Com academias fechadas há 100 dias é possível fazer graduação no fim de 2020? Cavaca, Calasans e Bahiense respondem

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* As academias de Jiu-Jitsu estão fechadas no Brasil desde o início de março, quando foram registrados os primeiros casos do novo coronavírus no país. Além disso, todas as competições, incluindo as mais importantes do calendário como o Mundial, Pan e o Brasileiro (IBJJF/CBJJ), além do World Pro (AJP Tour), foram canceladas.

Nos estados da região sul, as academias puderam reabrir com restrições, mas em algumas cidades, pelo aumento no número de pessoas infectadas, os governos locais resolveram fechar novamente as escolas de artes marciais. Com mais de 100 dias longe dos tatames e ainda sem uma previsão de quando vão poder reabrir, fica uma pergunta: será possível realizar graduações em 2020?

Sempre após o Mundial da IBJJF – que acontece entre os últimos dias de maio e o começo de junho – e no fim do ano são realizadas as cerimônias e as almejadas graduações. Com o principal evento de arte suave cancelado e as academias fechadas, os professores não tiveram como graduar seus alunos no fim do primeiro semestre. Mas, projetando até dezembro, a tendência é que a situação fique diferente.

Para debater o tema, a Revista TATAME conversou com três importantes nomes do Jiu-Jitsu sobre o assunto: Rodrigo Cavaca, Cláudio Calasans e Isaque Bahiense. Todos os professores foram unânimes quanto a graduação no fim de 2020, mas cada um apontou um motivo específico para que o ato seja realizado.

Cavaca cita importância da teoria

Um dos líderes da Zenith, Cavaca vê o atual cenário da pandemia como um momento de reinvenção por parte dos professores. O faixa-preta acredita ser necessário o retorno com protocolos sanitários e um “Jiu-Jitsu diferente” do que era realizado antes da Covid-19. O professor afirmou também que o ensino teórico é importante para a assimilação dos alunos e, consequentemente, as sonhadas graduações.

“Eu não vejo problema algum em acontecer uma graduação (no fim de 2020). Até porque foram três meses parados, mas a parte teórica foi praticada bastante, em muitos sentidos. Na parte das técnicas, das lives contando a história do nosso Jiu-Jitsu… O aprendizado foi de uma maneira foi muito intensa, um método diferente do que estamos acostumados a viver nos tatames. Isso deve contar, sim, na hora da graduação, porque o aprendizado foi tão grande quando se tivéssemos dentro dos tatames todos os dias. Temos que nos adequar ao que está acontecendo no mundo e não é justo tirarmos a graduação de pessoas que estavam em uma caminhada crescente”, analisou o renomado Rodrigo Cavaca.

“As competições vão mesmo demorar a voltar, mas acho que isso não influencia em nada a graduação do atleta. Se o cara não corre por um lado, ele corre por outro. Ele tem os méritos dele. O professor tem a avaliação dele. Se o cara depender de ganhar campeonato para mudar de faixa, vai ser difícil. Tudo é questão de se adaptar e se ajustar”, contou Cavaca.

Calasans projeta graduação sem festa

Outro importante atleta e professor de Jiu-Jitsu, Calansas citou que os alunos podem não retornarem às aulas por conta do “medo” de contraírem o novo coronavírus. Já sobre graduações com festas, o que já se tornou uma tradição, o casca-grossa acredita que seja algo mais individual e discreto.

“A ideia é que comecem (as aulas) neste segundo semestre e pode ser que (a graduação) atrapalhe por causa do tempo. Da mesma forma que os professores estão se adaptando para fazer os protocolos (sanitários das academias) de uma forma segura, porque o mais difícil vai ser quebrar essa barreira do medo das pessoas, a graduação também vai ter que se adaptar. Talvez no começo do próximo ano (2021, aconteça a graduação). Os professores, talvez, tenham que mudar a graduação coletiva, com aquelas festas no fim do ano. Pode ser que tenha que ser feito algo mais individual. Graduação coletiva não creio, mas individual, olhando a evolução do aluno, você consegue graduar um ou outro”, apontou Calasans.

Isaque Bahiense destaca ‘merecimento’

Líder do projeto Dream Art, que é um grupo de competição, a situação de Isaque Bahiense é diferente de uma academia e dos exemplos de Cavaca e Calasans. O faixa-preta da Alliance lida diretamente com atletas que competem os principais torneios pelo mundo e tem como foco o profissionalismo no esporte.

“Nós temos muitos atletas que tinham a chance de ganhar o Mundial (cancelado) e seriam graduados depois do torneio. Não dá para deixá-los mais um ano (na mesma faixa), pensando que o grande momento do atleta é na faixa-preta. O quanto antes conseguirmos graduá-los, mais cedo vão chegar na faixa-preta e vão ter mais oportunidade de se sobressaírem. Claro que tudo isso é baseado em tempo de faixa, dedicação e resultados. Vamos graduar os atletas que estavam merecendo por todos esses itens que eu citei. Aqui, pelo menos, vai funcionar assim. Já as academias, eu não sei como vão enxergar, porque é diferente (do Dream Art). Tem cara que não compete em academia e não sei como os professores vão analisar isso”, disse Isaque.

* Por Yago Rédua

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