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Conheça o RPG com economia tão complexa quanto a do mundo real

EVE Online vai além de ser uma distração e se torna uma carreira

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Olhando assim, até parece que a diversão é observar gráficos bonitos e atirar nas coisas
Olhando assim, até parece que a diversão é observar gráficos bonitos e atirar nas coisas

A economia é uma coisa presente em tudo que nós fazemos. Não se trata só de déficits, superávits e Fazendas, mas também do próprio conceito de trocas e planejamento doméstico.

EVE Online é um jogo online desenvolvido pela islandesa CCP Games e lançado em 2003. Não é um simulador de naves nem um jogo de tiro, mas sim um MMORPG menos tradicional. Ainda assim, o estilo não muito ortodoxo trouxe mais jogadores do que afastou, mesmo que a curva de aprendizado seja um verdadeiro pesadelo para muitos iniciantes.

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Assim como em outros MMORPGs, EVE tem um sistema de "guildas", mas de uma forma um pouco mais complexa: aqui elas são chamadas de "corporações". O que importa em EVE, predominantemente, é o dinheiro — dinheiro paga membros da corporação, compra armas, compra naves, protege territórios, investe em outras corporações, etc — e o espírito competitivo de Wall Street é bem forte aqui.

Um evento que ficou marcado nos anais da história do game foi o Banho de Sangue de B-R5RB, uma guerra entre jogadores que causou um prejuízo enorme a todos os envolvidos. Isso porque quando alguém destrói uma nave sua, você não apenas reaparece na sua base — você literalmente perde a nave, mesmo que você tenha investido uma quantidade colossal de dinheiro virtual nela. Além disso, é muito fácil morrer, mesmo tendo uma nave caríssima. Isso porque naves pequenas em grandes números tem vantagens sobre naves grandes, que por sua vez possuem vantagens contra naves médias, e por aí vai. Por isso as corporações são importantes: EVE realmente não foi feito para quem joga sozinho, pois quem faz isso perde tudo muito rápido.

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Tudo tem um preço

EVE, assim como World of Warcraft, tem uma mensalidade meio salgada (aproximadamente R$50). Felizmente, há outros jeitos de jogar: primeiramente, tem o modo free-to-play, no qual as habilidades e uso de naves é limitado, e o outro jeito é usando dinheiro de dentro do próprio jogo.

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Como dito, EVE tem uma economia muito robusta, tanto é que o jogo literalmente tinha assessoria de um economista de verdade, que agora é reitor de uma universidade na Islândia, o Dr. Eyjólfur Guðmundsson. Com o tempo, a CCP Games investiu mais e mais em economistas que pudessem dar ao jogo uma complexidade maior.

Guðmundsson é reitor da universidade de Akureyri
Guðmundsson é reitor da universidade de Akureyri

Há muitas coisas que você pode ser em EVE: você pode ser um minerador, que procura minérios que são usados para construir naves e itens; você pode ser piloto, e participar de lutas; você pode ser um comerciante; se tudo der certo, você pode ser mais político e ser apenas dono de uma corporação.

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É nesse ponto que as coisas ficam interessantes, pois aí é literalmente como se você fosse um empresário — ao invés de logar no jogo todo dia e lutar, você apenas se comunica com seus funcionários e cria planilhas para entender como cada coisa está acontecendo, observa radares e invasões, decide promoções e aumento de gastos, etc. Além disso, cada corporação pode fazer parte de uma liga maior, ou uma coalisão. Tudo isso faz com que o jogo esteja sempre num constante estado de movimentação de dinheiro.

A escala colossal das brigas que acontecem no jogo acaba trazendo pessoas que nem estão interessadas em jogar, mas sim em observar as histórias do que acontece no mundo de EVE.

A própria CCP Games abraçou essa comunidade e faz até vídeos brincando com a natureza predatória e ordoliberalista do jogo:

Esse clipe é feito por músicos que trabalham na própria CCP, e o refrão basicamente diz para você aguentar as porradas que o jogo te dá e perseverar. Não foram poucos os jogadores que perderam tudo e precisaram reconstruir suas corporações e carreiras do zero.

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