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Copa 2018

Amigo acredita que Copa 2018 pode fazer Maradona voltar a ser feliz

Carlos Randazzo, o Carly, foi quem apresentou Diego a Guillermo Coppola, que agenciou o ídolo argentino em grande parte de sua trajetória

Copa 2018|Eugenio Goussinsky, do R7

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Maradona reencontrou Coppola na Rússia
Maradona reencontrou Coppola na Rússia

Carlos Randazzo, o Carly, 59 anos, ainda tem o jeito de falar dos jogadores dos anos 70, com aquele sotaque portenho, com frases rápidas e astutas. É um dos maiores símbolos daqueles atacantes cabeludos, rebeldes argentinos, que falavam - e faziam - o que pensavam.

Os tempos de noitadas em Buenos Aires, envolvimento com drogas e até prisão - sob acusação de homicídio da qual ele foi absolvido - que durou 11 meses, fizeram Carly ver o mundo, a vida e o futebol, com um olhar mais amplo, sem aquela visão imediatista das redes sociais.


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Grande amigo de Maradona, foi ele que, segundo ficou registrado, apresentou o ídolo argentino ao empresário que o acompanhou na maior parte da carreira: Guillermo Coppola.


Para Carly, que viu Maradona pela última há três anos, por ocasião da morte do pai de Maradona, Don Diego, o ex-craque argentino, apesar de todo o espalhafato em suas comemorações e durante as partidas da Argentina, ainda não parece feliz.

"Não vejo Maradona feliz, não vejo que ele está bem. Maradona se encontrou com Guillermo na Rússia (teriam se reconciliado). Ele fazia muita coisa por Diego. Há agora a possibilidade de Diego voltar a ficar com Guillermo como agente, para mim será a maneira que fará ele recuperar o sorriso."


Pelas palavras de Carly, o rompimento de Maradona com Coppola, em 2004, após muitos anos, pode ter sido a causa do que ele vê como tristeza do amigo.

Entende-se, nesta mensagem de Carly, que Diego pode estar passando por uma permanente tentativa de romper com as lembranças de um passado de glórias, para tentar virar a página, esmagando um sentimento de ausência por aquilo que não volta. Ou de desilusão com algo que o decepcionou.


Carly tem visto a seleção argentina como uma espécie de retrato do atual futebol, mais comercial e veloz. Mantém a serenidade ao falar da albiceleste, a qual defendeu em 1978, precavido por causa do equilíbrio que o futebol mundial apresenta entre as seleções.

"Nesta Copa do Mundo tudo pode acontecer. Há um equilíbrio muito grande. Não foi só a Argentina que viveu dificuldades. Veja a Alemanha, o que aconteceu. Foi eliminada. Antes do jogo contra a Nigéria, pelo que havia visto dos nigerianos, achava impossível a vitória. Messi obviamente pode fazer a diferença, mas a marcação está tão forte que não há parâmetros."

Outros tempos

E a presença de Maradona tem servido como um contraponto de outros tempos, que o astro parece querer trazer para a atual geração. E tem conseguido, introduzindo energia, paixão e transmitindo tudo isso para os jogadores em campo, na busca da essência do futebol.

"A magia do futebol era estar compenetrado na partida, no jogo, como se atacava, hoje há tantas interferências fora, que influenciam na cabeça dos jogadores. A culpa não é tão grande por errar um penalti, há outras coisas além das quatro linhas."

Ele acredita que acontecimentos deste Mundial, como a possível reaproximação de Coppola e a ressurreição da seleção, podem ajudar a reanimar o maior ídolo argentino.

Carly acompanha as movimentações do amigo à distância. E expõe, com palavras sinceras e um tanto surpresas, como as coisas na vida podem mudar. Como o futebol. A personificação deste fenômeno tem um nome: Messi.

"Quando Diego encerrou a carreira fui o primeiro a pensar: 'nunca mais vou ver outro Maradona, é impossível'. Quando apareceu Messi, falo do jogo, o superou porque pensa mais rápoido que ele, faz em velocidade maior. É um jogador dos tempos atuais."

Não, Carly não quer dizer, com o termo "superior", que Messi seja melhor do que Maradona. E ele explica por meio do conhecimento que tem sobre Diego, sobre o que conversaram, sobre os pensamentos do amigo. E é categórico na afirmação:

"A fama de Messi não incomoda Maradona, em nada, creio que tanto Messi quanto Diego foram os melhores em seu momento. Cada um acha que foi melhor, mas não creio que haja maldade na relação entre os dois."

Mesma rivalidade que ele considera saudável entre Brasil e Argentina. Também não viu maldade no vídeo no qual os jogadores da seleção argentina, após a vitória sobre a Nigéria, provocaram o Brasil com cânticos de torcedores, muito empolgados.

Pelo contrário, ele acredita que isso é um fator que dá graça ao futebol, tão contagiado hoje por interesses comerciais e pela padronização das redes sociais, as quais Carly considera que tiram a espontaneidade por exporem demais os jogadores.

"Brasil e Argentina representam um clássico. São os melhores da América, têm projeção mundial. Em várias vezes o Brasil jogou melhor e a Argentina venceu. Outras não. Não vejo essas brincadeiras como algo negativo. Fazem parte do folclore tão importante para o futebol."

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