Assinatura do contrato de concessão do Pacaembu afasta Santos do estádio

A assinatura do contrato de concessão do estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, para a iniciativa privada está afastando o Santos da arena paulistana. A Allegra Pacaembu, concessionária que vai administrar o complexo pelos próximos 35 anos, realizou conversas informais com o clube da Vila Belmiro, mas existem entraves que dificultam o acerto.

O principal deles é o plano da concessionária de fazer do estádio um palco de todos os clubes. "A beleza do Pacaembu é ser um campo neutro. Queremos transformar o Pacaembu no principal campo neutro do Brasil e das Américas. Queremos potencializar o uso do Pacaembu como estádio de futebol recebendo os quatro grandes de São Paulo e também clubes de outros Estados. Também queremos torneios amadores, como a Taça das Favelas, os jogos das categorias de base e do futebol feminino", explica Eduardo Barella, líder do consórcio, ao Estado. "Nesse contexto, acho muito complicado que um clube consiga suprir nosso plano de negócio e nossa receita esperada", completa.

Outro entrave para um acordo com o Santos é a redução da capacidade do estádio com a demolição do tobogã para a construção de um centro comercial com restaurantes, cafés e um centro de convenções. Após a reforma, o Pacaembu deverá receber cerca de 26 mil espectadores - hoje, sua capacidade é de 39 mil. A diretoria esperava contar com no mínimo 30 mil pagantes para continuar mandando seus jogos na capital. "O Pacaembu com 26 mil não interessa ao Santos. Não se justifica. Pelo menos 30 mil seria o ideal", afirmou o presidente do Santos, José Carlos Peres.

O dirigente esteve no evento de assinatura da concessão do Pacaembu e mostrou otimismo com as conversas com a concessionária. Com foco na arrecadação e no aumento da bilheteria, a diretoria santista acalenta um sonho antigo de jogar mais vezes no Pacaembu. Pelas últimas conversas, porém, a situação ficou mais complicada.

A intenção da empresa é que o Pacaembu continue recebendo jogos de futebol. O número mínimo de partidas será de 15 por ano. Em 2019, já foram realizados 46, a maioria do futebol feminino. Também são disputados jogos de campeonatos amadores, como a Taça das Favelas.

Para manter a vocação do estádio voltada para o futebol, a concessionária estuda até convidar clubes de outros Estados. "Hoje, os clubes já vendem seus mandos de campo para Brasília, por exemplo. Imagine a população do Nordeste que está em São Paulo e torce para Ceará, Fortaleza. Estamos iniciando essas conversas. Faz todo o sentido mandarem esses jogos no Pacaembu", diz Barella.