Esportes 'Apadrinhado' por Barrichello, piloto pernambucano sonha com futuro na Indy

'Apadrinhado' por Barrichello, piloto pernambucano sonha com futuro na Indy

O pernambucano Kiko Porto, de 17 anos, traçou um objetivo na carreira diferente dos demais pilotos da sua idade. Em vez de sonhar com a carreira europeia e a rota para chegar à Fórmula 1, o recifense escolheu seguir para o automobilismo americano. O sonho de correr em circuitos ovais, de disputar a Fórmula Indy e de repetir o sucesso de nomes como Tony Kanaan e Hélio Castroneves tem como um grande incentivador um dos grandes nomes do automobilismo brasileiro: Rubens Barrichello.

Kiko disputa neste ano a USF2000, categoria de acesso considerada nos Estados Unidos o antepenúltimo degrau antes de chegar à Fórmula Indy. Enquanto aguarda a possível oportunidade de nos próximos anos avançar para as disputas da Indy Pro e, por fim, a Indy Lights, o garoto de 17 anos concilia a rotina entre o Recife e Orlando, na Flórida, para onde costuma ir quando tem compromissos.

Quando desembarca em Orlando, Kiko se torna hóspede de Rubens Barrichello. O recifense tem como melhor amigo e companheiro de equipe na USF2000 o filho mais velho de Rubinho, Eduardo, de 18 anos. Os dois garotos se conheceram em 2014. "O Dudu Barrichello é meu irmão do coração. E o Rubinho é um dos caras que mais admiro, me ajuda demais com dicas. Quando eu saio para jantar com eles, é um aprendizado. Tudo o que o Rubinho fala é uma fórmula secreta. Se você ouvir e aplicar o ensinamento, vai dar certo", disse Kiko ao Estadão.

O jovem piloto demonstrou ter assimilado bem todas essas instruções no início deste mês. Em corrida disputada no circuito misto de Indianápolis, Kiko conseguiu duas poles positions e três pódios nas três provas realizadas. E em uma das poles, bateu o recorde da pista. Mesmo sem ter disputado todas as etapas do campeonato, o pernambucano é o terceiro melhor entre os novatos.

A chegada de Kiko ao automobilismo americano foi em 2018, após ter iniciado no kart em 2011 com brincadeiras em pistas indoor do Recife. Títulos estaduais em Pernambuco e na Paraíba levaram o garoto a decidir apostar na carreira no exterior. Após analisar se era melhor ir para a Europa ou para os Estados Unidos, não restou muita dúvida. "O preço foi o principal motivo. Para correr na Europa e chegar à Fórmula 1, você pode ter de investir mais de R$ 40 milhões. Nos Estados Unidos além de ser mais barato, as equipes abrem mais as portas e valorizam mais os novatos", explicou.

Segundo as estimativas de Kiko, uma das grandes diferenças de preço entre correr nos Estados Unidos ou na Europa está no próximo passo dele após se destacar na categoria atual. Para disputar a IndyPro, o custo médio da temporada pode chegar a R$ 3 milhões. O degrau equivalente na Europa, a Fórmula 3, exigiria um aporte bem maior ao atingir até a R$ 10 milhões por um ano.

"Quando a gente é mais novo, só pensa na Fórmula 1. Mas quando se analisa melhor, tem muitas opções no mundo. Sou uma pessoa aberta. O que aparecer de oportunidade, vou agarrar", disse. "O nível nos Estados Unidos tem aumentado porque pelo preço tem vindo muito mais gente para cá. Por aqui você pode ser piloto da Indy, a segunda maior categoria do mundo, ou disputar outras também", comentou.

O preparo como piloto tem exigido empenho de Kiko para as atividades e até se ambientar com a condição de que o melhor amigo e filho do principal conselheiro pode ser um rival. "Teve uma corrida que na pista tive um toque com o Dudu. Na hora da disputa eu não posso pensar com quem estou disputando. Mas somos bem maduros e conseguimos separar. No fim de tudo a gente nem se lembrava disso depois. Ainda fomos jantar juntos com o Rubens depois de tudo isso", contou.

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