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Copa 2018

Rua do Piauí torce pela Argentina na Copa do Mundo. Menos a Dona Sílvia

Atormentado pela situação política do Brasil, Raimundo Pereira Júnior coloriu a Rua 8, em Teresina; dona de mercadinho é contra, mas elogia intenção

Copa 2018|Guilherme Padin, do R7

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De bandana, Raimundo Júnior posa com amigo na Rua 8, em Teresina
De bandana, Raimundo Júnior posa com amigo na Rua 8, em Teresina

A situação política e econômica do Brasil levou a população a um novo nível de indignação. Prova disso é a Rua 8, em Teresina, no Piauí. Graças a uma ideia de Raimundo Pereira Júnior, 35, as casas do endereço foram pintadas com as cores da Argentina.

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"Depois de tanta notícia ruim — roubalheira, corrupção e essas coisas —, não dá para torcer pelo Brasil. E ainda a gente apanhou da Alemanha em 2014. Isso atrapalha ainda mais", contou Juninho, como é chamado, à reportagem do R7.


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Por que, então, escolher a Argentina? Júnior responde: "Sei lá, pela rivalidade com o Brasil. E eles têm muitos jogadores bons. Também acredito que não tenha tanta corrupção lá".


Para poder pintar a rua, ele, que trabalha como aplicador de películas em automóveis, disse que praticamente todos moradores concordaram. "Todo mundo estava de acordo. Além da Dona Sílvia, só teve um morador que estava viajando e acabou não respondendo", conta ele. 

O contraponto da Rua 8


Sílvia do Nascimento, proprietária de um mercadinho na rua do bairro Real Copagre, foi a única a discordar da ideia de Júnior. Ela decorou seu estabelecimento com as cores da bandeira do Brasil.

'No final, a gente vai ver quem vai ganhar', diz Sílvia
'No final, a gente vai ver quem vai ganhar', diz Sílvia

"Eu sou Brasil, torço pelo Brasil e, por isso, decorei o mercadinho. Para mim, tanto faz se o pessoal coloriu a rua com as cores da Argentina. O importante é que sou Brasil", diz ela.


Dona Sílvia garante boa relação com o vizinho Júnior: "É bem tranquila (a relação). Temos que ter livre arbítrio".

Sílvia acredita que "apesar de não concordar com pintar as ruas, ele (Júnior) está até correto no que pensa. É crise, é greve, é roubalheira... É difícil. Mas nem por isso eu vou deixar de ser Brasil".

Em tom de brincadeira, ela completa: "No final, a gente vai saber quem vai ganhar".

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