Conheça as seleções que já desistiram de uma Copa do Mundo
Motivos políticos, custos de viagem, conflitos internacionais e decisões da Fifa já provocaram ausências marcantes no torneio
Futebol|Do R7
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A ausência do Irã na Copa do Mundo de 2026 recoloca em evidência um tema incomum, mas presente em diferentes momentos da história do torneio. Ao longo das décadas, seleções já abriram mão de disputar o Mundial ou boicotaram a competição por razões políticas, diplomáticas, logísticas e por divergências com a Fifa.
O caso mais recente envolve a seleção iraniana. Segundo declarações do ministro do Esporte do país, Ahmad Donyamali, a equipe não disputará a Copa caso a guerra com os Estados Unidos continue. A crise ganhou força após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em um ataque conjunto de Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro. Até agora, no entanto, a federação iraniana ainda não formalizou a desistência junto à Fifa.
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Classificado pelas Eliminatórias Asiáticas, o Irã foi sorteado no Grupo G, ao lado de Bélgica, Nova Zelândia e Egito. As três partidas da equipe estavam previstas para cidades dos Estados Unidos. A tensão entre os dois países também apareceu em episódios recentes, como a negativa de visto ao presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, e a ausência do país em um evento preparatório promovido pela Fifa.
Mas essa não seria a primeira vez que uma seleção classificada fica fora de uma Copa. Já na edição inaugural, em 1930, disputada no Uruguai, a competição teve presença europeia reduzida. A longa viagem de navio até a América do Sul e os custos elevados levaram várias equipes a desistirem. Apenas França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia aceitaram participar entre os europeus.
Protestos políticos e disputas por sede moldaram boicotes
A repercussão da baixa adesão europeia em 1930 apareceu logo na Copa seguinte. Campeão da primeira edição, o Uruguai decidiu não participar do Mundial de 1934, na Itália, como forma de protesto contra os europeus que haviam ignorado a competição anterior. Até hoje, o país é a única seleção campeã que não defendeu o título na edição seguinte.
Em 1938, novo impasse atingiu a América do Sul. A decisão da Fifa de realizar a Copa na França revoltou países que defendiam a volta do torneio ao continente americano. A Argentina, interessada em sediar a competição, liderou o movimento e decidiu não participar. O Uruguai também ficou fora em protesto.
Outro caso marcante do mesmo período envolveu a Áustria. Já classificada para a Copa de 1938, a seleção deixou de existir após a anexação do país pela Alemanha nazista. O episódio entrou para a história como mais um exemplo de como crises políticas e militares interferiram diretamente no torneio.
As seleções britânicas também ficaram fora das primeiras edições da Copa. Escócia, Inglaterra, Irlanda e Irlanda do Norte não disputaram os Mundiais de 1930, 1934 e 1938 porque suas federações consideravam o Campeonato Britânico de Seleções mais importante do que a nova competição organizada pela Fifa. A estreia dessas equipes no torneio só aconteceu em 1950.
Custos, regulamentos e guerra também afastaram seleções
A Copa de 1950, realizada no Brasil, teve uma série de desistências. Índia, França, Portugal, Turquia, Irlanda e Escócia ficaram fora do torneio. No caso da Índia, pesaram a falta de recursos para a viagem ao Brasil e a prioridade dada aos Jogos Olímpicos. Já entre os europeus, o alto custo do deslocamento apareceu como um dos principais motivos para a ausência.
Outro protesto histórico ocorreu em 1966. Na ocasião, 16 seleções africanas boicotaram as eliminatórias da Copa disputada na Inglaterra por discordarem do sistema de classificação imposto pela Fifa. Como o continente não tinha vaga direta assegurada, as federações africanas reagiram coletivamente. A pressão funcionou, e a África passou a ter uma vaga garantida a partir da Copa de 1970.
Em um episódio fora da fase final do Mundial, mas ainda ligado à disputa por vaga, a União Soviética se recusou a jogar contra o Chile nas Eliminatórias para a Copa de 1974. A partida seria disputada no Estádio Nacional de Santiago, que havia sido usado como centro de detenção após o golpe militar chileno. O contexto político levou os soviéticos a rejeitarem o confronto.
O próprio Irã já viveu situação semelhante nos anos 1980. Durante a guerra entre Irã e Iraque, a Fifa determinou que as duas seleções mandassem seus jogos em campo neutro por razões de segurança. O Iraque aceitou a medida, mas o Irã não concordou e acabou abandonando as eliminatórias para a Copa de 1986, disputada no México.
Regulamento prevê punições e deixa futuro em aberto
Além das desistências, a história da Copa do Mundo também registra exclusões por razões políticas. A África do Sul foi banida de várias edições durante o regime de apartheid e só voltou após o fim oficial da segregação. Mais recentemente, a Rússia foi suspensa das competições da Fifa depois da invasão da Ucrânia, em 2022.
No caso do Irã, o regulamento da Fifa prevê punições para federações que desistirem do torneio. Entre elas estão multa mínima de 250 mil francos suíços, sanções disciplinares, exclusão de competições futuras e ressarcimento de valores ligados ao Mundial. A decisão final caberia ao Conselho da entidade.
O regulamento também permite que a Fifa escolha um substituto para a seleção desistente. Entre as possibilidades levantadas estão a realização do torneio com 47 equipes, a convocação de outra seleção, uma repescagem ou a escolha de um país eliminado. Entre os nomes citados nos bastidores aparecem Iraque e Emirados Árabes.
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