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BRASILEIRO 2022
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Chegada de jogadores estrelados na Arábia Saudita impacta além do futebol

Esporte é uma das estruturas que devem ser alteradas a partir da Saudi Vision 2030, lançada pelo príncipe Mohammad bin Salman

Futebol|Isabella Pugliese Vellani*, do R7


Cristiano Ronaldo vestiu roupas típicas e empunhou uma espada no Dia da Fundação da Arábia Saudita
Cristiano Ronaldo vestiu roupas típicas e empunhou uma espada no Dia da Fundação da Arábia Saudita

Neste ano, as principais cidades da Arábia Saudita receberam nomes importantes do futebol mundial como novos moradores. Com promessa de salários bilionários e uma liberdade excepcional no país do Oriente Médio, Cristiano Ronaldo e Neymar são apenas dois de uma longa lista de altetas que aceitaram proposta de clubes sauditas.

Essas estrelas, porém, fazem parte de um projeto muito maior do que o desenvolvimento do Campeonato Saudita e vai além das quatro linhas.

A Saudi Vision 2030 foi lançada em 2016, pelo princípe herdeiro Mohammad bin Salman, e espera que até 2030 o país tenha uma economia diversificada e se desenvolva em setores públicos, como turismo, saúde, educação e infraestrutura.

"A compra de jogadores para pontencializar o Campeonato Saudita faz parte do sportswashing, que faz com que a Arábia Saudita utilize o esporte como um mecanismo para trazer uma ideia de que é um Estado bom, pacífico", explica ao R7 o doutor em relações internacionais Rodrigo Augusto Duarte Amaral.

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"A contratação do Neymar, do Cristiano Ronaldo, na verdade, é a concretização do projeto que começou em 2016."

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Por concordarem em fazer parte do projeto de "limpeza" da imagem ultraconservadora, os atletas da elite, com sua família, são dispensados da submissão ao regime do Estado enfrentado por toda a sociedade.

O país islâmico tem leis que, para brasileiros, podem ser "inéditas": o consumo de álcool e a crítica à monarquia são proibidos, assim como comportamentos considerados polêmicos.

Ouvir música alta, tirar fotos e gravar vídeos de outras pessoas sem a autorização delas, usar roupas consideradas impróprias e furar fila são ações proibidas.

Essas regras fazem parte da "Lei da Decência", e quem descumpri-las pode receber uma multa de R$ 62 a R$ 7.600.

Recém-chegado à Arábia, o zagueiro brasileiro do Al-Hazm, Bruno Viana, contou à reportagem que a adaptação ao novo lugar se torna mais fácil por ter compatriotas na mesma equipe, como Vina e Paulo Ricardo, e disse que o clube oferece orientação sobre a cultura saudita.

"Quando a gente vai pra algum país diferente do nosso, nós temos que saber respeitar e entender as regras de onde estamos. Nos explicaram que tem alguns lugares [com bebidas alcoólicas] para estrangeiros, mas nós que somos atletas evitamos para não prejudicar nosso desempenho", reforça o titular.

Bruna Biancardi, namorada de Neymar, também já revelou que as leis são mais flexíveis para eles. Em postagens nas redes sociais, a influenciadora explicou que precisa usar roupas que cubram os joelhos e os ombros, mas por ser estrangeira está "liberada" do uso do hijab — vestuário que faz parte do cotidiano das mulheres islâmicas.

Por outro lado, quando o casal está no hotel, a companheira do brasileiro anda com peças de roupas mais livres, o que reforça o caráter de excepcionalidade da vida de uma elite, como diz o especialista em Oriente Médio.

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"O elitismo e o caráter de excepcionalidade na sociedade saudita mostram que eles [jogadores] não vão estar submissos às leis rígidas daquele Estado. É como um grande acordo: se você é um jogador de futebol milionário contratado para corroborar o projeto saudita, tudo bem você abdicar um pouco das leis rígidas", afirma.

Durante a coletiva de imprensa com a seleção brasileira, Neymar disse não ter encontrado "nenhum tipo de dificuldade" em morar na capital saudita, Riad. "Obviamente, falar árabe ainda não falo. Meu francês, depois de seis anos, era bem ruim. Não tem muita diferença. O que é importante é dentro de campo, se entender com os companheiros. É cultura nova que estou indo, fiquei feliz de conhecer, fui muito bem recebido."

Bruno Viana (à esq.) veste a camisa 36 e é titular na zaga
Bruno Viana (à esq.) veste a camisa 36 e é titular na zaga

Bruno Viana, ex-Coritiba, aceitou a proposta saudita de contribuir para o crescimento do futebol no país e para "conhecer uma cultura diferente". O técnico português António Filipe de Sousa Gouveia queria a chegada do brasileiro à equipe, e o zagueiro, por sua vez, viu a chegada de craques internacionais como uma motivação a mais para se mudar.

Neymar recebeu uma série de regalias, como avião e frota de carros, para defender o Al-Hilal. Mas Bruno explica que, por mais que os "diferenciais" sejam comuns no futebol mundial, não é sempre que esse tipo de compensação acontece.

No caso dele, ele recebeu a oportunidade de morar em uma casa localizada em um condomínio com vários atletas, o que torna o ambiente "muito seguro e confortável".

"O futebol aqui está evoluindo bastante, dentro e fora de campo. O campeonato aqui já vinha em uma evolução antes de eles [Neymar, Benzema, CR7] chegarem, por conta da organização. Tem ótimos estádios, gramados e infraestrutura que eles nos oferecem. É uma motivação", conclui o reforço do Al-Hazm.

O futebol não foi a primeira modalidade a receber o investimento saudita. Em março de 2020, a Fórmula 1 anunciou uma parceria com a Aramco (Saudi Arabian Oil Company), a maior companhia petrolífera e de gás natural, que tem sede em Darã, na Arábia.

No ano seguinte, em 2021, a categoria automobilística abraçou no calendário uma corrida em Jidá, também no país.

Conheça Riad, capital saudita que será a nova casa de Neymar no Al-Hilal

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