Gol de mão e título argentino: duelo polêmico marcou Inglaterra e Argentina em 1986
As campeãs mundiais se enfrentam na semifinal da Copa pela primeira vez na história
Copa do Mundo|Allef Fonseca*, do R7
Em um duelo que reúne muita história, rivalidade, polêmicas e gols inesquecíveis, Inglaterra e Argentina voltam a se enfrentar em uma Copa do Mundo após 21 anos. Apesar de já terem medido forças 14 vezes ao longo da história, nenhum confronto marcou tanto quanto as quartas de final do Mundial de 1986, no México.
Com as emoções à flor da pele, dentro e fora de campo, as duas seleções entraram para uma partida que representava muito mais do que apenas futebol. Para jogadores como Diego Maradona, aquele jogo simbolizava a oportunidade de dar uma resposta a uma guerra.
Quatro anos antes, em 1982, Reino Unido e Argentina entraram em conflito pela posse das Ilhas Malvinas, arquipélago localizado ao sul do continente americano. Reivindicadas pelos argentinos como parte de seu território, as ilhas eram administradas pelos britânicos. A Guerra das Malvinas terminou com a vitória do Reino Unido e deixou 649 soldados argentinos mortos, além de consolidar o controle britânico sobre o arquipélago.
Na preleção antes da partida, o camisa 10 argentino falou com enorme paixão sobre a importância daquele jogo para o povo argentino. Maradona lembrou os jovens soldados mortos no conflito e afirmou que, dentro das quatro linhas, seria a oportunidade de buscar uma espécie de vingança esportiva.
O duelo começou bastante equilibrado, com forte marcação dos dois lados, e o primeiro tempo terminou sem gols. Mas tudo mudou logo no início da etapa final. Logo aos seis minutos, Maradona iniciou uma jogada pelo meio e tentou encontrar Jorge Valdano. No lance, porém, o volante inglês Steve Hodge errou o recuo para o goleiro Peter Shilton e acabou levantando a bola em direção à área. Na disputa pelo alto, o goleiro tentou afastar o perigo, mas Maradona se antecipou e, com a mão esquerda, empurrou a bola para o fundo das redes. O árbitro validou o gol, que entraria para a história do esporte como “La Mano de Dios” (“a mão de Deus”, em português).
Se o primeiro gol foi polêmico, o segundo seria considerado um dos mais bonitos da história das Copas. Apenas quatro minutos depois, Maradona recebeu a bola ainda antes da linha do meio-campo, arrancou em velocidade, deixou cinco jogadores ingleses pelo caminho, driblou Peter Shilton e marcou um gol antológico, eleito anos depois como o Gol do Século pela Fifa.
Mesmo pressionando durante a reta final, a Inglaterra conseguiu apenas diminuir o placar. Gary Lineker marcou de cabeça, mas já era tarde. A Argentina venceu por 2 a 1 e eliminou os ingleses em uma partida histórica, marcada tanto pela genialidade quanto pela polêmica.
Para os argentinos, aquele triunfo representou uma revanche simbólica pela Guerra das Malvinas e também pela eliminação para a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo de 1966. Para os ingleses, foi o fim do sonho de conquistar o bicampeonato mundial, mesmo contando com uma das gerações mais fortes de sua história.

Agora, as duas seleções voltam a se encontrar em mais um capítulo dessa rivalidade histórica. De um lado, a Argentina sonha com o tetracampeonato mundial. Do outro, a Inglaterra busca encerrar um jejum de quase 60 anos sem conquistar a Copa do Mundo. Em um confronto carregado de história, paixão e rivalidade, resta apenas uma pergunta: quem garantirá a vaga na grande final?
*Sob supervisão de Camila Juliotti
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