Futebol Cânticos racistas de torcedores da Lazio voltam a chocar na Itália

Cânticos racistas de torcedores da Lazio voltam a chocar na Itália

Eles ofenderam o francês Tiemoue Bakayoko, do Milan, após a vitória do time de Milão sobre a Lazio, no estádio Olímpico de Roma 

lazio, racismo, itália

Jogadores do Milan e da Lazio discutem após o fim da partida

Jogadores do Milan e da Lazio discutem após o fim da partida

Matteo Bazzi/EFE/13-04-19

A polêmica após o jogo em que o Milan venceu a Lazio em Roma, no último sábado (13), foi mais um pretexto para aflorar o racismo de parte dos torcedores da Lazio.

Leia mais: Em jogo marcado por racismo da torcida do Cagliari, Juve vence mais uma na Itália

Eles ofenderam o francês Tiemoue Bakayoko que, junto com o marfinense Franck Kessié, expôs como um troféu a camisa trocada com o laziale Francesco Acerbi, com cânticos racistas.

Foram palavras ofensivas, que têm se tornado costumeiras entre torcedores da equipe romana. Desta vez eles gritaram:

"A banana é para Bakayoko."

Cânticos racistas e antissemitas têm sido comumente escutados, vindos do setor conhecido como a "curva norte" do Estádio Olímpico.

Chocante como?

O que tem chocado boa parte da opinião pública é o fato de a Federação Italiana de Futebol não punir devidamente os casos de violência racial.

Em algumas ocasiões, a Lazio já foi multada, como em janeiro de 2018, quando teve de desembolsar 50 mil euros (R$ 221 mil) por causa de atos racistas de seus torcedores.

Veja também - Ao receber prêmio, Sterling afirma: 'Tenho orgulho de ser negro'

Mas o tribunal negou a proposta da federação de punir a Lazio, fazendo a equipe atuar com portões fechados em dois jogos.

Em janeiro, a Federação aprovou modificação no método de suspensão temporária de jogos na Itália em situações de racismo contra atletas, diminuindo de três para dois o número de ofensas necessárias para a partida ser paralisada.

Mesmo com a ocorrência pontual de punições a torcedores (treze "Ultras” foram banidos por entre cinco e oito anos dos estádios, na ocasião), as medidas não têm surtido o efeito necessário.

Os cânticos se propagam, a ponto de um internauta até ironizar a manchete do Football Italia, que trazia a seguinte frase no Instagram: "Um clipe chocante emerge dos fãs da Lazio que insultaram racialmente o meia do Milan, Tiemoue Bakayoko"

O comentário do internauta Martin Penman foi imediato.

"Chocante como? É a Lazio."

Problema geral

Vale lembrar, no entanto, que a equipe romana não é a única a ter torcedores racistas.

Em dezembro último, por exemplo, sons de macaco e insultos ao zagueiro senegalês Kalidou Koulibaly, vindos de torcedores da Inter de Milão, ocorreram durante quase todo o jogo entre Inter de Milão e Napoli. Ele ainda foi expulso por aplaudir a torcida de forma irônica.

O atacante Mario Balotelli, por exemplo, já foi vítima de 60 casos de ofensas racistas em estádios. Ao Quelli Che Il Calcio“ ele afirmou.

"Na Inglaterra, em nível de futebol, eu nunca vi nada assim. Na França, eu não vi muito, mas nada é como na Itália. Na Itália, é realmente extremo."

No caso em que Koulibaly foi vítima, o  ministro do Interior, vice-premier da Itália e líder do partido extremista Liga Norte, Matteo Salvini, minimizou as ofensas, em declaração a um programa do canal Mediaset.

"Nos estádios também cantam 'Milão em chamas'. Isso seria racismo? Não coloquemos tudo no mesmo saco, Bonucci [zagueiro da Juventus] foi vaiado pelos torcedores do Milan, isso também é racismo? A brincadeira saudável entre torcidas não pode ser considerada racismo."

Torcedores homenageiam zagueiro do Napoli que foi vítima de racismo