Autora de xingamento racista está com dificuldade para conseguir advogado
Gremista procurou especialista que deu entrevistas em sua defesa, mas não irá atuar no caso
Futebol|Do R7

A semana começou ainda mais difícil para a gremista Patrícia Moreira, 22 anos, que, na última quinta-feira (28), foi flagrada, juntamente com outros torcedores, em ato racista, chamando o goleiro do Santos, Aranha, de "macaco". O goleiro registrou boletim de ocorrência em Porto Alegre no dia seguinte. E, neste momento, Patrícia está com dificuldades de encontrar um advogado disposto a defendê-la.
Após dar declarações sobre o tema, argumentando que Patrícia não é racista e gostaria de pedir desculpas a Aranha e ao Grêmio, na manhã desta segunda-feira (1), o advogado Guilherme Rodrigues Abrão afirmou, por meio de sua assessoria, que não irá defender Patrícia neste processo.
— Ele não é o advogado da Patrícia, não foi contratado pela família e não vai atuar no caso.
Em entrevista, Aranha diz ter pena de torcedora racista
A assessoria do advogado fez questão de desvinculá-lo categoricamente do caso, informando que Abrão apenas deu informações preliminares à imprensa, no momento em que falou sobre o caso na manhã de segunda (1).
Entre as informações preliminares, segundo a reportagem, Abrão afirmou que Patrícia recebeu ameaças, inclusive de estupro, e teve informações divulgadas na internet, além de ter a casa apedrejada. A mãe dela teria passado mal. Uma prima dela, de 14 anos, também não pode ir à escola.
O advogado acabou ficando em uma situação confusa, por ter inicialmente dado algumas declarações em favor de Patrícia e depois ter de esclarecer que não irá defender a jovem.
Segundo o escritório onde Abrão atua, ele teve apenas uma conversa com familiares de Patrícia.
— Hoje pela manhã ele foi consultado pela família.
Irritada, a representante do escritório garantiu que Abrão não recebeu nenhum tipo de remuneração pela consultoria.
— Não houve nenhum tipo de pagamento e nós não vamos mais responder nenhuma questão sobre este assunto. O escritório não está representando a Patrícia. Ele (advogado) prestou uma consulta a ela.
O caso
Durante o jogo entre Grêmio e Santos, pela Copa do Brasil, na última quinta-feira (28), Patrícia e alguns torcedores foram flagrados por câmeras da ESPN Brasil xingando de "macaco" o goleiro Aranha, que fez grandes defesas na partida, vencida pela equipe paulista por 2 x 0.
Abrão, ao receber Patrícia, o irmão e uma amiga dela pela manhã desta segunda-feira, deu a seguinte declaração.
— Ela quer fazer um pedido de desculpas ao Aranha. Ela também quer pedir desculpas ao Grêmio e aos torcedores pelo xingamento, que foi infeliz, num momento de pressão do jogo. Aquilo aconteceu no calor do jogo, ela não é uma pessoa racista .
Ele também falou sobre a origem de Patrícia, tentando atenuar a revolta de boa parte da opinião pública contra a agressora.
— Ela é de uma família humilde, tem amigos negros, que jamais tiveram qualquer tipo de problema com ela. Infelizmente, no futebol, que a gente sabe que prevalece muito mais a paixão, e ela fez um xingamento errado, e foi flagrado, e ela vai responder.
E por fim chamou a atenção para a situação dramática vivida pela jovem após o episódio.
— Ela me relatou que sofreu ameaças, que vizinhos apedrejaram a casa e está preocupada com a própria segurança. Qualquer medida vai ser tomada após a apresentação dela na delegacia e prestar depoimento. Depois ela vai estudar o que vai fazer sobre isso. Ela recebeu ameaças na internet e foi xingada em programas da imprensa.
À tarde, Abrão informou que não iria defender Patrícia nos tribunais.















