Nico Rosberg admite relação “neutra” com seu antigo melhor amigo Lewis Hamilton na luta pelo título da F-1
Atuais companheiros de Mercedes sonharam dividir a mesma equipe na época de kart
Automobilismo|André Avelar, do R7

Imagine disputar com o seu melhor amigo algo que vocês dois tanto desejam. E isso em nada tem a ver com paixonites da adolescência. A coisa é um tanto mais séria e envolve o título da Fórmula 1. Nico Rosberg chega para o GP do Brasil, que acontece neste domingo (9), em Interlagos, perto de levantar o troféu inédito. Por outro lado, Lewis Hamilton, com quem corre desde os tempos de kart, também está da disputa e fará de tudo para somar mais uma conquista seguida.
Enquanto o tricampeão Lewis Hamilton acumulava títulos, tudo parecia estar bem. O inglês aparecia feliz e contente pelos quatro cantos da F-1, enquanto o amigo alemão fazia bem o papel de segundo lugar. A partir deste ano, as nove vitórias de Rosberg o levaram à penúltima corrida com 19 pontos de vantagem. Daí vem só um pouco do seu enorme favoritismo no autódromo que venceu nas últimas duas vezes.

Hamilton fechou a cara para Rosberg, e vice-versa, desde pelo menos o ano passado. De lá para cá, provocações antes e depois das corridas e até mesmo toques para fora da pista tornaram-se correntes. Nos últimos dois anos, o inglês levou a melhor e, no que depender do alemão, a história mudará de lado em uma relação momentaneamente neutra.
“A nossa relação sempre muda. Nós temos esse imenso respeito um pelo outro que vem da época do kart, quando tínhamos 10 anos, e assim mantemos até hoje. Claro que temos altos e baixos. Depende do momento, às vezes é mais crítico, outras é mais fácil. Geralmente, é neutra. Estamos juntos tentando fazer o melhor pelo time e, claro, também somos rivais na luta pelo título”, disse Rosberg, em evento da patrocinadora Petronas, no hotel em que os pilotos estão hospedados.
Quem ouve o programado Rosberg falar com tanta segurança pode até achar que é algo fácil de lidar com a situação. A relação dos dois piorou tanto que basta voltar ao GP da Austrália de 2008. Naquela oportunidade, Hamilton, então pela McLaren, rumava para o seu primeiro título mundial quando, logo na primeira corrida, dividiu o pódio com o terceiro colocado Rosberg, ainda na Williams.
Com aquele olhar de bons e velhos amigos, os dois ficaram contemplando por alguns minutos o pódio e se abraçaram longamente. Era como se fossem dois sonhos realizados em um só pódio. Mas em um salto de oito anos, para a última corrida, no GP do México, os dois se limitaram a um leve brinde com a garrafa de champanhe.
Uma foto já antiga que circula na internet comprova a antiga amizade dos dois jovens pilotos no kart. Depois de um desses campeonatos, os dois chegaram a desejar dividir a melhor equipe da F-1 anos depois.

“Com Lewis, a disputa começou quando ainda tínhamos 13 anos e eu lembro de todas as batalhas que travávamos pelos campeonatos. Sinto que ele tem sido meu rival durante toda a minha carreira. E eu não esqueço de um momento em que estávamos de férias, creio que em 2000, sentados em um restaurante, só nós dois, e ficamos imaginando: “já pensou se um dia formos para a melhor equipe da F-1 juntos e disputarmos o título”. Isso foi há 16 anos. E agora faz três anos que estamos na melhor equipe disputando o título. Então eu acho essa história incrível”, lembrou Rosberg.
“Me dá um abraço?”
Apesar do bom-humor, da aparência de bom moço, de fazer questão de ouvir as respostas em português mesmo com as respostas em inglês, Rosberg deixou claro que não faz questão de um ou outro abraço especial no pódio. O piloto não imagina como será sua eventual comemoração e até se recusou a planejar o momento.
“Desculpe, mas esses pensamentos não pesam pela minha cabeça. Quero apenas fazer o meu melhor neste fim de semana e focar em vencer a corrida. Não há nada mais”, disse Rosebrg que, aos 31 anos, parece estar no auge da sua maturidade.
Por mais que Rosberg tente esquecer, sabe que não precisa necessariamente chegar cruzar a linha de chegada das 71 voltas na primeira posição – algo que já lhe garantiria o título inédito independentemente da posição de Hamilton. Até mesmo um mísero sexto lugar, desde que o companheiro chegue em décimo já seria o suficiente para a tão sonhada conquista.
Se nada der certo pela pista de Interlagos, haverá ainda uma última chance, no estonteante GP dos Emirados Árabes Unidos, em 27 de novembro.
Veja o que Nico Rosberg precisa para ser campeão:
- vencer o GP do Brasil independentemente da posição de Lewis Hamilton;
- chegar em segundo com Lewis Hamilton na quarta posição;
- chegar em terceiro com Lewis Hamilton na sexta posição;
- chegar em quarto com Lewis Hamilton na oitava posição;
- chegar em quinto com Lewis Hamilton na nona posição;
- chegar em sexto com Lewis Hamilton na décima posição.














