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Após nove anos preso por homicídio, Gerceir encontra chance na várzea

“Não dão oportunidades para ex-presidiário. Negam serviço. Aqui é onde me ajudam, aqui estou em casa e me sinto respeitado”, afirma 

Futebol|Cesar Sacheto e Guilherme Padin, do R7

Para Gerceir, o futebol está na várzea: “Muitos pernas-de-pau no profissional”
Para Gerceir, o futebol está na várzea: “Muitos pernas-de-pau no profissional” Para Gerceir, o futebol está na várzea: “Muitos pernas-de-pau no profissional”

Uma das opções de lazer e esporte mais tradicionais nas periferias de São Paulo, a várzea é também um meio de se melhorar a vida de quem habita nas comunidades paulistanas.

Há, entre tantas histórias contadas no universo do futebol amador, exemplos que chamam a atenção, como o de Gerceir Evangelista de Andrade, de 46 anos.

Entre 2002 e 2010, Gerceir esteve preso por homicídio doloso. Hoje responsável pela manutenção do campo da Arena Palmeirinha, palco da Copa da Paz — um dos mais importantes torneios da várzea paulista —, ele conta à reportagem do R7 que apenas o futebol amador o ajudou depois de seu período de nove anos como detento.

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“Tem muito preconceito. Não dão oportunidades para ex-presidiário. Trabalho, para mim, é difícil. Negam serviço. Aqui é onde me ajudam, aqui estou em casa e me sinto respeitado”, relata ele. 

“Eu faço manutenção, portaria. Tomo conta do que precisam no Palmeirinha... Sou um faz-tudo”, conta. Perguntado sobre o homicídio de 2002, que o levou à prisão, Gerceir fala pouco, mas justifica: “Se eu não matasse, morria”.

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Relação com a várzea

Quando criança, Bruno Melo foi treinado por Gerceir e corria pela zona sul de SP
Quando criança, Bruno Melo foi treinado por Gerceir e corria pela zona sul de SP Quando criança, Bruno Melo foi treinado por Gerceir e corria pela zona sul de SP

A história de Gerceir com o futebol de várzea começou cedo e, como muitos apaixonados pelo esporte, em campo. 

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“Comecei jogando. Mas, como eu era briguento, não demorou muito e uma senhora me sugeriu: 'Você quer ser treinador das crianças?', e eu fui. Gostei”, conta ele, que relembra as dificuldades nos treinos: “Era difícil treinar a molecada naquela época (anos 90), com barranco e barro nos campos", conta.

"Não era a mesma coisa que é hoje. A gente pegava os meninos, botava para dar voltas [de Paraisópolis] até o Morumbi, e depois tinha o treino coletivo."

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Se hoje é organizador da Copa da Paz e diretor do Palmeirinha de Paraisópolis, quando criança Bruno Melo era um dos meninos treinados por Gerceir. Foi o pai de Bruno, Francisco, que decidiu dar a chance ao ex-técnico em 2010. 

“Quando ele voltou da prisão, meu pai decidiu ajudá-lo. Naturalmente ele começou a nos ajudar por aqui, e meu pai sempre deu uma força para ele. Ele não é assalariado. Mas meu pai dá uma força para ele almoçar, para comprar o que precisa. Nos fins de semana que ele trabalha na arena, ele recebe direitinho”, relata Bruno, que comenta que “em outras áreas ele acaba não conseguindo oportunidades por conta desse preconceito”.

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Aos risos, Bruno relembra que “ele [Gerceir] fazia a gente dar um monte de voltas aqui por perto e depois a gente ia jogar com a perna tremendo”.

Sobre Bruno e outros garotos que treinou no passado, Gerceir fala com alegria. “Eu tenho muito orgulho de ser da várzea. Tem vários organizadores e treinadores da várzea que eu treinei no passado. Começaram comigo, e hoje eles são os exemplos”, diz ele, sorrindo.

Ao falar do futebol jogado na várzea, o responsável pela manutenção Arena Palmeirinha se anima ainda mais e critica os profissionais.

“Prefiro mil vezes a várzea que o futebol profissional. O pior futebol é o profissional. A máfia está lá. A essência do futebol está aqui. Tem profissional que prefere a várzea que o profissional, porque tem muita ‘maracutaia’. Aparece jogador profissional que não sabe nem bater numa bola. Na várzea, não. Você que a molecada é boa de bola, principalmente na periferia.”

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“Tem jogador aí que não sabe nem o que é uma bola, não sabe jogar. Acho que, se procurassem na várzea e fizessem uma seleção daqui, seria muito boa e podia até ganhar desses caras”, afirma Gerceir.

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