O suíço Stanislas Wawrinka confessou neste domingo que "não esperava conquistar um torneio do Grand Slam" antes de derrotar na final do Aberto da Austrália o espanhol Rafael Nadal, que teve seu desempenho atrapalhado por fortes dores nas costas.
_Como você viveu este jogo?
"Joguei meu melhor tênis no primeiro set e no início do segundo. Eu me sentia realmente bem em quadra. Me movimentava bem, me sentia realmente agressivo. Mais depois, ficou mais complicado. Ele se lesionou. Eu vi. Ele não conseguia mais sacar. Durante um set inteiro (o segundo) ele não se mexeu mais. Passou a ser um jogo totalmente diferente. Entendi que iria depender apenas de mim."
_Como tentou lidar com isso?
"Precisava manter a calma e continuar sendo agressivo, porque ele tentava se manter vivo na partida apesar da lesão. Não foi nada fácil. Comecei a ficar nervoso porque entendi que tinha condições de conquistar um Grand Slam. No terceiro set, me deixei levar feito um bobo neste falso ritmo. Depois, no quarto, parei de torcer para que ele cometa erros, voltei a ser mais agressivo".
_Talvez essa não seja a maneira com a qual sonhava em conquistar um Grand Slam?
"Não, mas quando a chance aparece, é preciso aproveitar. Talvez essa tenha sido a única oportunidade da minha vida de disputar uma final de Grand Slam. Rafa (Nadal) é um bom amigo e sinto muito pelo que aconteceu com ele. Espero que a lesão não seja grave. Precisamos de alguém como ele no tênis então espero que ele se recupere logo para o resto da temporada".
_Esta final deve ter sido muito emocionante para você...
"O que está acontecendo comigo é uma loucura. Nunca imaginava conquistar um Grand Slam. Para ser sincero, a ficha não caiu ainda. Vou precisar de alguns dias, ainda estou no meio de um sonho. Mesmo com a lesão de Rafa, acho que mereço o título, porque derrotei (Novak) Djokovic, o número dois (e campeão das últimas três edições), e Rafa, o número um. Foram duas semanas fantásticas, em que disputei o melhor tênis da minha carreira".
_Como você pretende lidar com as grandes expectativas que as pessoas vão começar a ter em torno do seu desempenho?
"Este título de Grand Slam, ninguém vai tirar de mim. Sempre vou ficar com esta vitória. É como a medalha de ouro olímpica (que conquistou em Pequim-2008 nas duplas, ao lado de Federer). Minha carreira vai mudar, mas minha conduta será a mesma: vou continuar trabalhando duro para alcançar os melhores resultados possíveis".
_Você dizia há alguns dias que ser o número um da Suíça não representava nada. Mas ser o número 3 do mundo?
"Para mim, serei sempre o número dois, atrás de Roger. Ele é o melhor da história. Não tem comparação. Estar na frente dele no ranking não representa nada. Agora, ser número três do mundo é algo inacreditável. Vou ter que ver o ranking amanhã para acreditar. Isso não é normal, é algo alucinante. No entanto, não posso deixar de admitir que o ranking não mente".
Declarações colhidas em coletiva de imprensa.
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