Futebol Brasil troca chatice do masculino pelo brilho digno do feminino

Brasil troca chatice do masculino pelo brilho digno do feminino

Enquanto eles se perdem entre exibições insossas, discurso empolado do técnico e as obras do "menino Ney", elas dão show de superação 

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Marta (dir.) jogou muito e marcou gol da vitória contra Itália de pênalti

Marta (dir.) jogou muito e marcou gol da vitória contra Itália de pênalti

Lance

De um lado do campo, esforço coletivo, atitudes verdadeiras, entrevistas sinceras e um surpreendente instinto de superação.

Do outro, doses insuportáveis de primadonismo periférico, vista grossa de lideranças para inconsequências de barbudos, revezamento entre o empolado e o vazio nas declarações das chefias e muita, muita monotonia.

De um lado, ressurge, com suprema dignidade, a seleção brasileira feminina na Copa do Mundo da França.

Do outro, arrastam-se na Copa América, em solo pátrio, a milionária e mimada seleção masculina e seus comandantes, que parece não encontrar limites na capacidade de bater sucessivos recordes de produção de constrangimentos e chatices coletivas e institucionais.

A disputa simultânea do Mundial feminino e da Copa América masculina gerou uma situação de desconfortável ironia para os moços ricos do futebol brasileiro. A indiferença de boa parte dos brasileiros à mesmice produzida por eles transforma-se em apoio carinhoso quando elas pisam no gramado.

A seleção das meninas, é verdade, iniciou a disputa após uma sequência incômoda de derrotas. Mesmo com Formiga, Cristiane e sobretudo Marta, o grupo ainda está, em termos táticos e coletivos, distante do período mais nobre de sua história recente, entre 1999 a 2008, apesar da emocionante vitória sobre a Itália, por 1 a 0, na última rodada da fase de grupos. Neste intervalo de tempo, conquistou o 3º lugar no mundial de 1999 e o 2º no de 2007, além das pratas nos Jogos Olímpicos de Atenas e Pequim.

Problemas de Neymar Jr. também afetam seleção masculina

Problemas de Neymar Jr. também afetam seleção masculina

R7 Esportes

Apesar da má fase imediatamente anterior ao mundial, chega a ser revigorante, em alguns momentos comovente, testemunhar a forma responsável com que as moças enfrentam todas as dificuldades psicológicas geradas pelos resultados recentes.

E também as históricas (falta de continuidade e estrutura no País, preconceito, tratamento distante da CBF e confederações, etc), em busca determinada de um bom papel no Mundial. Uma determinação que coloca acima dos charminhos e estrelismos baratos um dos valores mais nobres do ser humano: a dignidade pessoal.

Enquanto isso, os homens de amarelo perdem carinho e convivem com o crescimento da indiferença do brasileiro. Não conseguem derrotar adversários criados, em grande parte, por eles próprios, seus comandantes e a cartolada.

As lembranças recentes do desempenho medíocre no Mundial de 2018. As piruetas e cambalhotas estrambóticas de “menino Ney”, todas ridicularizadas Brasil e mundo afora. O deslocamento de parte da cobertura da seleção para as seções policiais, por obra de seu astro-mor. Uma legião de gente distante do ramo nos estádios, com ingressos vendidos a preço de ouro. Um futebol tão opaco e oco quanto as platitudes ditas treinador em pose de emissário do sagrado.

Tudo isso posiciona a seleção masculina em algum ponto distante do coração de grande parte dos brasileiros.

Um naco do País que, hoje, quer mais é trocar a chatice do masculino belo prazer de gritar: vamos Marta, vamos Cris, vamos meninas.

Veja imagens da vitória do Brasil sobre a Itália na Copa do Mundo Feminina