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BRASILEIRO 2022

Após superar dificuldades domésticas, skatista Luizinho mira Tóquio-2020

Futebol|Do R7

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Aos 18 anos, Luiz Francisco Nunes é uma das grandes promessas do skate nacional. Luizinho, como é conhecido desde cedo, vive um momento único em sua carreira. É um dos 16 atletas da seleção brasileira. Mesmo com pouca idade, o garoto consegue ajudar financeiramente seus pais depois de momentos difíceis.

Os problemas começaram antes de Luizinho ter seu primeiro contato com o skate, aos seis anos. Um familiar fez um empréstimo no nome de sua mãe, Enilda, sem que ela soubesse. "Quando ela descobriu, o valor já estava muito alto, não conseguimos mais pagar. Isso levou nossa família à falência, a gente perdeu tudo", conta o menino.


Sua vida virou de cabeça para baixo. De 2006 a 2010, Luizinho, seus pais e seu irmão mais novo, André, tiveram de mudar de casa e de vida. "A casa para onde fomos tinha risco de desabamento", relembra.

O primeiro skate foi um presente da avó. Dividia seu tempo entre o futebol, videogame, escola e skate. Como meia, Luizinho chegou a ser procurado por olheiros do Corinthians e do Palmeiras. "Minha mãe abomina futebol. Então resolvi focar nas pistas", diz. Aos 10 anos, o skatista estava sempre presente nos pódios, mesmo competindo com atletas mais velhos. "A gente levava uma vida muito difícil, minha mãe vendia bolo, pães e brigadeiros nos campeonatos para pagar as viagens."


O esforço logo deu resultado. Foi campeão carioca, paranaense, mineiro e paulista. Ele também conquistou o vice brasileiro, em 2012, e, no ano passado, foi campeão brasileiro tanto no bowl quanto no park - modalidade que vai estar na próxima Olimpíada e une elementos do bowl, tipo de pista tradicional, e do street, skate de rua e ainda usa elementos que simulam escadarias, rampas e corrimões.

Este ano tem sido especial para ele. Além da chegada à seleção brasileira, Luizinho conquistou o terceiro lugar no X-Games e superou grandes rivais no torneio internacional Skate Park. O atleta encara seu próximo compromisso neste fim de semana, quando participa da segunda etapa do Circuito Brasileiro de skate, o Oi STU Qualifying Series, torneio que garante pontos no ranking nacional que classifica para os Jogos de Tóquio. "É um sonho conquistar uma medalha pelo Brasil na Olimpíada, mas a verdade é que quero ganhar vários campeonatos antes disso."

A vontade é tanta de se superar que Luizinho até colocou os estudos em segundo plano. A mãe não gostou. Ano passado, repetiu o terceiro ano do ensino médio por faltas. "Vou terminar a escola depois", promete. Na sala de aula, relata ter passado por situações de preconceito dos próprios professores. "Diziam que skate é coisa de marginal, que não ia me dar futuro. Isso só me motivava."

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