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Crise política, corrupção, economia e ‘7 a 1’: brasileiros desprezam Copa

A duas semanas da estreia do Brasil, maioria da população não demonstra interesse no Mundial da Rússia. Quais são os motivos para tal desalento?

Copa 2018|Cesar Sacheto, do R7

Criança senta-se atrás do gol na favela de São Paulo durante a Copa de 2014
Criança senta-se atrás do gol na favela de São Paulo durante a Copa de 2014 Criança senta-se atrás do gol na favela de São Paulo durante a Copa de 2014

Em duas semanas, o Brasil entrará em campo para disputar a 21ª edição da Copa do Mundo. A equipe de Neymar, Gabriel Jesus e Philippe Coutinho, comandada pelo técnico Tite, fará a estreia no torneio no dia 17 contra a Suíça, às 15 horas (horário de Brasília), em Rostov, na Rússia, em jogo válido pelo Grupo E.

Porém, diferentemente de anos anteriores, o país não parece contagiado pela seleção brasileira e a busca pelo hexacampeonato mundial. Ao contrário, a sensação é de que boa parte do público tem ignorado a proximidade da maior competição de futebol – esporte mais popular entre os brasileiros – do planeta.

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“Em linhas gerais, não vejo a população se mobilizando, se preparando, conversando sobre a Copa. Inclusive, tenho visto pouca propaganda sobre a Copa na televisão em comparação com outras vezes”, avaliou Antônio Flávio Testa, doutor em Sociologia do Esporte pela UnB (Universidade de Brasília).

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Desencanto com Copa

O desencanto dos brasileiros pode ser comprovado em números. Levantamento realizado entre os dias 24 e 25 de abril pelo Instituto Paraná de Pesquisas em 26 Estados e no Distrito Federal, revelou que 65% dos entrevistados se mostram pouco ou nada interessados na Copa e somente 33% disseram ter interesse na competição. Outros 14,5% afirmaram que nem sabem onde o torneio será disputado. Foram ouvidas 2.984 pessoas em 185 cidades brasileiras.

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Tais estatísticas nos fazem refletir sobre o desprezo pela Copa em uma nação que tratava a seleção como orgulho nacional. Seriam a crise política, a revolta da população com os sucessivos escândalos de corrupção envolvendo políticos que comandaram o país nas últimas décadas e a penúria financeira de grande parcela do povo os fatores responsáveis por essa indiferença?

“Desde os Jogos Pan-Americanos de 2007, tem havido denúncias de roubalheiras, de falcatruas. Com a Copa, foi a mesma coisa. Haja visto a uma quantidade imensa de processos, de políticos presos por causa de superfaturamento na construção dos estádios. De fato, tem uma influência grande na percepção da população. Principalmente da classe média brasileira, que tem informação elaborada, de que o futebol foi usado como instrumento de manobra da opinião”, destacou o professor.

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'7 a 1' da Alemanha na semifinal da Copa passada foi trágica para o Brasil
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Estigma do 7 a 1

O impacto do ‘7 a 1’ da semifinal da Copa de 2014 também teve um peso considerável no nível de indiferença dos brasileiros neste ano, segundo Testa. A derrota catastrófica para os alemães — que conquistaram o título com uma vitória por 1 a 0 sobre a Argentina, no Maracanã — minou a confiança de torcedores em relação ao desempenho da seleção na Rússia.

“Mesmo a geração sendo outra, as famílias são as mesmas. Na última Copa, as minhas filhas viram, colocaram camisas, chamaram os amigos. Quando veio a derrota, houve uma coisa monstruosa. A queda (da venda) de aparelhos de televisão é muito sintomática”, explicou Antonio Flávio Testa.

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Confiança no treinador

Por outro lado, a confiança dos brasileiros no técnico Tite é alta: 76% dos pesquisados pelo Instituto Paraná afirmaram que o treinador é o nome ideal para o cargo e 64% consideraram-no favorito para voltar da Rússia com o título mundial. No entanto, o sociólogo da UnB acredita que os números sejam insuficientes para cativar o público.

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Testa acredita que a crise de abastecimento gerada pela greve dos caminhoneiros, deflagrada no dia 21 de maio, pode ter repercussões até o início do Mundial. Dessa forma, o desempenho do time no torneio será fundamental para determinar o apoio da opinião pública à seleção.

“A agenda da sociedade brasileira está direcionada para outros temas. É lógico que (a Copa) funciona como um antídoto momentâneo, alguma coisa que possa minimizar um pouco o impacto negativo da economia. E aí, o desafio da seleção é muito grande e a vitória pode projetar alguma coisa na autoestima brasileira. Mas, se eles perderem, como aquele 7 a 1 em que o capitão da equipe chorou como uma criança, se mostrar essa fraqueza, vai ficar muito ruim para o Brasil”, ponderou.

Neymar

Para o doutor em Sociologia pela UnB, outro ponto negativo para a relação entre a torcida e a seleção brasileira é a tentativa dos dirigentes e especialistas em marketing de se construir ídolos, caso do atacante Neymar. O principal astro brasileiro é contestado por algumas de suas atitudes, apesar de ser um fenômeno mundial nas redes sociais.

“Tudo isso foi desmascarado por causa dos contratos que ele tinha de merchandising. É direito dele. Mas tem um apelo negativo muito grande. Ele é antipático, arrogante e mal-educado. Lembra do Zico, do Sócrates? Eram caras muito populares, simpáticos. O Neymar é a antítese disso. É um filhinho de papai, debochado. Ele não é um líder”, criticou.

Entretanto, o sociólogo ressalta que a falta de carisma de Neymar pode ser revertida pelo rendimento do craque em campo.

“Quando começar o jogo, se fizer muitos gols, se jogar bem, tudo muda. É uma relação muito momentânea”, finalizou Testa.

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