Esportes Djokovic perde batalha judicial contra a Austrália e será deportado

Djokovic perde batalha judicial contra a Austrália e será deportado

Tenista teve o visto cancelado duas vezes após ter problemas com sua documentação sobre a vacinação contra a Covid-19

  • Esportes | Do R7, com informações da AFP

James Ross/EFE

O Tribunal Federal Australiano rejeitou neste domingo (16) o recurso de Novak Djokovic contra a sua deportação, ordenada pelo governo, que considera que o número um do mundo representa um “risco para a saúde do país” por não ter sido vacinado contra a Covid-19.

A decisão, tomada por unanimidade por três juízes, acaba definitivamente com as esperanças do sérvio de 34 anos de conquistar seu 21º título de Grand Slam no Aberto da Austrália, que começa na segunda-feira (17).

Djokovic foi autorizado a deixar o centro de detenção onde estava detido no sábado e assistiu à audiência de quatro horas online dos escritórios de seus advogados em Melbourne.

O tenista número 1 do mundo, Novak Djokovic, diz que respeita o veredicto e está se preparando para deixar o país sem jogar. "Estou muito desapontado com a decisão do tribunal de rejeitar meu recurso contra a decisão do ministro de cancelar meu visto", escreveu o jogador. "Respeito a decisão do tribunal e vou cooperar com as autoridades competentes em relação à minha saída do país", acrescentou.

Em suas conclusões no tribunal, o ministro da Imigração, Alex Hawke, argumentou que a presença de Djokovic no país era "provavelmente um risco à saúde".

Ele disse que isso alimentou o "sentimento antivacina" e pode impedir que os australianos recebam doses de reforço, já que a variante Ômicron se espalha rapidamente pelo país.

"Mesmo quando ele foi infectado, ele foi a uma entrevista e sessão de fotos que incluiu a remoção de sua máscara", disse Stephen Lloyd, que está representando o ministro da Imigração Alex Hawke no  processo, referindo-se à admissão de Djokovic de que ele participou de uma entrevista ao jornal L'Equipe em Belgrado, em 18 de dezembro, sabendo que ele tinha Covid-19.

Agitação civil

A presença do campeão na Austrália pode até "provocar um aumento da agitação civil", acrescentou o ministro. Apesar de chamar o risco de o próprio Djokovic infectar os australianos de "insignificante", o ministro disse que seu "desrespeito" pelas regras de saúde do Covid-19 é um mau exemplo.

No domingo, no tribunal, os advogados de ‘Djoko’ descreveram a detenção e a possível deportação de seu cliente como "ilógicas", "irracionais" e "irracionais".

O governo "não sabe quais são as opiniões de Djokovic no momento", argumentou o advogado Nick Wood, dizendo que seu cliente nunca apoiou publicamente o movimento antivacina.

O advogado do governo, Stephen Lloyd, contestou que o fracasso do campeão em se vacinar quase dois anos após o início da pandemia e seu repetido desrespeito às normas de saúde, incluindo não se isolar quando sabia que estava infectado, eram provas suficientes de sua posição.

Novak Djokovic foi preso na chegada à Austrália em 5 de janeiro e inicialmente colocado em detenção administrativa.

O jogador, que contraiu a covid-19 em dezembro, esperava uma isenção para entrar no país sem estar vacinado, mas as autoridades não aceitaram esta explicação.

O governo australiano sofreu um revés humilhante em 10 de janeiro, quando um juiz bloqueou a deportação de Djokovic, restabeleceu seu visto e ordenou sua libertação imediata.

Mas o ministro da Imigração contra-atacou na sexta-feira e cancelou seu visto pela segunda vez sob seus poderes discricionários, citando "razões de saúde e ordem pública".

No domingo, após a audiência, Djokovic foi transferido de volta para o Park Hotel, o agora mundialmente famoso centro de detenção para estrangeiros ilegais, do qual ele deve sair apenas para pegar seu avião para casa.

Em comunicado publicado nesta quarta-feira, o tenista admitiu ter preenchido incorretamente sua declaração de entrada na Austrália.

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