uma placa com as palavras Alemanha, Uruguai, Brasil”, contou o dono do cão há décadas.
Pickles virou herói nacional, quase tanto quanto Bobby Moore, o inglês que levantou a copa naquela edição.
Em 1970, o Brasil ganhou sua terceira Copa do Mundo e, conforme estabeleciam as regras, ficou em definitivo com o troféu Jules Rimet, que foi parar na sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).
Treze anos mais tarde, foi levado em um roubo de cinema. O que a seleção levou 40 anos para conquistar, os ladrões levaram apenas 20 minutos para roubar, segundo as autoridades.
A polícia prendeu os supostos criminosos, mas o troféu nunca foi recuperado. Surgiram duas teorias. Uma, a oficial, diz que o troféu foi derretido e transformado em barras de ouro. Mais tarde surgiu outra, de que o verdadeiro responsável pelo furto o guardou para si, embora isso nunca tenha sido comprovado.
As novas regras sobre o troféu acabaram gerando uma imagem curiosa no Catar 2022.
Terminado o jogo em que a Argentina venceu a França nos pênaltis, foi possível ver as duas copas: a original, que traz gravados os nomes e anos de cada campeão desde 1974, e a réplica do vencedor (o chamado “Winners Trophy”), que traz gravado apenas o campeão da nova edição e que se torna o passageiro número 24 da seleção no avião.
Mas nem a de ouro puro nem a banhada a ouro ficaram na boca do povo. A que chegou a cada capa e a cada telefone foi a que Lionel Messi segurou enquanto seus companheiros o carregavam nos ombros.
Essa copa nem sequer era da Fifa, mas, sim, uma cópia que um casal argentino tinha levado para as arquibancadas e que acabou nas mãos dos jogadores durante as comemorações antes da cerimônia de premiação. Assim, aquela noite mágica tingida de azul-celeste e branco teve três copas no gramado do estádio Lusail.
Mas, se você é um daqueles torcedores que sonha com um pedaço de glória, também pode ter sua própria copa em casa. A Fifa disponibiliza em seu site várias réplicas do troféu, uma réplica da réplica, ou seja, uma cópia da versão que a seleção campeã leva de volta ao seu país.
A “réplica autorizada”, como a Fifa a chama, traz uma base com o resultado da final impresso em letras brancas. Existem vários modelos e preços, como os de 45 milímetros e de 70 milímetros.
Também estão na loja oficial um par de réplicas da Jules Rimet, de 100 milímetros e 150 milímetros, para os mais fanáticos que, na falta de ouro puro, se contentam com lembranças de glória.
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